Política
Com o apoio de Bolsonaro, o irmão de Gilmar Mendes retorna à Prefeitura de Diamantino (MT)

Chico Mendes será reeleito prefeito de Diamantino (MT) com apoio de Bolsonaro e forte base política
Com um patrimônio declarado de R$ 56 milhões e obtendo 56% dos votos dos 12.748 eleitores, Francisco Ferreira Mendes Júnior, conhecido como Chico Mendes (União Brasil), foi eleito para retornar à prefeitura de Diamantino (MT) em 2025. O veterinário e ruralista, que já havia governado o município de 2001 a 2008, conquistou a vitória nas urnas no dia 6 de outubro.
Diamantino, com 21.941 habitantes de acordo com o Censo de 2022, está situado a 183 km de Cuiabá e a 1.237 km de Brasília. O município é famoso por ser a cidade natal do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, irmão do novo prefeito.
Chico Mendes volta a assumir o comando da cidade com o apoio de um aliado de peso: o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que é frequentemente referido por Chico como “meu capitão”. Apesar das críticas públicas de Bolsonaro à Suprema Corte, da qual Gilmar Mendes faz parte, o ex-presidente não apenas endossou a candidatura de Chico, mas também participou de eventos de pré-campanha em Diamantino no mês de abril deste ano.
A maior parte da doação para a campanha de Chico veio do partido de Bolsonaro, com um aporte significativo de R$ 300 mil. Além disso, o candidato contribuiu com R$ 40 mil de seus próprios recursos e recebeu uma doação de R$ 11 mil de sua irmã, Maria da Conceição Mendes França, irmã do ministro Gilmar Mendes. A Justiça Eleitoral fixou o teto de gastos para as campanhas eleitorais de prefeito em Diamantino em R$ 414.694,20.
Embora o ministro Gilmar Mendes não tenha se envolvido diretamente na campanha de seu irmão, sua imagem foi usada em um vídeo para prestar homenagem à matriarca da família, Nilde Alves Mendes, falecida em 2017. Apesar disso, não houve uma exploração política da figura de Gilmar nas redes sociais durante o pleito. “Nem precisava, porque todo mundo aqui o conhece”, comentou um morador da cidade sobre a ausência do ministro nas atividades de campanha.
Durante sua candidatura, Chico Mendes enfatizou suas conexões políticas em Brasília como um dos seus principais trunfos. “O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, apoia minha candidatura. Tenho apoio de três senadores e oito deputados federais. Isso faz toda a diferença”, afirmou um de seus aliados durante um evento de campanha. Chico Mendes também destacou a importância de ter um prefeito com influência em Brasília: “Não adianta votar em alguém que nem sequer tem acesso a Brasília”, declarou o próprio candidato.
Fonte: OTempoPolitico
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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