Política
BEZERRA DIZ QUE QUEM TORCEU PARA RACHA NO MDB ‘QUEBROU A CARA’
Sem citar nomes, o presidente do MDB em Mato Grosso, ex-deputado federal Carlos Bezerra, disse que quem torceu para que a sigla sofresse um “racha” interno “quebrou a cara”. Declaração foi dada no final da tarde desta quinta-feira (24) durante convenção da legenda.
Tensão no MDB ocorreu devido à disputa pela presidência estadual do partido. Líder histórico da sigla, Bezerra se viu confrontado por correligionários que pediam renovação no comando da legenda. Prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro deu declarações em apoio ao deputado federal Juarez Costa na disputa pela presidência.
Contudo, após costura interna, acordo sacramentou a decisão de que Bezerra comandará a legenda uma última vez antes de sua saída da vida política. Questionado sobre os resquícios dessa tensão, o ex-deputado confirmou que as arestas estão “aparadas” e destacou que o MDB tem como fundamento o debate democrático.
“Nosso partido tem essa riqueza que poucos partidos têm, que é o debate democrático interno. Isso é feito com a maior intensidade possível até se chegar a uma conclusão, que foi o que fizemos neste processo”, disse o presidente estadual.
“Tinha muita gente torcendo para o MDB rachar. E quem apostou nisso, quebrou a cara, porque o partido está unido, vai unido para a eleição do ano que vem, vai fazer a maioria dos prefeitos de Mato Grosso. Vai continuar sendo um grande partido mesmo sem o poder na mão, sem governo do Estado, um dos maiores partidos de Mato Grosso”, acrescentou.
Bezerra comentou também sobre como o MDB deverá se comportar quanto à disputa pela prefeitura de Cuiabá. Líder afirmou que há 3 deputados estaduais de olho no comando da Capital, mas assegurou que as discussões em torno do tema serão feitas de forma ampla.
“Com muita paciência e muita autoridade, nós vamos futuramente estabelecer um debate sobre Cuiabá interno. Aqui, tem 3 deputados estaduais que têm interesse aqui. Tem a questão do prefeito, do filho dele. Tudo isso será considerado e vamos fazer um debate interno em cima disso”, afirmou.
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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