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Justiça

Gilmar Mendes reforça perfil maleável e se torna ponte entre STF e bolsonarismo em meio à tensão política

 

Decano do Supremo mantém canais abertos com diferentes grupos políticos e recebe Flávio Bolsonaro em momento de forte desgaste entre a direita e a Corte

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a demonstrar uma das características que marcam sua trajetória em Brasília: a capacidade de transitar entre diferentes grupos políticos, inclusive em momentos de forte tensão institucional.

Recentemente, o ministro recebeu o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro para uma conversa na qual o parlamentar fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes e apresentou sua visão sobre uma eventual relação de seu governo com o Supremo. Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (7), Flávio afirmou a Gilmar que não pretende adotar uma postura de revanche contra a Corte caso seja eleito.

A conversa chama atenção justamente pelo perfil político-institucional de Gilmar Mendes. Embora seja um dos ministros mais experientes e influentes do STF, ele mantém interlocução frequente com representantes de campos políticos distintos. Em setembro, por exemplo, o ministro também foi procurado pelo então ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula, Sidônio Palmeira, para discutir os impactos da crise envolvendo o Supremo no cenário eleitoral.

Essa capacidade de conversar com lados antagônicos pode ser interpretada como um perfil maleável e pragmático, principalmente na construção de pontes políticas. Isso não significa necessariamente mudança de posicionamento jurídico, mas revela uma disposição incomum para manter diálogo mesmo com setores que fazem críticas duras ao próprio STF.

O próprio Gilmar já defendeu publicamente esse tipo de interlocução. Em entrevista concedida ainda em 2016, ao ser questionado sobre encontros com políticos, afirmou que conversava com representantes de diferentes partidos e que considerava natural a existência de diálogo institucional entre autoridades dos Poderes da República.

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A aproximação ganha ainda mais peso diante da estratégia adotada pela campanha de Flávio Bolsonaro. Antes da conversa do presidenciável com Gilmar, seu coordenador de campanha, Rogério Marinho, já havia se reunido com o ministro. A ideia era separar as críticas dirigidas especificamente a Alexandre de Moraes da relação institucional com o Supremo como um todo.

Na conversa com Gilmar, Flávio teria concentrado parte de suas críticas em Moraes, principalmente em decisões envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao mesmo tempo, buscou sinalizar que um eventual governo seu não partiria para uma ofensiva generalizada contra o tribunal.

O senador afirmou que não haveria um “espírito de revanchismo” contra a Corte e descartou, naquele momento, iniciativas como a ampliação do número de ministros do STF. Por outro lado, manteve aberta a possibilidade de investigações e até de um processo de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Gilmar ocupa espaço de articulador

É justamente neste ambiente que Gilmar Mendes tende a ganhar protagonismo. Com décadas de experiência no STF e amplo trânsito entre Executivo, Legislativo e Judiciário, o ministro consegue dialogar tanto com integrantes do governo quanto com a oposição.

Esse comportamento faz com que seja visto, em diferentes momentos, como uma espécie de articulador informal nos períodos de crise institucional.

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A postura também pode explicar por que integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro optaram por procurar Gilmar antes mesmo de um eventual segundo turno ou de uma possível mudança de governo. Para a direita, ele representa uma porta de entrada para reconstruir relações com setores do Supremo; para integrantes do atual governo, continua sendo um interlocutor relevante dentro da Corte.

O momento é particularmente delicado. Após o fortalecimento de candidatos ligados à direita nas eleições de 2026, ministros do STF passaram a avaliar a possibilidade de uma acomodação na relação com o bolsonarismo, mesmo diante das ameaças de mudanças legislativas e de processos de impeachment contra integrantes da Corte.

Maleabilidade pode colocar Gilmar no centro das negociações

Caso Flávio Bolsonaro avance na disputa presidencial e eventualmente chegue ao Palácio do Planalto, Gilmar Mendes poderá assumir um papel ainda mais relevante na interlocução entre os Poderes.

Seu perfil demonstra que, mesmo diante de divergências profundas, prefere manter abertas as portas para negociação e diálogo.

Na prática, essa característica permite que Gilmar esteja próximo de atores que, em determinados momentos, estão em lados completamente opostos do cenário político.

Em um ambiente marcado pela polarização e pelo desgaste do Supremo perante parte da opinião pública, essa maleabilidade pode transformar o decano em uma das principais pontes para uma eventual reorganização da relação entre o STF e o campo político ligado ao bolsonarismo.

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Cibercrime

TJMT aciona Polícia Federal e Polícia Civil após ataque cibernético que tirou sistemas do ar

 

Incidente de segurança levou à suspensão de prazos processuais, cancelamento de sessões e redefinição de senhas; Tribunal afirma que, até o momento, não há indícios de acesso indevido a dados sensíveis

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao incidente de segurança que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, indisponíveis desde segunda-feira (21).

A Polícia Federal foi comunicada porque um dos sistemas afetados possui integração com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil deverá atuar diretamente na apuração do ataque e de eventuais tentativas de acesso indevido a informações.

A medida adotada pela Presidência do Tribunal busca preservar a segurança dos dados de servidores, magistrados e demais usuários dos sistemas judiciais.

Credenciais de usuários foram acessadas

Segundo informações divulgadas pelo próprio Tribunal, o incidente foi identificado na segunda-feira. Durante as primeiras análises, a equipe técnica verificou que houve acesso a credenciais de usuários da rede.

O TJMT ressaltou, entretanto, que logins e senhas permanecem protegidos por criptografia.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Tribunal informou que, até o momento, não foram encontradas evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores ou magistrados, tampouco a decisões judiciais ou aos sistemas de backup.

Como medida preventiva, toda a infraestrutura tecnológica está passando por uma ampla varredura de segurança. As senhas dos usuários também estão sendo redefinidas.

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Suspeita envolve malote judiciário digital

Uma das linhas analisadas é de que o incidente possa ter ocorrido por meio de um malote judiciário digital encaminhado por um órgão oficial ao Tribunal.

A hipótese ainda está sob investigação e deverá ser analisada pelas equipes técnicas e policiais responsáveis pela apuração.

O Processo Judicial Eletrônico (PJe) e os demais sistemas do TJMT foram desligados preventivamente para evitar eventuais riscos adicionais.

Apesar da indisponibilidade, os sistemas já passam por testes para que o restabelecimento seja realizado de forma segura.

O Tribunal informou que as análises continuam sendo conduzidas por equipes especializadas, com apoio de parceiros técnicos.

“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, informou o TJMT.

Prazos processuais foram suspensos

Em razão da indisponibilidade dos sistemas, o Tribunal de Justiça prorrogou até esta sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais.

A medida alcança processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus.

Durante o período, permanecem indisponíveis serviços como:

  • peticionamento eletrônico;
  • consulta processual;
  • acesso a sistemas externos;
  • atendimento regular ao público;
  • sessões que dependam dos sistemas afetados.

Parte das sessões previstas para o período foi cancelada ou adiada.

A suspensão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.

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Serviços urgentes continuam funcionando

Apesar da paralisação dos sistemas, o Judiciário informou que permanecerão mantidos os serviços essenciais, atividades consideradas urgentes e o plantão judiciário.

A suspensão também não se aplica às unidades com competência em execução penal.

Esses processos continuarão tramitando normalmente pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), justamente para evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade.

Segundo a portaria, a manutenção dessas atividades busca garantir a continuidade de decisões urgentes mesmo durante o período de indisponibilidade da estrutura tecnológica principal.

Investigação busca identificar origem e extensão do ataque

A partir do acionamento da Polícia Federal e da Polícia Civil, a investigação deverá buscar identificar a origem do incidente, eventual participação de terceiros e se houve tentativa de obtenção ou utilização indevida de informações.

Também será analisado o caminho utilizado para atingir os sistemas do Judiciário e a extensão real do comprometimento da rede.

Enquanto as investigações avançam, o Tribunal mantém os sistemas externos desligados como medida de precaução.

A expectativa é que a retomada ocorra somente depois que as equipes técnicas considerarem que o ambiente oferece condições adequadas de segurança.

O TJMT reforçou que, até o momento, não existem indícios de comprometimento dos backups nem de utilização indevida dos dados relacionados ao incidente, mas as análises continuam em andamento.

 

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