É Direito
TRE anula decisão e manda investigar suposta compra de votos em MT

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) determinou, por unanimidade, a reabertura de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura irregularidades na campanha de 2024 em Barra do Bugres. A ação investiga o ex-candidato a prefeito Luiz Carlos Sansão e seu vice, Raimundo Nonato, por suposto pagamento de cabos eleitorais com “dinheiro vivo” na véspera da eleição.
O processo havia sido extinto em primeira instância por falta de provas, mas o tribunal entendeu que os áudios e vídeos apresentados são suficientes para que o caso seja processado e as testemunhas ouvidas.
Áudios Sugerem “Operação Abafa”
O relator do caso, juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, destacou trechos de áudios que indicam uma tentativa de ocultar os pagamentos após a presença da polícia na casa de um coordenador de campanha.
As conversas gravadas revelam orientações comprometedoras:
Silêncio Forçado: “Avisa que não é pra falar… vai dar cassação se eles falarem que receberam hoje”.
Versão Combinada: Uma mensagem orientava os apoiadores a dizerem que foram ao local apenas conferir comprovantes de Pix, negando o recebimento de dinheiro em espécie.
Queima de Arquivo: “Apaga esses áudios aí, de pagamento, apaga aí”.
Produção de Provas
Diferente do juiz da 13ª Zona Eleitoral, que considerou as alegações “meras suposições”, o TRE-MT reforçou que a fase de instrução serve justamente para validar essas provas. A coligação autora da denúncia solicitou a oitiva de policiais que estiveram no local e de testemunhas que teriam visto pessoas saindo da casa do coordenador com sacolas e dinheiro nas mãos.
Com a decisão, a sentença anterior foi anulada e o processo retorna para a primeira instância para o seu “regular processamento”, o que pode resultar em sanções eleitorais caso as irregularidades sejam confirmadas.
Fonte Folhamax
É Direito
TRE-MT não vê perseguição e mantém filiação de vereadora de Diamantino ao União Brasil

O juiz-membro Luis Otávio Pereira Marques, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), negou liminar à vereadora por Diamantino, Monnize Costa (União Brasil) que pediu a desfiliação da sigla por justa causa, alegando perseguição política.
A decisão é do dia 19 de março e foi tomada uma ação de justificação de desfiliação partidária impetrada junto ao TRE-MT.
Costa alegou ao TRE que vem sendo perseguida por lideranças do União Brasil em Diamantino, mas os argumentos não conceram o juiz.
Monnize é filha do ex-secretário de Estado, Eder Moraes, envolvido na Operação Ararath.
“Primeiramente, é necessário distinguir a atuação individual de filiados, também detentores de mandato eletivo, do posicionamento institucional da agremiação partidária. Eventuais manifestações ou antagonismos no âmbito de disputas político-eleitorais, sobretudo quando vinculados a processos judiciais em curso, inserem-se no campo do dissenso político e não refletem, necessariamente, discriminação grave do partido apta a justificar a desfiliação por justa causa”, destacou o juiz-membro.
“Admitir que divergências ou hostilidades entre correligionários configurem discriminação partidária equivaleria a transformar conflitos políticos internos, próprios da atividade democrática, em fundamento automático para desfiliação justificada, esvaziando a exigência legal de demonstração de ato institucional grave imputável à agremiação. Nessa perspectiva, eventuais inconformismos ou tensões decorrentes da relação entre filiados deveriam, a priori, ser submetidos à apreciação dos órgãos internos da agremiação, a quem compete dirimir controvérsias dessa natureza”, completou o magistrado.
O juiz também descartou que a não-participação da vereadora em cargos de direção do partido configurem perseguição política.
“De igual modo, a alegação de ausência de participação da autora na composição dos órgãos diretivos do partido não configura, isoladamente, hipótese de grave discriminação pessoal. Trata-se, em regra, de escolha política interna corporis, submetida à autonomia partidária, não sendo possível inferir, de forma imediata, qualquer tratamento discriminatório pessoal apto a ensejar a ruptura justificada do vínculo partidário”, argumentou o juiz na decisão que indeferiu a antecipação de tutela.
O juiz Luis Otávio Pereira Marques também negou o pedido para que a ação tramitasse em segredo de Justiça.
O magistrado determinou a citação do União Brasil de Diamantino para responder à ação em cinco dias. Depois, o caso deve ser analisado pela Procuradoria Regional Eleitoral. Depois disso, o mérito deverá ser julgado pelo plenário do TRE-MT.
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