Cidades
Índios são treinados para atuar em combate a queimadas em MT, mas não recebem equipamentos de proteção
Indígenas da etnia Bororo foram treinados para atuarem nas queimadas em Mato Grosso. No entanto, os índios não receberam equipamentos de proteção por falta de recursos. O curso foi oferecido na semana passada pelo Corpo de Bombeiros na aldeia Tadarimana em Rondonópolis, a 218 km de Cuiabá.
A aldeia é a mesma que foi atingida por um incêndio que destruiu 60% da terra indígena no ano de 2017. Naquele ano, parte dos índios deixou a área por causa da destruição.
Jolimar Bapo vive na aldeia com a família e está preocupado caso ocorra algum incêndio. A aldeia fica longe da cidade e não conta com um veículo para ajudar no combate as queimadas.
Ele e outros 17 indígenas se inscreveram como brigadistas. O treinamento foi realizado pelos bombeiros em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente do Município e a Fundação Nacional do Índio (Funai).
Além das orientações, eles receberam equipamentos como abafadores e bombas de água. Os materiais são usados e seria necessário a compra de equipamentos novos.
Também foi inaugurada na aldeia central uma seção contra incêndios.
O tenente do Corpo de Bombeiros, Roberto Coelho, explicou que a aldeia não tem recursos e conta com a ajuda de órgãos, ONGs e entidades interessadas, como Prefeitura de Rondonópolis, Juizado Volante Ambiental (Juvam), Funai e outros.
“É a quarta oportunidade que os bombeiros têm de fazer o treinamento. A gente preocupa em reunir os índios e torná-los mais responsáveis. E esses índios estão no local e, em caso de incêndio, a chegada deles é bem mais rápida do que a gente”, comentou.
Atualmente 750 indígenas bororo vivem na reserva, que é composta por sete aldeias
A principal preocupação é com a mata que envolve a reserva, já que são mais de 9,7 mil hectares e a vegetação está muito seca por causa do tempo. É um cenário bastante parecido com o de 2017, quando ocorreu aqui um dos maiores incêndios da história da aldeia.
Na época, os bombeiros demoraram mais de 30 horas para controlar o fogo.
“Estamos preocupados com o fogo na reserva. De uns 10 anos pra cá a gente está lutando para que não se repita igual”, disse Bosco Arquimedes, cacique da aldeia.
A dificuldade é grande. Faltam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e um trator para auxiliar no combate ao fogo. Segundo o tenente, um relatório foi enviado ao Ministério Público informando que no treinamento, apenas 30% da capacidade preventiva foi realizada.
“A gente espera que esses EPIs cheguem. Os índios estão fazendo a capacitação, mas não receberam o material necessário como calçado, camiseta com manga cumprida, boné, máscara e óculos. Nos preocupamos em um combate que alguém se machuque.
Os outros 70% dependem de mais estrutura e investimentos.
“Aqui na aldeia está sem o recurso principal, que é o trator que faz o aceiro preventivo e também que leva água. Esse trator está quebrado e com problemas”, completou o bombeiro.
A coordenadora da Funai em Rondonópolis diz que aguarda investimentos e recursos.
“Estamos trabalhando com poucos recursos, não tá sendo fácil. Fazemos parceria com os órgãos, como bombeiros e Ibama. A gente desenvolve um trabalho mais ou menos”, declarou Ana Clara de Oliveira.
A reportagem entrou em contato com a prefeitura para saber sobre esse trator que tá parado, mas não obteve resposta.
G1
Cidades
“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.
Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.
“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.
“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.
Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.
“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.
Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.
Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.
Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.
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