Agro Notícias
Mato Grosso alcança 99,80% de vacinação do rebanho bovino
De acordo com o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea-MT), durante a segunda etapa de vacinação contra a febre aftosa, realizada em novembro de 2018, foram vacinados 13.980.631 de bovinos e bubalinos, 99,80% dos animais envolvidos na etapa.
Durante a campanha foram imunizados animais de até 24 meses e os de todas as idades das propriedades localizadas no baixo pantanal mato-grossense.
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) preconiza que durante as campanhas de vacinação, os órgãos de defesa fiscalizem no mínimo 2% do total das propriedades. Segundo a presidente do Indea, Daniella Bueno, a atuação da autarquia foi superior.
“Nossas equipes estiveram presentes em 2,44% das propriedades. Realizamos mais de 500 mil vistorias nos animais durante a etapa de vacinação, o que demonstra a nossa força de trabalho nas propriedades rurais durante a campanha”.
Para o superintendente Federal de Agricultura em Mato Grosso (SFA-MT) José de Assis Guaresqui, os índices de vacinação acima de 99% representam o esforço da cadeia produtiva.
“A cada etapa de vacinação vemos o crescimento do rebanho e o aumento da produção. Isso mostra que não só os controles de febre aftosa e outras doenças, o produtor também intensificado o manejo, e empregado tecnologia na produção. Também é preciso reconhecer os órgãos que fazem esse controle quem tem acompanhado e zelado pela sanidade do rebanho mato-grossense”.
A última ocorrência de febre aftosa em Mato Grosso foi registrada em 16 de janeiro de 1996. E desde o ano 2000, o estado é reconhecido internacionalmente pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como livre de febre aftosa com vacinação.
Para alcançar esse status, foi necessário unir forças de todos os agentes da cadeia produtiva e muito trabalho.
O diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Antônio Carlos Carvalho de Sousa, destacou a parceria do setor produtivo e o serviço oficial.
“O resultado da campanha reflete o bom relacionamento entre os atores envolvidos na cadeia produtiva, produtores rurais, médicos veterinários autônomos, Indea e Ministério da Agricultura, que estão no dia a dia das propriedades levando orientação e conhecimento. É um índice bastante elevado, graças ao empenho e a dedicação de todos os produtores”.
Para o diretor da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco de Sales Manzi, 2019 é um ano histórico para o setor. “Completamos 23 anos sem registros de caso de febre aftosa no estado, e já vamos iniciar a retirada da vacina. Diante disso, destaco a importância que tem o fortalecimento do Indea. Mato Grosso é um estado com uma extensa fronteira e possui o maior rebanho bovino do país, com mais de 30 milhões de cabeças, um patrimônio próximo de R$ 40 bilhões, e que pode sofrer impactos econômicos se tivermos doenças que comprometam diretamente as exportações como é o caso da febre aftosa. O Indea tem que ser visto pelo Governo do Estado como um órgão estratégico, fundamental, uma vez que, certifica toda a produção agropecuária do estado”.
O presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Guilherme Nolasco, ressaltou o trabalho desenvolvido pelo Indea e que impactará diretamente na abertura de novos mercados para a carne produzida no estado.
“O Indea consegue manter a excelência em seu trabalho, isso demonstra que mesmo na adversidade a instituição está sempre se reinventando, com o apoio dos fundos privados sempre contribuindo e fortalecendo as ações de defesa. A retirada da vacinação será um marco histórico e vem de encontro à responsabilidade do estado perante o órgão de defesa sanitária, com ações de vigilância ativa, o fortalecimento da fiscalização. Ao mesmo tempo em que Mato Grosso será o grande responsável pelas exportações de carne para a China”.
Para quem deixou de vacinar o rebanho dentro do período da campanha a multa é de 1 UPF (Unidade Padrão de Fiscal) por cabeça de gado não vacinado. Já quem deixou de comunicar a vacinação ao Indea fica impossibilitado de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA) por um período mínimo de 30 dias.
Estiveram presentes representantes da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), o coordenador de Cadeias Produtivas da Pecuária (Sedec), Victor Fazinga, a representante do conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MT), Milene Vidotti, e o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues.
Plano Estratégico
A partir deste ano mudanças devem ser implantadas na execução da vacinação contra a febre aftosa. Uma delas é a retirada do vírus “C” da composição da vacina e quanto a dosagem, que será reduzida de 5 mililitros para 2 mililitros. Um dos principais objetivos na mudança é a redução de reações nos locais de aplicação da vacina.
Cerca de 1% do rebanho de MT irá fazer a última vacinação contra a febre aftosa, em maio de 2019. Rondolândia, parte de Colniza, algumas propriedades de Comodoro, Juína e de Aripuanã, irão compor a zona livre de febre aftosa sem vacinação junto com os estados do Bloco I (Acre e Rondônia).
Mato Grosso integra o Bloco V do Plano Estratégico da Febre Aftosa, que incluem Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraná, que devem realizar a última vacinação em maio de 2021. Santa Catarina pertence ao mesmo bloco, porém é a única unidade da federação que já é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como área livre de febre aftosa sem vacinação, desde 2007.
Midia News
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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