Agro Notícias
Impedimento de licenciamento ambiental pode atrasar construção de ferrovias e rodovias de MT
As lideranças políticas de Mato Grosso cumpriram diversas agendas importantes essa semana em Brasília. A principal delas diz respeito à expansão da malha ferroviária e a duplicação da BR-163 (trecho do Posto Gil à Sinop). A rodovia já é concessionada para a Rota Oeste e segue imbróglio jurídico junto à AGU pela caducidade do contrato ou renovação da concessão.
“Na verdade a questão da 163 depende da renovação da concessão ou de um novo contrato de cura. Isso deve sair até fim do ano e esperamos resolver logo, pois é por esse trecho que passa a economia do Brasil”, disse o deputado federal Neri Geller (PP).
Os avanços realizados pelo Governo Jair Bolsonaro nas áreas de infraestrutura e logística, sob a condução do Ministro Tarcísio, responsável pela pasta, têm gerado a expectativa de se revolucionar a capacidade de produção e exportação, tornando o Brasil mais competitivo no cenário internacional, sendo que todas as mudanças, aprimoramento e ampliação de malha férrea e rodoviária, dependem da aprovação de licenças ambientais e isso levou os parlamentares e ministros a discutirem a importância da aprovação do projeto (PL 3729/2004) sob relatoria do federal paulista Kim Kataguiri.
Entre elas está a liberação de trechos para passar a Ferrogrão e a Ferronorte. São trechos que ligam Rondonópolis a Lucas de Rio Verde, mas que precisam de liberação ambiental para poder ter andamento e início da nova fase das obras.
Conforme noticiado pelas mídias nacionais, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, tem sofrido pressão de ONG´s ambientais, além de diversos países Europeus, para que o licenciamento ambiental não seja pautado, fato que preocupa o setor do agro, já que ele tem sido o grande responsável pela manutenção da economia brasileira nessa grave crise mundial causada pelo Covid-19.
A aprovação do licenciamento ambiental gera a expectativa de simplificação e agilidade para a aprovação de licenças que são necessárias, inclusive, para a manutenção de rodovias, representando grande impacto na vida dos brasileiros.
“O deputado Rodrigo Maia precisa colocar pra votação. O presidente Bolsonaro já disse que precisa dessa aprovação para liberar obras. Então daqui pra frente é política. Esperamos uma reunião com as lideranças na próxima semana para poder falar com o relator, deputado Kim, para novamente explicar o quão importante é esse relatório para o Brasil e principalmente para Mato Grosso”, comentou Neri.
O ponto de preocupação é a intenção do relator, que é declaradamente opositor do governo Jair Bolsonaro, de trazer para o texto portarias que dificultem ainda mais a produção de pequenas propriedades concedidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA em Mato Grosso, já que, em alguns casos, há a necessidade de preservação de quase 80% da vegetação nativa, impondo multas altíssimas que culminam na perda da propriedade.
Outro ponto levantado por Neri é a liberação do licenciamento ambiental da Rodovia 242, que liga Sorriso a Querência, no Araguaia. No trecho dessa rodovia existem algumas aldeias indígenas e isso impede a continuidade dos trabalhos. “Com a liberação ambiental, a obra passará por fora do trecho e assim levará mais desenvolvimento, tanto para Sorriso quanto para o Araguaia. Queremos muito desenvolvimento, mas precisamos do empenho de todos”, concluiu o líder da bancada federal de Mato Grosso em Brasília.
“Estamos falando de propriedades de 80, 100 hectares, que conferem subsistência ao produtor e se encontram ameaçadas. Veja o caso da cidade de Querência, onde algumas terras já foram cedidas há dezenas de anos, são produtivas e caso esse texto seja aprovado da forma como está o agricultor, além de perder a propriedade, estaria milionariamente endividado. E acima de tudo a população perderia investimentos”, disse um dos parlamentares que esteve presente em uma reunião em Brasília para poder definir o trato com os investimentos para o estado.
OlharDireto
Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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