Saúde
Zika causa danos neurológicos também em adultos, aponta estudo
O vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, foi responsável por cerca de 5 mil casos suspeitos de Síndrome Congênita do Zika no Brasil apenas entre 2015 e 2016, infectando células cerebrais ainda em desenvolvimento no útero materno e causando microcefalia em bebês. Mas, até há pouco, acreditava-se que os efeitos da infecção em adultos se limitassem a sintomas mais leves, como febre, dores musculares, erupção cutânea e dores de cabeça. Embora casos de danos neurológicos tenham sido identificados, o fenômeno e seus mecanismos foram pouco estudados.
Agora, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) confirmam que o vírus também consegue infectar – e se multiplicar em – cérebros adultos, atingindo neurônios mais maduros e provocando, em alguns casos, desde quadros temporários de confusão mental e dificuldade motora até problemas mais graves, de coma ou perda de memória.
Os pesquisadores ainda não sabem precisar qual a incidência desses problemas, ou seja, quantas pessoas infectadas pelo zika de fato podem ter prejuízos neurológicos, nem em qual proporção esses prejuízos são ou não permanentes. Por enquanto, acredita-se que os danos mais graves ocorram em uma minoria dos casos.
“Na maioria das vezes, o Zika causa aqueles sintomas leves que se resolvem logo, como a erupção cutânea”, explica à BBC News Brasil Claudia Pinto Figueiredo, coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da UFRJ e líder da pesquisa. “Mas em um número importante de casos – ainda não sabemos quantos, o que exigiria um estudo epidemiológico – o vírus causa complicações.”
“Um paciente saudável, que não tenha fatores de risco de desenvolver doenças neurológicas ou psiquiátricas, pode não desenvolver nada (nenhuma complicação). Mas um paciente que tem tendência a demência ou é mais idoso, por exemplo, pode desenvolver mais problemas. Isso torna muito difícil avaliar o que o vírus (é capaz de) causar e por quanto tempo.”
A pesquisa
Os pesquisadores da UFRJ (Figueiredo e os colegas Sérgio Ferreira e Andreia Da Poian) já haviam escutado de médicos relatos de pacientes adultos com complicações neurológicas após a infecção pelo Zika, mas isso ainda não havia sido colocado à prova em laboratório.
Para fazê-lo, coletaram tecidos cerebrais humanos de pacientes que se submetiam a cirurgias neurológicas no hospital da universidade.
Esses tecidos foram cultivados em laboratório e infectados pelo Zika. “Vimos que o vírus infectava os neurônios e se replicava, ou seja, produzia novas partículas virais”, prossegue Figueiredo.
Depois, os pesquisadores testaram o efeito do vírus em cérebros de camundongos, com conclusões semelhantes: a infecção causava um processo inflamatório no cérebro dos roedores e resultava na perda de sinapses – que é o processo em que os neurônios transmitem impulsos entre si. O Zika, aponta o estudo, se multiplicava principalmente em áreas relacionadas à memória e ao controle motor.
Nos roedores, os efeitos neurológicos atingiam seu pico seis dias após a infecção e praticamente desapareciam 60 dias depois. No entanto, o efeito em humanos pode ser mais duradouro, a depender de cada caso.
“A vida do camundongo é de dois anos, então 60 dias é muito tempo para eles, proporcionalmente”, diz Figueiredo.
Nova frente de pesquisa
As descobertas, afirma Figueiredo, abrem uma “nova frente de trabalho” relacionada aos estudos do Zika, que continua ativo no Brasil – foram registrados 2.344 prováveis casos de infecção pelo vírus entre janeiro e março deste ano, segundo o mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, datado de abril.
“(O efeito em adultos) não é o principal problema do Zika, considerando que a microcefalia em bebês foi algo devastador. E em adultos, não é uma maioria que vai desenvolver complicações. Mas (o objetivo) é ajudar a traçar novas políticas de saúde pública para avaliar melhor esses pacientes.”
Mais informações sobre esses impactos até então pouco conhecidos do Zika, diz ela, podem ajudar médicos a traçar diagnósticos neurológicos melhores e mais rápidos em pacientes que saibam que foram infectados pelo vírus, economizando custos de exames e tomografias.
Além disso, o estudo da UFRJ identificou que, em alguns casos, um medicamento anti-inflamatório – de nome genérico infliximab -, hoje usado no tratamento de artrite reumatoide, pode ajudar no tratamento de pacientes adultos com complicações neurológicas da zika, embora não em todos os casos.
Um grave problema futuro na busca para entender melhor os impactos do Zika, opina Figueiredo, é o anúncio do governo de cortes de 5,6 mil bolsas de pós-graduação da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
Bolsas do tipo serviram para garantir a conclusão da pesquisa recém-publicada – que teve financiamento também da Rede de Pesquisa em Zika, Chikungunya e Dengue no Estado do Rio de Janeiro e da Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa (Faperj) -, e sua ausência deve inviabilizar pesquisas futuras sobre o vírus.
“Bolsas são fundamentais para realizarmos pesquisas como esta. Não temos pesquisadores contratados, mas sim alunos bolsistas de pós-graduação da Capes coordenados por professores. Sem as bolsas, vai ser impossível fazer ciência”, diz ela.
BBC
Saúde
MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.
Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.
A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.
“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.
O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.
O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.
Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.
As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.
-
Polícia4 dias atrásHomem mata a mulher, usa o celular dela para pedir dinheiro à família da vítima e vai a bar beber, diz polícia
-
Cidades2 dias atrásMato Grosso deixa de destruir maquinários apreendidos e passa a destiná-los aos municípios
-
Esportes2 dias atrásLula revela consulta de Ancelotti: ‘Você acha que o Neymar deve ser convocado?’
-
É Direito4 dias atrásGilmar Mendes nega recurso e mantém pena de 22 anos a PM por assassinato a tiros em bar
-
Esportes2 dias atrásBMX de Nova Mutum realiza entrega oficial de bicicletas adquiridas através de recursos do MPMT
-
Golpe2 dias atrásMulher cai em golpe de cobrança de pedágio e perde R$ 77
-
Polícia4 dias atrásPM prende traficante e apreende drogas na casinha do cachorro
-
Mundo4 dias atrásTrump dá início ao bloqueio no Estreio de Ormuz e diz que vai “eliminar” qualquer navio que tentar passar






Você precisa estar logado para postar um comentário Login