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Saúde

Cuidar da boca dos idosos se torna prioridade em Israel

Tive a oportunidade de conversar com Vadim Perman num evento realizado em São Paulo. Diretor-geral adjunto de planejamento, orçamento e preços do Ministério da Saúde de Israel, já ocupou diversos cargos nos sete anos em que está no órgão, e hoje é responsável pela gestão orçamentária de hospitais governamentais e a regulação de preços no setor de saúde. O país tem uma população de apenas 9 milhões de pessoas, sendo que 11% acima de 65 anos, com uma expectativa de vida alta: 84 anos para as mulheres e 80.3 anos para os homens. A cobertura de saúde é universal, ou seja, todos têm direito ao sistema público e o foco, acertadamente, está na prevenção. Para ele, é fundamental garantir que os mais velhos permaneçam saudáveis e independentes: “até 2030, população idosa vai dobrar em relação a 2014, mas não teremos dobrado o número de médicos, enfermeiras, tampouco o orçamento”.

É aí que entra a iniciativa de oferecer atendimento dentário para os idosos acima de 75 anos – cerca de 430 mil. Em fevereiro, essas pessoas passaram a ter acesso à manutenção da saúde oral, o que inclui radiografias, extração, tratamento de canal e limpeza para combater a periodontite (doença das gengivas). A partir de outubro, quem tiver mais de 80 poderá fazer um tratamento completo. Não me refiro a providenciar dentaduras, e sim realizar implantes e o que mais for preciso para recuperar totalmente a boca. O governo estima que 50 mil sejam beneficiados no primeiro ano. Os custos ficarão entre 10 mil e 15 mil dólares por pessoa (algo entre 40 mil e 60 mil reais). Dos 430 mil acima dos 75, o governo acredita que metade necessite de cuidados, mas o projeto é mais ambicioso: o objetivo é alcançar todos acima de 65. Há limitações orçamentárias para implementar essa política, mas o primeiro passo está dado: o orçamento inicial de 70 milhões de dólares (280 milhões de reais) será aumentado para 110 milhões de dólares (440 milhões de reais) em 2021.

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A saúde da boca desempenha um papel crucial na longevidade dos indivíduos. Para começo de conversa, é determinante para a nossa autoestima e, consequentemente, ajuda a manter o convívio social e combater a solidão. Além disso, preservar os dentes garante uma nutrição melhor e ajuda na deglutição – o que diminui o risco de engasgos. Pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega, divulgaram, no começo do mês, estudo mostrando que doenças da gengiva estão relacionadas ao desenvolvimento da Doença de Alzheimer: as bactérias podem migrar para o cérebro e produzem uma proteína que destrói células nervosas. No início da semana, levantamento feito pela Queen´s University de Belfast relacionou uma saúde oral precária com o risco de surgimento de câncer de fígado.

Em 2004, cientistas descobriram a relação entre bactérias encontradas na boca e a ocorrência de pneumonia em pacientes internados em hospitais. De acordo com a Sociedade Americana de Geriatria, uma em cada dez mortes por pneumonia poderia ser evitada com higiene dental caprichada. Em 2017, outro levantamento relacionava a doença periodontal a câncer em mulheres mais velhas. Os pesquisadores acompanharam durante oito anos 65 mil mulheres, com idades variando entre 54 e 86 anos. Descobriram que aumentava o risco para câncer de esôfago e vesícula e, embora o exato mecanismo não tenha sido esclarecido, supõe-se que patógenos sejam engolidos com a saliva causando inflamação contínua em outros órgãos.

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Saúde

MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.

Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.

A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.

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“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.

O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.

Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.

O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.

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Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.

As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.

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