Saúde
Balanço aponta sucateamento da saúde pública de Mato Grosso
Após visitas a sete unidades de saúde pública de Mato Grosso, o deputado estadual Dr. Gimenez (PV) avalia que, de um modo geral, a estrutura de atendimento à população está sucateada e com profissionais trabalhando em condições precárias. Ele é um dos quatro médicos que integram a comissão de saúde da Assembleia Legislativa (ALMT).
Dr. Gimenez disse estar perplexo com a desativação de um setor inteiro de imagens do Centro de Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade (Cermac), localizado no centro de Cuiabá. A constatação ocorreu durante uma inspeção realizada na manhã desta terça-feira (04), juntamente com os demais parlamentares da comissão e a equipe de direção.
“O cidadão fica desassistido e tem que migrar para outras instituições para a realização de exames como raio-X e ultrassonografia, ou ficar sem tratamento. A situação compromete acompanhamento a doenças graves, como a tuberculose”, pontua o deputado que atua há 41 anos como médico da família.
Sem manutenção adequada há pelo menos 16 anos, o centro de referência tem vários setores funcionando parcialmente ou fechados. Também apresenta problemas estruturais no pátio, no teto e nas paredes, com gambiarras de energia elétrica expostas em várias salas e corredores. Em razão dos problemas, profissionais tiveram que migrar para outros setores ou unidades.
O problema mais crítico, na avaliação do parlamentar, é encontrar médicos especialistas altamente qualificados subaproveitados pelo Estado. Eles são necessários na saúde pública para o atendimento a uma demanda crescente de pacientes em áreas como dermatologia, hematologia, DST/Aids e pneumologia.
“A tendência é que situação fique ainda mais crítica porque do quadro de 31 médicos especialistas, 12 estão em vias de se aposentar, o que vai emperrar ainda mais o funcionamento da saúde estadual, que não tem concurso público para contratação de especialistas há mais de 17 anos. Ver tudo isso de perto é muito deprimente”, desabafa o deputado.
A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, que possui quatro médicos de especialidades diferentes e de várias regiões do Estado, também já visitou a rede estadual de saúde em Cáceres, Barra do Bugres, Água Boa, Rondonópolis, Várzea Grande e Hospital Adauto Bolheto, em Cuiabá.
O objetivo das visitas é construir política de saúde pública junto com o governo do Estado, gerando alternativas mais eficientes e humanizadas. “Nós verificamos que o atendimento melhorou muito nos locais onde o Estado voltou a administrar e queremos essa mesma atenção com as demais unidades, afinal, o cidadão paga impostos e precisa de retorno desse investimento, sobretudo na saúde, que é uma área prioritária”, avalia Dr. Gimenez.
Cenário MT
Saúde
MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.
Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.
A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.
“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.
O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.
O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.
Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.
As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.
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