Política
Presidência reforça segurança na portaria do Alvorada após Bolsonaro criar nova rotina
Pouco antes das 9h da última terça-feira (30), um grupo com cerca de 10 simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro se misturava a jornalistas que cobrem a rotina do Executivo federal em uma fila diante da guarita principal do Palácio da Alvorada.
A aglomeração era para conseguir passar pelo detector de metais instalado na entrada externa da residência oficial da Presidência da República.
O procedimento de segurança é uma das novidades na rotina diária imposta a visitantes e profissionais da imprensa para que eles se aproximem do palácio.
A passagem pelo pórtico do detector de metais passou a ser regra nas últimas semanas para quem quer tentar conversar, filmar, fotografar ou entrevistar o presidente da República em uma das corriqueiras paradas de Bolsonaro quando entra ou sai do Alvorada.
Em meio às paradas na guarita, de manhã e à noite, o presidente gerou algumas das principais polêmicas do governo no mês passado.
Foi lá, sob a sombra da mangueira enraizada na entrada da residência oficial, que ele colocou a prêmio a “cabeça” do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enalteceu o que entende como qualificações do filho Eduardo Bolsonaro para assumir o comando da embaixada do Brasil nos EUA e provocou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao afirmar que sabia como o pai de Felipe Santa Cruz desapareceu durante a ditadura militar.
Antes de falar com os repórteres nas paradas diárias no portão de entrada do Alvorada, Bolsonaro cumpre outra liturgia que ele transformou em nova rotina presidencial: fazer corpo a corpo com visitantes que se aglomeram próximo aos portões da residência oficial para tentar falar pessoalmente com o presidente.
Com parte do corpo estendido sobre uma grade de contenção, ele cumprimenta um a um os apoiadores que fazem vigília no Palácio da Alvorada para vê-lo. Posa para fotos, selfies e vídeos.
Segurança reforçada
A interação do presidente da República com o público que visita o Alvorada exigiu reforço nos procedimentos de segurança.
Para impedir eventuais ações contra Bolsonaro – como o atentado que quase o matou durante um ato de campanha no ano passado –, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) mantém, pelo menos, quatro seguranças colados ao corpo do presidente durante as conversas com visitantes.
Enquanto Bolsonaro conversa com os apoiadores, os agentes ficam atentos a qualquer movimento ou gesto incomum dos visitantes.
Em uma oportunidade, um turista gerou apreensão ao aparecer no portão do Alvorada carregando um arpão. Disse que queria dar de presente ao presidente da República.
Os cuidados com a segurança do presidente nessa nova rotina, contam assessores palacianos, deixam os integrantes da GSI em alerta porque Bolsonaro ignora pedidos para reduzir a exposição em locais públicos.
O G1 questionou ao Gabinete de Segurança Institucional qual é o número de profissionais envolvidos na proteção do presidente, mas a pasta comandada pelo ministro Augusto Heleno – um dos mais próximos auxiliares de Bolsonaro – informou somente que, por questões de segurança, não pode informar detalhes sobre o esquema.
Nesta última semana, de segunda a sexta-feira, entre 8h e 9h20, antes de fazer o trajeto de cerca de quatro quilômetros do Alvorada até o Palácio do Planalto, o presidente parou na guarita da residência oficial para conversar com simpatizantes e jornalistas.
O comboio presidencial que faz o deslocamento da residência oficial até o Planalto é composto, geralmente, por três carros pretos modelo sedan e mais uma ambulância. Eventualmente, chega a cinco sedans.
Antes de Bolsonaro sair do Alvorada, um desses carros dispara na frente, como um precursor. O carro oficial com seguranças cruza o portão central da residência e estaciona cerca de 50 metros à frente. O veículo da equipe do GSI fica parado, de prontidão, até Bolsonaro decidir partir, em direção ao Palácio do Planalto.
O carro oficial que transporta Jair Bolsonaro costuma estacionar ao lado do gradil no qual visitantes e jornalistas se posicionam para tentar conversar com o presidente. No momento em que o veículo para, os seguranças descem rapidamente e um deles abre a porta para Bolsonaro.
Para organizar o fluxo de visitantes e jornalistas, a segurança da Presidência instalou um cercado na calçada em frente ao portão central do Palácio da Alvorada, com uma divisória que separa a imprensa dos apoiadores do presidente. Quando Bolsonaro desembarca, todos são obrigados a ficar na área cercada.
No início do governo, os turistas conseguiam cercar o presidente nas ocasiões em que Bolsonaro decidia descer do carro para falar com os eleitores. À época, só jornalistas tinham que ficar atrás do gradil. Porém, ultimamente, com o aumento do volume de visitantes, o GSI determinou que todos têm de ficar no espaço cercado.
Além disso, a segurança do Alvorada tem alertado visitantes, repórteres, fotógrafos e cinegrafistas com antecedência de meia hora quando o presidente está para deixar a residência oficial.
A intenção é de que todos se organizem para passar pelo detector de metais antes da chegada de Bolsonaro.
Quase sempre, a movimentação do presidente gera gritaria por parte de seus apoiadores. Não é raro recebê-lo na guarita da residência oficial aos gritos de “mito”.
Recentemente, um dos ajudantes de ordens do presidente – que é um militar da ativa – passou a descer do carro oficial com um celular em mãos transmitindo ao vivo, por uma rede social, o momento em que Bolsonaro se aproxima dos populares e registrando a interação dele com o público.
A aglomeração de apoiadores do presidente diante da residência oficial cresceu gradualmente à medida em que Bolsonaro começou a fazer as paradas na frente do Alvorada.
O número de simpatizantes do presidente nos portões da residência é maior nos finais de semana, mas mesmo entre segunda e sexta-feira é comum o movimento de adultos – muitos deles com crianças e até bebês – e idosos na entrada do Alvorada.
Neste governo, se tornou comum visitantes circularem nas imediações do Alvorada vestindo a camisa da seleção brasileira e carregando a bandeira do Brasil.
Nas conversas com os visitantes, o presidente fala com bastante informalidade, fazendo piadas e até colocando apelidos nos interlocutores, que vêm de todas as regiões do país.
Em uma das paradas recentes, ao ouvir que o turista era de Santa Catarina, Bolsonaro disparou aos risos: “Barriga verde!”
Na última semana, o presidente arriscou um gracejo com uma senhora loira que estava em meio aos turistas, questionando em voz alta quem era a visitante “elegante”. Prontamente, um homem levantou a mão e, aos risos, afirmou: “É minha!”
Um dos integrantes do grupo de turistas que estava em frente ao Alvorada na última terça-feira, ao cumprimentar o presidente, disse entusiasmado: “Eu sou o do cabelão. Lembra do cabelão?”
Bolsonaro, com olhar de quem estava tentando buscar na memória quem era o interlocutor enquanto estendia a mão para cumprimentá-lo, respondeu: “Cabeludo. Tudo bem, cabeludo?”
O novo hábito de parar para falar com eleitores também provocou momentos de irritação. No mês passado, apoiadores esperaram por Bolsonaro aos gritos de “autistas no censo”, para pressioná-lo a sancionar a lei que incluiu levantamento sobre autismo no censo de 2020. O presidente não escondeu a insatisfação com o protesto.
“Não vou parar mais aqui enquanto tiver protesto, não vou parar. Porque, se eu estou discutindo o assunto com fundamento, com razão, o pessoal quer impor uma questão”, resmungou Bolsonaro, que no final do dia acabou recuando e sancionou a lei.
A série de polêmicas que Jair Bolsonaro tem desencadeado nas últimas semanas nas entrevistas que concede diante da residência oficial levou auxiliares do presidente a recomendar o fim das paradas à porta do Alvorada. Mas ele já sinalizou que não pretende alterar a nova rotina.
G1 Política
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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