Agro Notícias
“Países concorrentes usam de mentiras para prejudicar o Brasil”
O governador Mauro Mendes (DEM) afirmou que nações concorrentes do Brasil no agronegócio tentam usar as queimadas para prejudicar a imagem do País junto aos compradores de commodities.
Mendes classificou que existe uma “guerra de imagem” encabeçada pelos principais países do agronegócio – como os Estados Unidos.
“Essa guerra de imagem internacional com nossos concorrentes faz com que pessoas mal intencionadas Mundo a fora utilizem de mentiras para tentar prejudicar o nosso País e o agronegócio brasileiro”, afirmou o governador.
“[…] E quando falamos em agronegócio brasileiro, falamos de Mato Grosso, que é o maior produtor de soja, milho, algodão e carne”, completou.
A declaração foi dada em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta terça-feira (8).
No ano passado, alguns países da Europa ameaçam não assinar o acordo de livre comércio com o Mercosul devido às queimadas na região Amazônica. Para Mendes, produtor e Estado não têm interesse nas queimadas.
“Ninguém tem interesse em queimadas. O produtor – quando queima uma palhada que fica na lavoura – tem prejuízo gigante. Nenhum produtor tem interesse em queimar nada, muito menos a pastagem. Agora, é muito lamentável que algumas pessoas façam isso de maneira criminosa”.
“O governo está apurando, identificando se é acidental ou proposital, e está aplicando o que determina a legislação brasileira. Nós não somos coniventes a nenhum tipo de incentivo e a nenhuma queimada. Elas podem ser feitas nos períodos corretos, mas não nesse período de seca e estiagem. Isso é combativo sistematicamente pelo Governo”, afirmou Mendes.
No agronegócio, é comum o uso de fogo para atividade de limpeza de pastagem. Ocorre que, devido à estiagem, até o dia 30 de setembro a prática está proibida no Estado.
Segundo Mendes, já foram aplicadas em mais de R$ 100 milhões em multas à pessoas que realizaram incêndio criminoso no Estado.
“O Estado tem sido implacável, nós aplicamos a multa que varia de R$ 1 mil a R$ 7 mil por hectare”, explicou.
MIDIA NEWS
Agro Notícias
União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.
Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.
Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.
As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.
A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.
A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.
Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.
A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.
Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.
Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.
Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.
Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.
Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.
A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.
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