Política
Maia diz que Bolsonaro deve conversar com quem ‘ainda está em dúvida’ sobre a reforma da Previdência
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quarta-feira (3) que o presidente Jair Bolsonaro deve conversar com “aqueles que ainda estão em dúvida” sobre a reforma da Previdência.
Maia deu a declaração quando foi questionado se iria se encontrar com o presidente Jair Bolsonaro para uma conversa. Na semana passada, a relação de Maia e Bolsonaro teve um desgaste, com trocas de declarações ásperas dos dois lados. Um dos motivos para o atrito foi a insatisfação de Maia com o que chamou de falta de articulação do governo em torno da reforma da Previdência.
Na madrugada desta quarta-feira, quando embarcava de volta ao Brasil depois de viagem oficial a Israel, Bolsonaro disse que jogaria “pesado” pela aprovação da reforma da Previdência. Ele mencionou um jantar na próxima sexta-feira (5), organizado pelo governador de São Paulo, João Dória (PSDB), ao qual Maia estaria presente.
O presidente da Câmara afirmou que, se for convidado, “é óbvio” que vai ao encontro de Bolsonaro.
“Olha, claro que, convidado pelo presidente, é óbvio que eu vou sempre conversar. Só digo que o assunto que ele quer conversar eu já estou defendendo. Então é importante ele construir a agenda com aqueles que ainda estão em dúvida”, afirmou Maia.
Maia foi questionado em seguida se tinha alguma resistência a se encontrar com Bolsonaro.
“De jeito nenhum. Acabei de dizer que, convidado, é óbvio que eu vou ao encontro do presidente. Só digo que, para tratar de Previdência, esse tema eu já defendo há muitos anos”, respondeu o presidente da Câmara.
Maia ainda afirmou que não foi convidado para nenhum encontro com Bolsonaro e ponderou que, na opinião dele, primeiro o presidente deve se reunir com partidos políticos.
Encontros com partidos
Nesta quinta-feira (4), Bolsonaro tem na agenda previsão de conversa com dirigentes de seis partidos: PRB, PSD, PSDB, PP, DEM e MDB.
Na semana que vem, ele deverá se reunir com mais cinco siglas.
De acordo com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a intenção é “abrir as portas” para a construção da base aliada do governo.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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