Política
Líder do governo diz que vai propor a Bolsonaro veto parcial do projeto sobre abuso de autoridade
O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), afirmou nesta segunda-feira (19) que vai propor ao presidente Jair Bolsonaro que vete cerca de 10 trechos do projeto sobre abuso de autoridade.
Vitor Hugo deu a declaração após se reunir em Brasília com alguns juízes, procuradores e policiais. Segundo ele, um documento deve ser entregue a Bolsonaro entre terça (20) e quarta-feira (21)
A proposta foi aprovada pelo Congresso na semana passada e define quais situações configuram o crime de abuso. O texto já está na Presidência e cabe a Bolsonaro sancionar, vetar parcialmente ou vetar a íntegra do texto.
“Nós não proporemos o veto total, nós vamos selecionar algo próximo de dez artigos que tenham o impacto de maior profundidade na atuação do maior número de instituições ligadas à repressão à criminalidade”, declarou Vitor Hugo.
Segundo o porta-voz de Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, o presidente vetará trechos da proposta. Ele não disse quais. Se confirmados, os vetos terão de ser analisados por deputados e senadores.
Mais cedo, nesta segunda-feira, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) afirmou defender o veto total ao projeto aprovado pelo Congresso. Filiada ao partido de Bolsonaro, a parlamentar argumentou que o texto pode colocar “em risco” a atuação de investigadores.
“Já estamos falando em apresentar um novo projeto, queremos que ele seja discutido pela ampla maioria dos parlamentares e que a sociedade saiba que estamos de olho e queremos, sim, coibir o abuso de autoridade, isso é primordial, mas sem botar em risco as operações”, declarou (veja no vídeo abaixo) – Vitor Hugo não quis comentar o posicionamento de Bia Kicis.
Também nesta segunda-feira (19), autoridades criticaram o projeto aprovado pelo Congresso Nacional.
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, por exemplo, afirmou que para “bem desempenhar” as atribuições previstas, juízes e procuradores têm o “livre exercício” garantido na Constituição.
“Instituições tíbias cujos membros estejam permanentemente ameaçados por uma normatividade excessiva ou vaga cumprem seu papel de modo hesitante no tocante a enfrentar poderosos, a coibir corrupção e o crime organizado”, declarou.
Além disso, o juiz Luiz Antonio Bonat, responsável pelos processos da Lava Jato no Paraná afirmou: “De uma maneira geral, ela [a lei] vem causar, sim, uma preocupação de que possa ser um óbice a uma investigação, não só à Lava Jato, mas qualquer espécie de investigação criminal”.
Pedidos de veto
Segundo Vitor Hugo, as categorias apresentaram como principais pedidos de veto:
- o trecho que prevê punição a quem submeter o preso ao uso de algemas quando estiver claro que não há resistência à prisão, ameaça de fuga ou risco à integridade física (pena de seis meses a dois anos de detenção);
- o trecho prevê pena de um a quatro anos de detenção a quem decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado de forma manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo.
Vitor Hugo disse ainda que as categorias são contrárias a trechos relacionados às prerrogativas dos advogados.
O que diz a proposta
Conforme o projeto aprovado pelo Congresso, passarão a configurar o crime de abuso de autoridade cerca de 30 situações, entre as quais:
- Obter prova em procedimento de investigação por meio ilícito (pena de um a quatro anos de detenção);
- Pedir a instauração de investigação contra pessoa mesmo sem indícios de prática de crime (pena de seis meses a dois anos de detenção);
- Divulgar gravação sem relação com as provas que a investigação pretende produzir, expondo a intimidade dos investigados (pena de um a quatro anos de detenção);
- Estender a investigação de forma injustificada (pena de seis meses a dois anos de detenção);
- Negar acesso ao investigado ou a seu advogado a inquérito ou outros procedimentos de investigação penal (pena de seis meses a dois anos);
- Decretar medida de privação da liberdade de forma expressamente contrária às situações previstas em lei (pena de um a quatro anos de detenção);
- Submeter preso ao uso de algemas quando estiver claro que não há resistência à prisão, ameaça de fuga ou risco à integridade física do preso (pena de seis meses a dois anos de detenção).
G1
Política
Lula e Flávio Bolsonaro participam de eventos em Mato Grosso no mesmo dia

Os dois principais candidatos à presidência deverão estar, no mesmo dia, em Mato Grosso. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) cumprirão agendas no estado no próximo dia 20.
Lula estará na inauguração do Terminal Ferroviário da Rumo, no entorno da BR-070, município de Dom Aquino. A solenidade marca a entrega da primeira etapa da ferrovia estadual que, quando pronta, ligará os municípios de Rondonópolis a Lucas do Rio Verde. A inauguração estava marcada para o próximo dia 19, mas foi alterada justamente para que Lula pudesse participar do evento.
O novo terminal terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano, ampliando a capacidade logística do Estado e reduzindo a dependência do transporte rodoviário. Apenas nesta primeira etapa foram investidos R$ 5 bilhões.
Já a vinda de Flávio foi confirmada pelo próprio senador, que participará de mais uma edição a Marcha para Jesus, evento voltado ao público evangélico, realizado em Cuiabá. Os organizadores do ato, que será realizado na tarde do dia 20, também confirmaram a presença de diversos políticos mato-grossenses de direita. (RD News)
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