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Tarifaço de Trump ameaça economia brasileira e põe Mato Grosso em alerta

O recente tarifaço de 50% imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre todos os produtos brasileiros que entram no mercado americano, representa um dos maiores desafios comerciais enfrentados pelo Brasil nas últimas décadas.

Estados como Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais estão entre os mais afetados, especialmente por serem grandes exportadores de commodities agrícolas e produtos industrializados. Trata-se de uma medida extrema, considerando que muitos desses produtos já enfrentavam uma tarifa média de cerca de 35%.

A decisão norte-americana tem potencial para afetar diretamente milhões de brasileiros, provocar a perda de milhares de empregos e desorganizar cadeias produtivas inteiras.
Produtos como café, carne bovina, suco de laranja, celulose, aço, calçados e até aeronaves estão no centro dessa crise. O Brasil é responsável por boa parte do abastecimento do mercado americano nesses setores e, com esse novo percentual, nossos produtos se tornam automaticamente menos competitivos.

Empresas como a Embraer, por exemplo, que dependem dos Estados Unidos para boa parte de suas receitas, estão em alerta máximo diante da possibilidade de cancelamentos de encomendas. No agronegócio, base da economia de estados como o Mato Grosso, os impactos são diretos e profundos, com produtores já estimando prejuízos bilionários.

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O cenário é preocupante. A medida já provocou a desvalorização do real, alta do dólar e instabilidade no mercado financeiro. Especialistas calculam uma possível queda no PIB brasileiro de até 0,4 ponto percentual, o que agravaria ainda mais o cenário econômico.

Em Mato Grosso, os efeitos podem ser ainda mais severos, já que grande parte das exportações é direcionada ao mercado externo, especialmente o americano. O risco é de paralisação de atividades, fechamento de postos de trabalho e retração de investimentos.

Diante disso, torna-se urgente uma reação diplomática firme e estratégica por parte do governo brasileiro. Não se trata apenas de defender os interesses de empresas, mas de proteger a soberania nacional. O empresariado brasileiro, que já enfrenta há décadas um ambiente de insegurança jurídica e altos encargos, não pode ser deixado à própria sorte em uma guerra comercial de proporções tão desequilibradas. A postura do governo deve ser de equilíbrio: buscando o diálogo com os Estados Unidos, mas deixando claro que o Brasil não aceitará medidas que prejudiquem sua economia de forma tão direta.

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Tenho um sentimento real de preocupação com as empresas brasileiras que geram empregos, desenvolvimento e riqueza para o país. São companhias que contribuem com exportações essenciais para a balança comercial brasileira e que agora se veem ameaçadas por uma medida unilateral e, ao que tudo indica, com forte conotação política. O Brasil precisa reagir com maturidade, com firmeza e com a serenidade necessária para preservar seu mercado e seu povo.
Agir em defesa do nosso empresariado é agir em defesa do Brasil. Essa não é apenas uma questão econômica — é uma questão de soberania nacional.

Ed Motta
Jornalista e diretor da TV Mutum

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Brasil

Brasileiro trabalhou 150 dias em 2026 apenas para pagar tributos, aponta estudo do IBPT

Carga tributária efetiva sobre renda, consumo e patrimônio dos brasileiros chegou a 41,1% em 2026, conforme levantamento

Os brasileiros precisaram trabalhar até o dia 30 de maio de 2026 apenas para pagar impostos, taxas e contribuições cobrados pelos governos federal, estaduais e municipais. É o que revela um levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). Pelo estudo, a carga tributária efetiva sobre a renda, o consumo e o patrimônio da população neste ano está em 41,10%.

Na prática, o percentual representa 150 dias do calendário dedicados exclusivamente ao pagamento de tributos. O resultado mantém o Brasil em um dos mais altos patamares de carga tributária das últimas décadas, conforme os dados do IBPT.

Os dados mostram que a tributação sobre os brasileiros cresceu de forma gradual desde o início dos anos 2000. Em 2003, a carga tributária efetiva era de 36,98%. Em 2007, passou para 40,01% e, desde então, permaneceu próxima ou acima da faixa dos 40%, atingindo 40,80% em 2021, 2022 e 2025.

Em nota, o Instituto destaca que o presidente-executivo do IBPT e um dos autores do estudo, João Eloi Olenike, avalia que o cenário é preocupante já que a elevada arrecadação não tem sido acompanhada pela percepção de melhorias nos serviços públicos.

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“Apesar da alta arrecadação, a população ainda não percebe um retorno proporcional em serviços públicos de qualidade”, salienta Olenike.

O estudo mostra, ainda, que a quantidade de dias trabalhados para pagar tributos praticamente dobrou nas últimas décadas. Em 1986, eram necessários 82 dias de trabalho para quitar a carga tributária. Em 1988, o número caiu para 73 dias, em contrapartida voltou a crescer e alcançou 130 dias em 2001. Segundo os dados, nos últimos 20 anos, os dias de trabalho para custear impostos permaneceram entre 140 e 150 dias.

Segundo o IBPT, hoje o brasileiro trabalha quase o dobro do que trabalhava na década de 1970 para cumprir suas obrigações tributárias.

Para chegar aos resultados por meio da análise comparativa, o estudo foi utilizado, para fins tributários, a faixa mensal de rendimento de até R$ 3.000,00 (classe baixa), de R$ 3.000,00 a R$ 10.000,00 (classe média) e acima de R$ 10.000,00 (classe alta).

Aumentos de impostos influenciaram resultado

A base de cálculo do levantamento abarca o período entre maio de 2025 e abril de 2026. O estudo inclui tributos federais, estaduais e municipais, como IRPF, INSS, ICMS, IPI, ISS, IPVA, IPTU, taxas diversas e contribuições.

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Entre os fatores que contribuíram para a manutenção da elevada carga tributária, o Instituto destaca mudanças como aumentos das alíquotas do ICMS em estados como Maranhão, Rio Grande do Norte e Piauí, além da ampliação da cobrança do ICMS sobre importações realizadas por meio do Programa Remessa Conforme, da Receita Federal.

O estudo também cita os efeitos da chamada “taxa das blusinhas”, que manteve a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Outro destaque entre os principais aumentos de tributação no período do estudo foi o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que impactou as operações de crédito empresarial, câmbio, previdência privada e seguros.

Também pesaram no cálculo a ampliação da tributação sobre apostas esportivas e jogos online, o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para fintechs e instituições financeiras, a elevação da alíquota do Imposto de Renda sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP) e o aumento do Imposto de Importação para alguns produtos de tecnologia.

IBPT

Fundado em 1992, o IBPT é uma entidade especializada em estudos sobre o sistema tributário brasileiro e atua na produção de pesquisas relacionadas à arrecadação e transparência fiscal.

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