Investigação Polícial
Empresa com sede em presídio: esquema milionário de fraude fiscal em comercialização de grãos era comandado da cadeia em MT

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da DEFAZ, revelou nesta terça-feira (3) um complexo esquema de sonegação fiscal que operava no setor de comercialização de grãos em Mato Grosso e tinha como uma de suas marcas mais emblemáticas o uso de empresas de fachada registradas em nome de presos e pessoas de baixa renda — incluindo uma companhia cuja sede constava oficialmente dentro de um presídio. Batizada de Operação CNPJ na Cela, a ação cumpriu ordens judiciais de busca e apreensão, além de medidas cautelares de suspensão de atividades, mas não localizou o principal investigado.
As apurações tiveram início após a Secretaria de Fazenda identificar um comportamento atípico no sistema fiscal: empresas recém-criadas passaram a emitir um volume elevado de notas fiscais em operações com grãos, incompatível com o porte, o histórico e a capacidade financeira declarada. O cruzamento de dados pelo setor de inteligência apontou que muitos dos sócios dessas empresas possuíam antecedentes criminais e, em alguns casos, estavam ou haviam estado recentemente no sistema penitenciário. Outros “proprietários” eram pessoas de baixa renda, sem qualquer condição econômica de movimentar os valores registrados — indícios clássicos do uso de laranjas para ocultar a autoria real das operações.
Segundo a Polícia Civil, o empresário Fabrício Campana é apontado como o principal articulador do esquema. De acordo com o delegado João Paulo Firpo, responsável pelo caso, o grupo criminoso era comandado a partir da Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Coeia, em Rondonópolis, período em que Fabrício esteve preso por estelionato. Mesmo recolhido, ele teria se valido do acesso a dados de outros detentos e de pessoas ligadas a eles para abrir empresas de fachada em seus nomes, registrando CPFs de presos e terceiros como sócios formais.
A investigação indica que o esquema contou com apoio técnico essencial de um contador, Marcelo Rodrigues de Arruda, que teve o exercício profissional suspenso por 180 dias por decisão judicial. Conforme a Polícia Civil, ele era responsável por estruturar e operacionalizar a abertura e a manutenção das empresas fictícias, conferindo aparência de legalidade às operações fraudulentas. Ao todo, 21 empresas tiveram as atividades suspensas por ordem da Justiça, todas identificadas como integrantes da engrenagem criminosa.
Um dos elementos que deu nome à operação chamou a atenção dos investigadores: uma das empresas usadas no esquema tinha como endereço oficial o próprio presídio de Rondonópolis, evidenciando, segundo a polícia, o grau de ousadia e de distorção do sistema cadastral explorado pelo grupo. As empresas surgiram, em sua maioria, no mesmo período em que Fabrício esteve recluso, o que reforça a tese de que a estrutura foi montada e expandida de dentro da unidade prisional.
Embora Fabrício Campana fosse o principal alvo das diligências, ele não foi encontrado em nenhum dos três endereços monitorados — residência, empresa e um imóvel em construção. Em janeiro, ele utilizava tornozeleira eletrônica em razão de outra decisão judicial, após prisão recente por estelionato, mas atualmente não é considerado foragido, já que os mandados cumpridos nesta terça-feira eram exclusivamente de busca e apreensão, sem ordem de prisão. A esposa do empresário, também investigada por suspeita de participação no esquema, igualmente não foi localizada, e sua identidade não foi divulgada.
Durante as buscas, os policiais apreenderam aproximadamente R$ 27 mil em dinheiro vivo em uma das residências ligadas ao núcleo familiar do investigado. Para a Polícia Civil, a posse de valores expressivos em espécie é um forte indicativo de recursos de origem ilícita, especialmente diante do histórico criminal de parte dos envolvidos. As investigações apontam que o grupo reunia pessoas com passagens por crimes como tráfico de drogas, roubo à mão armada e estelionato, além de indícios de ligação com facções criminosas, o que amplia o espectro das apurações sobre a origem do dinheiro.
O delegado João Paulo Firpo destacou que não houve prisões nesta fase da operação e que as principais medidas judiciais foram a suspensão das atividades do contador, a paralisação das empresas de fachada e as apreensões de documentos, dispositivos eletrônicos e valores em espécie. O material recolhido será analisado para aprofundar o rastreamento financeiro, identificar o real prejuízo causado aos cofres públicos e apurar a participação de outros envolvidos.
A Polícia Civil reforçou que as investigações continuam e não descartou novos desdobramentos, inclusive pedidos de prisão, a depender do avanço das análises técnicas. Para os investigadores, o caso expõe uma estrutura sofisticada de fraude fiscal, sustentada pela exploração de vulnerabilidades sociais e do sistema prisional, e acende um alerta sobre o uso de empresas fictícias no setor de grãos, um dos mais estratégicos da economia mato-grossense.
Investigação Polícial
Membros de facção criminosa são alvos de operação; contas bancárias foram bloqueadas em MT

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (15), a Operação Catalunha, para cumprimento de 20 mandados judiciais contra integrantes de facção criminosa instalada no município de Tangará da Serra.
Foram cumpridos 16 mandados de prisão preventiva, além de bloqueio de diversas contas bancárias utilizadas para movimentação e ocultação de valores oriundos do tráfico de drogas.
As ordens foram decretadas pelo Poder Judiciário da Comarca de Tangará da Serra, com parecer favorável do Grupo de Atuação Especializado no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra alvos na região do bairro Barcelona.
Durante os trabalhos de para cumprimento dos mandados os policiais civis apreenderam grande quantia em dinheiro e drogas, até o momento duas pessoas foram presas em flagrante delito.
A Operação Catalunha contou com a participação de 60 policiais civis, 15 viaturas e o apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (CIOPAER) reforçando a atuação integrada das forças de segurança no combate ao crime organizado.
A ação da Polícia Civil em Tangará da Serra faz parte de uma estratégia contínua de repressão qualificada, com foco na desarticulação de grupos criminosos e na responsabilização penal de seus integrantes.
Investigação
As diligências iniciaram em janeiro de 2026, conduzidas pela equipe de inteligência da Delegacia Regional e da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da 1ª Delegacia de Polícia de Tangará da Serra. O objetivo foi apurar a atuação de uma organização criminosa estruturada, voltada ao tráfico de drogas e à associação para o tráfico no município.
Ao longo das diligências foram reunidas provas robustas que demonstram a existência de um grupo com organização hierarquizada e divisão de tarefas bem definida, atuando de forma coordenada na prática dos crimes.
O avanço significativo das investigações ocorreu após o cumprimento de mandado de busca e apreensão ocorrido em dezembro de 2025. A partir dessa ação, os investigadores obtiveram elementos decisivos que permitiram identificar outros integrantes e aprofundar as apurações.
Os indícios apontaram que todos os alvos possuem envolvimento direto com o tráfico de drogas, desempenhando funções que vão desde a comercialização e logística até o financiamento e suporte operacional das atividades ilícitas.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados, medida que visa enfraquecer financeiramente a organização criminosa e interromper o fluxo de recursos provenientes do tráfico.
Para o delegado responsável pelo caso, Ivan Albuquerque, a operação representa um importante avanço no combate ao crime na região. “A operação desmantelou um grupo criminoso. É um avanço significativo no enfrentamento ao crime organizado. O tráfico de drogas não vai prosperar nesta região”, afirmou.
Renorcrim
A operação integra o planejamento estratégico da Operação Nacional da Renorcrim (Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas), que visa traças estratégicas de inteligência de combate de forma duradoura à organizações criminosas.
A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) e sua Diopi (Diretoria de Operações Integradas e Inteligência). A Rede articula as unidades especializadas das Polícias Civis de todo o país, promovendo uma resposta unificada e de alta precisão contra as estruturas do crime organizado.
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