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Para matar a saudade da Libertadores: Claudio Borghi, o “cara estranho” que levou o pequeno Argentinos Juniors ao topo da América

El Grafico

Em 8 de dezembro de 1985, no Estádio Nacional de Tóquio, os jogadores da Juventus recebem a Taça Intercotinental vestidos de vermelho. É uma forma de homenagem ao adversário, derrotado na série de pênaltis após um empate em 2 a 2 que até hoje é apontado como uma das decisões de maior qualidade técnica entre europeus e sul-americanos. A equipe em questão é o pequenino Argentinos Juniors, praticamente um clube de bairro de Buenos Aires, e o grande nome da partida, que do lado italiano contava com Platini e Laudrup, atende pelo nome de Claudio “El Bichi” Borghi, então com 21 anos.

Durante aquelas duas horas de futebol transatlântico, incluindo prorrogação, o meia-atacante que vestia a camisa 9, nascido e criado em uma zona pobre de Castelar, cidade a oeste da Grande Buenos Aires, desfilou pelo gramado castigado como se fosse um nome já consagrado da história do futebol. Elegante e com impressionante capacidade de driblar em velocidade, deu o passe para os dois gols do Bicho Colorado, que esteve a sete minutos da façanha planetária — Laudrup igualou tudo aos 37 da segunda etapa.

“Se jogar dez partidas como essa, será o novo Maradona”, disse um maravilhado Michel Platini, que definiu o catedrático rival também como uma espécie de “Picasso do futebol”. Parecia, de fato, que o desfile técnico diante de um dos times mais poderosos do mundo seria o despontar de uma carreira que marcaria época nos campos de ambos os hemisférios, mas na verdade a obra já estava próxima de ser concluída: o que aconteceu em solo oriental, na verdade, era o auge de Claudio Borghi.

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Também surgido nas categorias de base do Argentinos Juniors, El semillero del mundo, ele foi o primeiro “próximo Maradona” da história. Ambos inclusive foram companheiros nos primeiros dribles no bairro de La Paternal, zona residencial de Buenos Aires onde está sediado um dos maiores formadores do futebol argentino — Juan Pablo Sorín, Esteban Cambiasso, Fernando Redondo e Juan Román Riquelme também foram revelados ali.

E foi justamente a venda de Maradona que permitiu ao Bichito investir em uma equipe fortíssima, mesclando nomes importantes com as joias que lapidava em casa para viver, em meados dos anos 1980, a fase mais gloriosa de sua história. Treinado primeiro por Ángel Labruna, mítico nome de La Máquina do River Plarte nos anos 1940 (que inclusive faleceu enquanto comandava a equipe), e depois por Roberto Saporiti, a equipe venceu seu primeiro campeonato nacional em 1984 e repetiria o feito no anos seguinte. E fez isso goleando impiedosamente vários gigantes.

Com nomes como José Luis Pavoni, Mario Videla, Sergio Batista e Emilio Commisso, o Argentinos Juniors levava seu futebol de pasión y maravilla, baseado em posse de bola e ofensividade, para estrear em Libertadores em 1985. E naquela época já contava na casamata com José Yudica, treinador que foi o primeiro a conquistar campeonatos argentinos por três clubes diferentes — e não falamos aqui de River Plate ou Boca Juniors, mas de Argentinos Juniors, Newells Old Boys e Quilmes, que lhe deve seu único título até hoje. Em uma decisão que traria históricos resultados, Yudica delegou a Claudio Borghi definitiva titularidade e a camisa 9, após o goleador Pedro Pablo Pasculli ser transferido para Lecce, da Itália.

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Em sua primeira empreitada libertadora, o Bicho Colorado (apelido que, apesar de soar assustador, significa algo como JOANINHA ou cascudo) recebeu como duvidoso presente um grupo formado por Fuminense e Vasco, atuais campeão e vice do Brasil, além dos conterrâneos do Ferro Carril, na época um time temido que havia poucos anos tinha sido bicampeão argentino. Claudio Borghi não era um goleador de nascimento, mas se transformou em peça fundamental da equipe que jogava com dois pontas classicos.

Camisa colorada e número 9 às costas, ele marcou seis gols na campanha, incluindo dois na partida de desempate para definir o primeiro lugar na primeira fase (apenas um time avançava), uma emblemática vitória de 3 a 1 contra o Ferro Carril, além de atuações impressionantes contra os brasileiros — o Argentinos Juniors venceu Vasco e Fluminense no Maracanã, na sequência, e os jogadores, incrédulos e orgulhosos, desabavam em lágrimas no histórico gramado. Com 1,81m, Borghi conseguia ser veloz e resistir ao embate físico, fatores que, somados à sua invejável capacidade técnica, virava um inferno para os adversários. Era dono de um passe primoroso e uma jogada típica sua era a rabona (a jogada de letra), segundo ele apenas um recurso por nunca ter aprendido a chutar com a perna esquerda, como fala em ótima entrevista a El Grafico, em 2008.

GLOBO ESPORTE
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Brasil goleia Zâmbia por 6 a 1 e dá show na Arena Pantanal

A Seleção Brasileira Feminina voltou a golear no FIFA Series e venceu a Zâmbia por 6 a 1, nesta terça-feira (14), na Arena Pantanal, em Cuiabá. Com o resultado, o Brasil chega a duas vitórias em dois jogos e soma 11 gols marcados na competição.

Os gols da vitória foram marcados por Yasmim, Tainá Maranhão, Angelina, Raissa Bahia, Kerolin e Vitória Calhau. A zambiana Barbara Banda descontou.

O Brasil dominou a maior parte do primeiro tempo e criou várias chances com Thais Maranhão, Yasmim e Gio Garbelini, que chegou a marcar, mas teve o gol anulado por impedimento. Aos 22 minutos, a goleira Nali foi expulsa após tocar com a mão fora da área. Na cobrança da falta, Yasmim marcou um golaço e abriu o placar.

Mesmo com uma jogadora a mais, a Seleção seguiu pressionando, mas não ampliou antes do intervalo. A Zâmbia cresceu no fim da primeira etapa e chegou a empatar com Barbara Banda, mas o lance foi anulado por impedimento.

Na volta do intervalo, o Brasil manteve o ritmo ofensivo. Tainá Maranhão ampliou após receber cruzamento rasteiro e finalizar na segunda trave. Logo depois, em um contra-ataque, a Zâmbia diminuiu com Barbara Banda, que recebeu lançamento, superou a marcação e encobriu a goleira Lelê.

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A resposta brasileira foi imediata. Maranhão lançou Portilho, que foi derrubada na área. Angelina converteu o pênalti e fez o terceiro. O quarto gol saiu em cabeçada de Raissa Bahia, após cruzamento de Ludmila.

O quinto chegou com Kerolin, que aproveitou sobra na área e finalizou sem chances para a defesa. Já nos acréscimos, Vitória Calhau fechou a goleada ao converter mais um pênalti.

Com o resultado, a Seleção Brasileira segue invicta no torneio, após também vencer a Coreia do Sul por 5 a 1 na estreia.

O próximo compromisso será contra o Canadá, no sábado (18), às 21h30 (horário de Mato Grosso), novamente na Arena Pantanal, no encerramento do FIFA Series.

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