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Economia

Equipamentos entregues pelo Governo de MT beneficiam 95 produtoras familiares e reforçam autonomia financeira

A Associação Mato-grossense das Produtoras da Agricultura Familiar Diversificada (Ampafad), situada em São José dos Quatro Marcos, está recebendo um impulso do projeto Campo Sustentável, uma iniciativa da Secretaria Estadual de Agricultura Familiar (Seaf).

Ao todo, 95 produtoras de 14 comunidades rurais da região se dedicam ao cultivo de hortaliças, legumes e frutas, e encontraram na agricultura familiar não apenas uma fonte de renda estável, mas também um caminho para sua autonomia financeira.

A presidente da Associação, Marilene dos Reis Alves, destaca o impacto positivo dos equipamentos recebidos no desenvolvimento do trabalho das produtoras.

“A distribuição desses kits proporciona uma maior autonomia financeira para as produtoras, permitindo que elas gerenciem seus negócios de forma independente”, disse.

Sistema de irrigação por gotejamento é uma das mais utilizadas na agricultura familiar, por ser mais barata, e por utilizar menor quantidade de água – Créditos: Reprodução

Entre os recursos fornecidos pelo projeto 20 kits de irrigação, além de dois kits agrícolas compostos por roçadeira, motocultivador, adubadeira costal e perfurador de solo, e uma Fiat Strada, que têm possibilitado o cultivo e transporte de 47 tipos de produtos, incluindo melão, milho verde, acerola, berinjela, quiabo, abóbora e maxixe. Os kits agrícolas contam com recursos de emendas parlamentares.

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Inicialmente voltada para atividades de corte e costura, a Ampafad migrou para a agricultura familiar. Hoje, as produtoras têm contrato para o fornecimento da produção para famílias em situação de vulnerabilidade pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e para a merenda escolar pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), e recebem apoio técnico da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).

“É gratificante ver como esses investimentos estão gerando impactos positivos, não apenas na economia local, mas também na qualidade de vida dessas mulheres e suas famílias. Fortalecer a agricultura familiar é essencial para o desenvolvimento sustentável de nossa região”, afirmou o secretário de Agricultura Familiar de Mato Grosso, Luluca Ribeiro.

No ano passado, foram entregues 31 kits agrícolas para associações de pequenos produtores, beneficiando mais de 500 famílias. Para este ano, devem ser entregues 207 kits. O projeto Campo Sustentável tem por objetivo possibilitar aos pequenos produtores aumentarem a sua capacidade de produção.

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Economia

Etanol de milho amplia demanda e déficit do cereal pode saltar para 7,2 milhões de toneladas em 2026/27

Planta da Impasa em Nova Mutum – MT

O crescimento acelerado da indústria de etanol deverá aumentar a pressão sobre a oferta brasileira de milho na temporada 2026/27. Projeção preliminar da Datagro aponta que o déficit entre produção e demanda pode alcançar 7,2 milhões de toneladas, bem acima dos 2,7 milhões estimados para o ciclo anterior.

Embora a safra esteja concentrada principalmente em 2027, as primeiras estimativas já indicam um balanço mais apertado para o cereal. A consultoria manteve a produção brasileira projetada em 147,5 milhões de toneladas, aumento de 1,5% na comparação anual.

A demanda total, por sua vez, deverá crescer 4,5% e chegar a 154,7 milhões de toneladas. O avanço do consumo em ritmo superior ao da colheita explica a ampliação do déficit prevista para o período.

Etanol de milho lidera crescimento do consumo

A indústria de etanol aparece como o principal vetor de expansão da demanda doméstica. Segundo a Datagro, as usinas deverão processar 32,49 milhões de toneladas de milho em 2026/27, volume mais de 14% superior ao da temporada anterior.

“O déficit é muito puxado pelo incremento das usinas de etanol”, afirmou o analista Gabriel Bastos durante a Abertura de Safra Soja, Milho e Algodão, evento promovido pela Datagro em Goiás.

Atualmente, 33 usinas de etanol estão em funcionamento no Brasil. Considerando as unidades em construção e os projetos anunciados, a expectativa é de que esse número mais do que dobre nos próximos seis anos.

A expansão demonstra a consolidação do milho como matéria-prima estratégica para a produção de biocombustíveis, especialmente nas regiões com maior disponibilidade do cereal e possibilidade de operação industrial ao longo de todo o ano.

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Ração animal deve absorver 64,2 milhões de toneladas

O setor de alimentação animal continuará como o maior consumidor de milho no mercado interno. A previsão é de utilização de 64,2 milhões de toneladas na fabricação de rações em 2026/27, crescimento próximo de 4% sobre o ciclo anterior.

A demanda total estimada pela Datagro também inclui o milho destinado à produção de sementes, à alimentação humana e a outras atividades industriais.

Com o avanço simultâneo do etanol e da produção de proteína animal, a disputa pelo cereal deverá aumentar, exigindo maior coordenação entre produtores, indústrias e compradores.

Exportações brasileiras devem permanecer estáveis

Mesmo diante do crescimento do consumo doméstico, as exportações brasileiras de milho estão projetadas em 45 milhões de toneladas na temporada 2026/27, praticamente estáveis na comparação anual.

O Brasil vem ocupando a posição de segundo maior exportador mundial do cereal, atrás dos Estados Unidos. A manutenção dos embarques em patamar elevado, combinada ao avanço da demanda interna, tende a reforçar o aperto no balanço de oferta e consumo.

Estoques de milho podem cair para 8,9 milhões de toneladas

O déficit recorrente vem levando o mercado brasileiro a utilizar parte dos estoques acumulados em anos anteriores. Para o encerramento de 2026/27, em 31 de janeiro, a Datagro estima reservas finais de 8,9 milhões de toneladas.

O volume representa uma redução expressiva em relação aos 16,1 milhões de toneladas registrados ao fim da temporada 2024/25. A queda diminui a margem de segurança do país diante de eventuais perdas de produtividade, atrasos na colheita ou crescimento adicional do consumo.

Margens apertadas e crédito caro limitam expansão da safra

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A previsão de crescimento moderado da produção ocorre em um ambiente financeiro mais desafiador para os produtores rurais. As margens da atividade agrícola estão mais estreitas, enquanto o crédito permanece caro e com maior restrição de acesso.

Parte do setor também enfrenta dificuldades financeiras e aumento dos pedidos de recuperação judicial. Esse quadro pode limitar os investimentos em tecnologia, insumos e ampliação da área cultivada, reduzindo a capacidade de resposta da produção ao avanço da demanda.

Além dos fatores econômicos, o possível fortalecimento do fenômeno El Niño mantém o clima no centro das atenções para a safra 2026/27. Eventuais irregularidades nas chuvas podem afetar tanto o milho de verão quanto a segunda safra.

Déficit pode favorecer preços do milho ao produtor

Apesar das preocupações com a oferta, o balanço mais apertado poderá oferecer maior sustentação aos preços do milho no mercado brasileiro.

Para o head de Grãos da Datagro, Flávio França Júnior, a possibilidade de cotações mais remuneradoras representa um alívio para os produtores depois de um período marcado por custos elevados e margens comprimidas.

“Quando se fala em possível melhora de preço, é um alento”, afirmou o especialista. Segundo ele, o cenário permanece volátil, especialmente diante dos riscos relacionados ao El Niño, mas as perspectivas para os preços são mais favoráveis.

Com a demanda por etanol avançando em dois dígitos, exportações próximas de 45 milhões de toneladas e estoques em queda, o mercado brasileiro de milho deverá entrar em 2026/27 com menor disponibilidade. O equilíbrio dependerá do desempenho da safra, das condições climáticas e da capacidade dos produtores de ampliar a oferta em um ambiente de crédito restritivo.

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