Cidades
MT tem índice de homicídios superior a países em guerra, aponta pesquisa
Mais pessoas morreram em Mato Grosso do que em países com históricos de guerra civil, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (15) pelo Ministério da Justiça. Ao todo, o estado registrou 1.276 assassinatos no ano de 2014.
Com uma taxa de 39,6 homicídios a cada 100 mil habitantes, o estado ocupa o 1º lugar da região centro-oeste e a 4ª posição no ranking nacional, ficando atrás apenas de Sergipe (45,0), Ceará (46,9) e Pará (40).
Em países como o Congo, que possui histórico de guerra, e a Colômbia, que tem alto índice de assassinatos associados ao narcotráfico, os índices de assassinatos registrados são de 30,8 e 33,4 a cada 100 mil habitantes, respectivamente.
A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) alega que a instituição tem um efeito preventivo “muito pequeno” em relação aos crimes de homicídio, pois a maioria desses crimes ocorre por motivação passional ou por vingança.
Um dos casos registrados em 2014 foi o duplo homicídio no bairro Jardim Umuarama, em Cuiabá. Na ocasião, Poliana Alves e Luzinete Rodrigues foram mortas pelo ex-namorado de uma delas, que não aceitava o fim do relacionamento.
Conforme a pasta, a PM mapeia as “zonas quentes” e direciona o policiamento ostensivo para essas áreas, enquanto cabe à Polícia Civil o trabalho de investigação, identificação do criminoso e encaminhamento do caso à Justiça.
Os dados do Diagnóstico dos Homicídios no Brasil apontam que, em Mato Grosso, o município deVárzea Grande é quem mais concentra homicídios a cada 100 mil habitantes, com uma taxa de 84,7. Na sequência, aparecem Rondonópolis, com índice de 52,9, e Cuiabá, com taxa de 42,6 assassinatos.
Segundo o levantamento feito pela Polícia Civil, até 30 de setembro deste ano, Cuiabá teve 172 homicídios – dois a menos do que o registrado no ano passado -, enquanto Várzea Grande apresentou queda de 27,5%: em 2014, foram 156 assassinatos em nove meses, contra 113 homicídios neste ano.
Para a professora Vera Bertolini, do Núcleo Interinstitucional de Estudos da Violência e Cidadania da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), os números divulgados hoje demonstram que o estado segue uma “tradição perversa” e que falta, por parte do governo, um maior investimento em políticas públicas.
“A gente segue uma tradição perversa de resolver os conflitos de forma radical, pela violência, e é lamentável que ainda não a tenhamos superado. Isso é um traço cultural no processo de desenvolvimento de Mato Grosso e eu acho que é inexpressível, se não inexistente, os investimentos do estado com políticas para superação dessa tradição do uso de violência para resolução de conflitos”, disse.
Segundo a professora, é preciso que o estado mude a sua postura de “prender muito os historicamente excluídos” e passar a estimular a adoção de medidas socioeducativas.
“Precisamos adotar medidas educativas mais inclusivas. Por outro lado, temos que considerar que nós, da região centro-oeste, temos um grande índice de concentração de renda. Devemos pensar em uma mobilidade social pela inclusão, com criação de programas inclusivos para aperfeiçoamento de mão de obra, acesso a programas culturas, práticas esportivas”, afirmou.
Armas de fogo
Conforme a pesquisa, entre as principais causas que contribuem para o alto índice de homicídios no estado estão a desigualdade social (59,8% da renda concentrada nas mãos dos 20% mais ricos) e o número de mortes por armas de fogo (24,1 a cada 100 mil habitantes).
Para Vera Bertolini, a facilidade na aquisição e circulação de armas de fogo no estado são fatores que contribuem diretamente para o aumento da violência.
“Há que se pensar que somos um estado de fronteira com a Bolívia e próximo do Paraguai, ou seja, temos uma facilitação de entrada de armas ilegais. Somos um estado fortemente agrário e trazemos ainda esse tipo de prática, de achar que estar armado dá algum resultado positivo. Isso é comum no campo, mas as pessoas acabam trazendo isso para a cidade”, afirmou.
Para a pesquisadora, é necessária a realização de uma campanha de desarmamento mais efetiva, bem como o aumento da vigilância da fronteira e o estímulo ao uso do diálogo para resolução de conflitos, ao contrário da radicalização por uso da violência.
“É lamentável, porque é a população mais jovem que está portando armas, pessoas que não tem uma estrutura emocional madura para não sair matando a torto e a direito”, afirmou.
Reincidência
A Sesp afirma que a redução dos índices de homicídios envolve vários atores e não apenas a Segurança Pública, uma vez que grande parte dos crimes está relacionada a drogas e situações de vulnerabilidade social e que, em pelo menos 60% dos casos, os autores dos crimes são reincidentes, “pessoas que vivem no mundo do crime”.
“Onde faltam políticas sociais de recuperação para jovens, saúde, emprego, renda, saneamento básico e asfaltamento, sempre haverá esse índice alto de homicídio”, diz trecho da nota.
Segundo a pasta, o estado montou duas frentes de atuação, com a criação da secretaria adjunta de Ações Integradas, que tem como objetivo realizar ações de repressão e prevenção.,e a divisão do Estado em 15 Regiões Integradas de Segurança Pública (RISP).
A Sesp também ressalta a realização frequente de operações integradas em todo o estado, como é o caso da “Operação Impacto 3” em Cuiabá, Várzea Grande, Sinop eRondonópolis, com foco na redução dos crimes de roubo, furto e homicídio.
G1 MT
Cidades
Do agro ao petróleo: empresa arremata bloco de exploração em Nova Mutum

Uma empresa arrematou um bloco de exploração de petróleo e gás em Nova Mutum (MT) e iniciou os preparativos para testes em campo. A previsão é realizar cerca de 500 coletas de amostras entre junho e julho, como parte da fase inicial de análise do potencial da área.
O prefeito Leandro Félix informou que se reuniu nesta terça-feira (14) com representantes da Dillianz Petro, responsável pelo bloco, para alinhar os próximos passos do projeto.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o gestor destacou que a iniciativa faz parte de um planejamento estratégico de crescimento do município. “É um momento muito importante para Nova Mutum. Estamos vivendo um planejamento bem definido de desenvolvimento e queremos avançar com esse projeto”, afirmou.
De acordo com a empresa, as coletas devem ocorrer em diferentes áreas do município, incluindo propriedades rurais. Por isso, a orientação é que produtores e proprietários estejam atentos à passagem das equipes nos próximos meses.
“Entre junho e julho, as equipes estarão em campo para realizar as coletas. É uma etapa fundamental para entender o potencial da região”, explicou o prefeito.
Ainda segundo a gestão municipal, o projeto pode representar uma mudança no perfil econômico da cidade, tradicionalmente baseada no agronegócio. A expectativa é que a possível exploração de petróleo e gás atraia investimentos, gere empregos e abra novas oportunidades.
Apesar do avanço, esta fase ainda é inicial e voltada à coleta de dados técnicos. A exploração comercial dependerá dos resultados das análises e do cumprimento das etapas de licenciamento ambiental e viabilidade econômica. Veja abaixo o vídeo divulgado pelo prefeito:
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