Cidades
Falta de água traz prejuízos aos produtores em Tangará da Serra (MT)
A falta de água na região de Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, atingiu também os produtores rurais. Sem chuva por muitos dias, rios e córregos que fornecem água para irrigação de hortas, estão quase secos. Em algumas propriedades, parte da produção está perdida.
A água usada para abastecer a cidade vem do rio Queima-Pé, que está com nível bem abaixo do normal. Na propriedade rural do produtor Gilberto dos Santos Silva, as hortaliças estão pequenas e murchas, já que a chácara está há mais de 20 dias praticamente sem água. A falta de chuva também castiga as plantações. A terra está seca e isso impede o crescimento das verduras e legumes.
“Essa terra nossa aqui já está totalmente inviável para fazer plantio de hortaliça porque não temos umidade suficiente no solo e não temos água suficiente para jogar, para cultivar a hortaliça que está totalmente seca, de fazer poeira. Impossível plantar qualquer coisa aqui que não vai germinar, não vai produzir, não vai crescer por falta de água”, disse Silva.
A seca está tão intensa que os pés de alface também se perderam. Eles estão com 70 dias e não chegam a 100 gramas. Como não cresceram, nem valeu a pena colher. A preparação de novos canteiros parou e o plantio de alguns legumes vai ter que esperar. O que resta na propriedade está quase sem vida.
“Essa planta não cresceu, não se desenvolveu por falta de água, o fruto está muito pequeno e não dá valor comercial nenhum. Não tem o mesmo sabor de um produto com água suficiente”, disse o produtor. E disse que, já que não vai ser vendido, o produto vai ser jogado fora.
E sem água a produção não rende. Hoje, Silva precisa de seis pés de almeirão para formar um maço com o tamanho ideal, que é comum vender na feira. Se a irrigação das plantas estivesse satisfatória, seria necessário apenas um pé da verdura. E a situação só não é pior porque ele tenta irrigar a plantação com um pouco de agua que ainda está no córrego seco.
“Nós gastávamos em torno de 80 mil litros de água por dia para molhar essas hortas. Hoje estamos gastando em torno de nove mil. Nós só estamos molhando o de extrema necessidade”, disse o produtor.
Em uma chácara que fica ao lado da Estação de Tratamento de Água e Esgoto do Samae, o serviço que abastece o município de Tangará da Serra, nem mesmo a proximidade garante a irrigação das plantas. “A bomba jogava aí quatro horas. Agora está molhando uma hora por dia”, disse Lucas Martins da Conceição.
Sem água as plantas não desenvolvem no tempo certo, o que atrasa a colheita. “Agora com 50, 60 dias não dá porte de colheita. Você não colhe o que é necessário colher, colhe metade porque a planta não chegou. Não deu corte. Você colhe metade do que era pra ter colhido”, disse. O prejuízo ficou em torno de 20%, 30%, afirmou o produtor.
Segundo o técnico agrícola, Eliel Ferreira Porto, a hortaliça precisa de 20 milímetros a 30 milímetros de água por dia. Menos que isso, ela não cresce. E algumas verduras são ainda mais exigentes.
“Alface, rúcula, temperos verdes, o cheiro verde, são todas plantas que a exigência de água é muito grande. Ela precisa de praticamente de ser irrigada duas vezes ao dia, né. Enquanto que outras culturas suportam pouco mais a falta de chuva, levando sempre em consideração que toda planta na frutificação é a época que mais precisa de água”, disse.
E chuva é algo que a horta precisa e muito, nesse momento. “Sem água não há produção de hortaliça. Nenhum tipo de hortaliça. Nem folha e nem legumes. Se a água não voltar nesses oito, dez dias, as hortas aqui na região vão parar 100%”, disse o produtor rural, Gilberto dos Santos Silva.
G1 MT
Cidades
“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.
Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.
“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.
“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.
Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.
“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.
Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.
Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.
Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.
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