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Empresário admite ter pago propina de R$ 283 mil a ex-secretário de MT
O empresário Evandro Gustavo Pontes da Silva, que responde à ação penal ao lado de outros 16 réus por participação em uma organização criminosa que teria sido instalada no governo do estado durante a gestão de Silval Barbosa (PMDB), admitiu, nesta quarta-feira (31), ter pago propina de ao ex-secretário estadual de Administração, César Zílio, em 2012.
A suposta organização criminosa investigada na Operação Sodoma, deflagrada em setembro de 2015 pela Polícia Civil, cobraria propina de empresas privadas em troca de incentivos fiscais e manutenção de contratos no governo, conforme denúncia feita pelo Ministério Público estadual à 7ª Vara Criminal de Cuiába, que tem como titular a juíza Selma Rosane Santos Arruda.
De acordo com o empresário, que é dono de uma gráfica que teria vencido um pregão do governo estadual em 2011 e recebido o pagamento de R$ 2,85 milhões apenas 16 dias após a assinatura do contrato, ele pagou propina de 10% sobre o valor de contrato para o ex-secretário estadual para garantir o recebimento do dinheiro pelos serviços prestados.
César Zílio também é réu na ação penal e firmou acordo decolaboração premiada com o MP.Ele admitiu participação na organização criminosa, afirmou ter recebido propina e se comprometeu com a Justiça a devolver um terreno localizado na Avenida Beira Rio, em Cuiabá, e avaliado em R$ 15 milhões na capital, que teria sido adquirido com dinheiro de propina e cuja compra resultou na ação penal em curso. Além disso, ele deverá devolver R$ 1,3 milhão em espécie e regularizar pagamento de impostos, que somariam cerca de R$ 400 mil.
“O [César] Zílio me exigiu 10% sobre o valor que eu deveria receber. Dei em três cheques nas mãos dele. Esses cheques, depois, foram usados para comprar o terreno [da Avenida Beira Rio O único negócio que tive com ele [Zílio] foi esse. E nunca tive contato com Silval”, afirmou.
O empresário, negou, porém, ter pago um total de R$ 1 milhão ao ex-secretário e mais
R$ 1 milhão ao ex-governador, a título de propina, como consta na denúncia do MP. Além disso, ele negou a afirmação que constaria na denúncia de que ele teria recebido pagamento por serviços que nunca foram prestados ao estado.
Pagamento ‘relâmpago’
O Ministério Público questionou o empresário a respeito dos serviços que ele alega ter prestado ao estado. De acordo com o MP, Evandro participou com sua gráfica de um registro de preços em novembro de 2011 e o contrato foi assinado apenas em 1º de outubro de 2012. O pagamento, por sua vez, teria sido feito de forma rápida, no dia 17 de outubro.
Para o MP, o empresário não teve tempo de prestar os serviços antes do recebimento do pagamento. No entanto, conforme Evandro, após ganhar a licitação em novembro de 2011, ele iniciou a prestação de serviços a diversas secretarias do governo em fevereiro de 2012, mesmo sem a emissão de ordens de serviço.
“Eles me mandavam CDs com o que precisava ser impresso, os materiais e cartilhas, e eu fazia o serviço. Quando chegou o momento de receber, achei que não tinha a opção de não pagar a propina. Se não pagasse, eu não receberia o pagamento pelos serviços feitos”, afirmou.
Lavagem de dinheiro
A contadora Karla Cintra, que trabalhou por mais de 10 anos como secretária do ex-secretário estadual de Comércio, Minas e Energia e da Casa Civil, Pedro Nadaf, foi a última acusada a prestar depoimento nesta quarta-feira (31), encerrando as oitivas referentes a ação penal da segunda fase da operação Sodoma, que agora segue para as fases de manifestações das partes e publicação de sentença.
Denunciada pelo MP de concorrer para prática de concussão (extorsão), lavagem de dinheiro, tentativa de fraude à licitação e de integrar uma organização criminosa, entre outros crimes, Karla admitiu à juíza Selma Arruda ter emitido notas fiscais em nome de uma empresa de consultoria do ex-secretário Pedro Nadaf para a empresa Tractor Parts, deJoão Batista Rosa, delator do equema no processo. No entanto, ela negou as demais acusações feitas contra ela no processo.“Ele [Nadaf] me deu o CNPJ, os valores e eu emiti as notas, no valor de R$ 33 mil cada uma. Não me lembro de quantas notas foram”, afirmou.
Segundo Karla, inicialmente ela não sabia que as notas eram emitidas por serviços que não foram executados por Nadaf nem que se tratava de dinheiro de origem ilícita e estava apenas “cumprindo as ordens do chefe”. Ela afirmou, ainda, que apenas após a emissão das notas soube por Nadaf de que ele não havia prestado serviços de consultoria à empresa e que estava emitindo notas para um amigo. “Aí comecei a desconfiar que se tratava de algo ilícito, que podia ser propina”, afirmou ele.
Juíza Selma Arruda, responsável por conduzir as audiências da Operação Sodoma
Segundo Karla, ela fazia os diversos favores que Nadaf pedia – como pagar contas dele e da sua família a troco de remuneração a mais por essas atividades – por medo de perder o emprego, alegando que tinha um bom salário.
Fim das audiências
Ao final das audiências desta quarta-feira, a juíza Selma Arruda afirmou ao G1 estar satisfeita com o resultado dos depoimentos e interrogatórios realizados. Alegando que a sensação é de “missão cumprida”, a juíza explicou que ainda deve ocorrer o interrogatório de dois réus no processo via carta precatória, uma vez que ambos moram fora do estado, e, na sequência, irá dar início às fases de manifestação das partes antes do proferimento da sentença, o que deve durar, pelo menos, mais de um mês.
“O Ministério Público terá 10 dias para manifestar se há necessidade de alguma diligência complementar e, após isso, as defesas também terão o mesmo prazo para requisitarem, se assim decidirem, a produção de mais provas ou reinterrogatórios, por exemplo. Com essas fases concluídas, passamos às alegações finais e à publicação da sentença”, disse.
Cidades
“Gilmarmendelândia” : Cúpula política de MT lança novo distrito que pode se tornar cidade

Um evento de “grosso calibre” político marcou a manhã deste sábado (21) no interior de Mato Grosso. Autoridades de diversas esferas se reuniram para o lançamento oficial do distrito de “Gilmarlândia”, batizado em homenagem ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, este natural de Diamantino (a 182 km de Cuiabá).
O lançamento atendeu a um chamado direto do megaempresário do agronegócio Eraí Maggi. Através de um áudio, divulgado via WhatsApp, Eraí convocou as principais lideranças do estado para prestigiar o empreendimento, que já conta com planejamento e mapa definidos.
A lista de autoridades presentes no evento reflete a influência do homenageado e do organizador,. O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o secretário-chefe da Casa Civil, Fabio Garcia (União), e o deputado estadual Max Russi (PSB) já estavam no local do lançamento pela manhã. E aguardavam as chegadas do próprio ministro Gilmar Mendes e do governador Mauro Mendes (União).
ONDE FICA?
O novo distrito será situado após o Trevo da Libra, entre os municípios de Diamantino e Campo Novo do Parecis. O território é estratégico para o setor produtivo, sendo habitado em grande parte por funcionários dos grupos de Eraí e Blairo Maggi, que possuem extensas propriedades rurais na localidade.
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