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Em Diamantino: renda oriunda da coleta de sementes gera ganho na comunidade Caeté


Cabelos decoloridos, piercing no nariz e batom roxo nos lábios, Geovana Antunes Pivotto, uma jovem de 19 anos, é o rosto da nova geração de assentados rurais no país. Sua estética é urbana e contemporânea; seu modo de vida é rural e antigo. Sua família transformou a muvuca de sementes no principal ganha-pão dos Pivotto. Disseminada no país há 13 anos pela Rede de Sementes do Xingu, a técnica que usa uma mistura de sementes de diferentes espécies – daí o nome muvuca – de restauração de área degradada gera emprego e renda mantendo a floresta em pé, e custa três vezes menos do que o plantio tradicional de mudas.

No assentamento Caeté, onde Geovana mora na área rural de Diamantino, as famílias de coletores derrubaram por terra a máxima de que “dinheiro não dá em árvore”. No ano passado, a renda oriunda da coleta de sementes representou um ganho médio de R$ 3,4 mil para os coletores locais do assentamento. Para eles, floresta vira semente e semente vira floresta.

Geovana é a segunda geração de uma família que sabe exatamente o valor da floresta em pé. Até o seu sobrinho, o pequeno Estevão Pivotto, de um ano e seis meses, representante da terceira geração da família, já aprendeu que com sementes pode comprar pirulitos. Os agricultores rurais trabalham em parceria com a Iniciativa Caminhos da Semente, coordenada pela Agroicone, com apoio técnico do Instituto Socioambiental (ISA). O projeto foi criado para estimular a semeadura direta – em dez anos, já se tem uma floresta baixa estratificada e, a partir deste período, novas espécies colonizam, trazidas pelas aves, morcegos e outros animais.

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Em 2019, 700 hectares foram restaurados com a muvuca de sementes em Diamantino. Este ano, a expectativa é atingir uma área de 2,1 mil hectares de área degradada na cidade. É que com a implementação integral do Código Florestal está previsto a compensação ambiental para quem desmata, além de limitar o espaço dentro da propriedade destinado à plantação. Na região da Amazônia Legal, por exemplo, o percentual de área preservada varia de 50% a 80%.

“O passivo florestal brasileiro é de 19 milhões de hectares e está espalhado entre Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais (RLs)”, comenta Laura Antoniazzi, sócia da Agroicone e coordenadora geral da Iniciativa. Só a Companhia Paranaense de Energia (Copel), por exemplo, precisa replantar 17 mil hectares de florestas. Recentemente, representantes da empresa estiveram em Diamantino para conhecer a experiência de replantio via semeadura direta.

Entre os estados da Amazônia Legal, Mato Grosso ocupa o segundo lugar no ranking dos dez maiores desmatadores do país, perdendo apenas para o Pará. A pressão do desmatamento é constante na região de Diamantino, onde a pecuária e a soja estão representadas por pesos-pesados do agronegócio nacional: os grupos Maggi e JBS. No último dia 14 de dezembro, os agricultores familiares de Caetés plantaram 62 espécies de sementes.

Tinha de tudo um pouco: Jatobá, Periquiteira, Pente-de-Macaco, Sucupira branca, Baru, Aroeira, Feijão Guandu e de Porco. No mercado de semente, o quilo da Sucupira custa em média R$ 600 o quilo; o da Periquiteira, R$ 122,00 e o do Jatobá, R$ 25,00. Parte das sementes foi usada no Parque Sesc Serra Azul, também conhecido como Sesc Pantanal, em Rosário Oeste, cidade vizinha a Diamantino. A demanda de restauração foi herdada do antigo dono da área.

É fato que depois de misturar sementes de diversas espécies nativas no quintal de casa e plantar tudo de uma vez só, a aparência de confusão, bagunça e tumulto prevaleçam no ambiente. Ledo engano. A muvuca de semente é uma técnica com forte componente de pesquisa. Várias universidades e teses de doutorado vêm, nos últimos anos, dando suporte, fazendo experimentos em campo na época certa, quando as chuvas começam e analisando toda a sobrevivência da planta até o final do primeiro ano. “É muito cálculo e pesquisa envolvidos na “muvuca” para garantir um mix de sementes com proporções calculadas de forma a assegurar uma boa cobertura florestal”, explica Maxmiller Ferreira, técnico agropecuário e biólogo da Agroicone.

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Liana Melo

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Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.

A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.

O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.

Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.

Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.

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Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.

No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.

“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.

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Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.

“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.

Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima

Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.

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