Destaque
Déficit de agentes gera instabilidade em presídios de MT, diz desembargador
Para o desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, um dos principais entraves nos presídios do estado atualmente é o déficit de agentes, que gera incerteza sobre o controle do contingente de detentos em novos presídios.
O magistrado faz parte da supervisão do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Poder Judiciário do estado. Em vistoria recente, foi constatado que os detentos convivem com condições precárias nas unidades prisionais.
O Mato Grosso conta com 55 unidades prisionais no estado e com 2.300 agentes carcerários. De acordo com o magistrado, o ideal seria que tivesse, pelo menos, mais 1.000 cargos.
Perri afirma que as prisões hoje são “verdadeiros calabouços medievais”. Ele cita como exemplo o presídio em construção em Vargem Grande, cidade vizinha à capital Cuiabá, que seria o maior do estado, com capacidade para 1.008 reeducandos. No entanto, diz, “a falta de agentes deixa em dúvida se será possível inaugurá-lo”.
Os problemas vivenciados nos presídios vão desde a superlotação que obriga presos a revezarem espaço para dormir no chão do banheiro até celas sem saída de ar e luz. Em um universo de 12.500 reeducandos, a média é de três pessoas para cada vaga ou mais. Em uma cela de 18 m² com capacidade para oito pessoas, o grupo verificou 30 presos.
“Com a superpopulação, precisamos ampliar o número de vagas existente. Além disso, o Poder Judiciário precisa conversar e pensar em modelos de ressocialização”, defende Perri.
Força-tarefa
O desembargador conta que mantém diálogo com o governo do Estado para viabilizar um modelo de parceria público-privada nos presídios, seguindo como exemplo o Complexo Penitenciário de Ribeirão das Neves, em Minas Gerais.
“Temos defendido que a questão administrativa pode ser terceirizada, entregue a empresários. Assim sobra mais agentes para cuidar da segurança em si, daquilo que estava previsto quando eles prestaram concurso”, afirma.
Além disso, discute-se a aprovação de incentivo fiscais a empresas que contratarem egressos do sistema prisional. Perri defende como tripé de reforma: educação, profissionalização e trabalho para os presos.
O desembargador também quer aumentar o número de salas de aulas no presídio e criar um “escritório social” para acompanhamento psicológico do detento desde que ingressa no sistema prisional. A ressocialização, diz ele, é questão de segurança pública.
“Há indicadores que 80% são reincidentes no estado. Eles saem piores do que entraram porque os presídios estão dominados por organizações criminosas. Não é possível permitir que presos entrem no presídio por crimes domésticos e passem a ser soldados das facções criminosas por sobrevivência. É preciso separá-los e focar na educação”, disse.
Esforço antigo
A situação alarmante nos presídios do estado tinha sido apontada no último levantamento feito por mutirões carcerários do Conselho Nacional de Justiça, em 2010.
À época, o documento já mostrava o mau funcionamento da máquina judiciária, que concedia tardiamente a presos o benefício da progressão de regime, além da falta de atendimento jurídico permanente e falta de informações quanto à situação processual dos interessados, por exemplo.
Depois da inspeção, foi firmado um termo com compromisso de modernização do sistema penitenciário para 2010/2011, com propostas para criar ou ampliar setores responsáveis por prestar assistência jurídica ao presos e melhorar a “triagem de saúde”.
Os esforços para mitigar problemas urgentes das unidades prisionais são constantes, sendo firmada uma parceria em 2017 entre Poder Judiciário, Governo do Estado, Ministério Público, Defensoria Pública e seccional da OAB.
Das tarefas firmadas estavam analisar os casos de presos provisórios e implantar audiências de custódia em comarcas que ainda não fazem o procedimento.
Em números gerais, o estado está longe de estar isolado. Em agosto de 2018, o CNJ reportou que o contingente de população carcerária do Brasil era de 602 mil presos, sendo um quarto disso encarcerado por decisão de segundo grau. Outros 40% cumprem ordens de prisão provisória.
Cidades
“Gilmarmendelândia” : Cúpula política de MT lança novo distrito que pode se tornar cidade

Um evento de “grosso calibre” político marcou a manhã deste sábado (21) no interior de Mato Grosso. Autoridades de diversas esferas se reuniram para o lançamento oficial do distrito de “Gilmarlândia”, batizado em homenagem ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, este natural de Diamantino (a 182 km de Cuiabá).
O lançamento atendeu a um chamado direto do megaempresário do agronegócio Eraí Maggi. Através de um áudio, divulgado via WhatsApp, Eraí convocou as principais lideranças do estado para prestigiar o empreendimento, que já conta com planejamento e mapa definidos.
A lista de autoridades presentes no evento reflete a influência do homenageado e do organizador,. O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o secretário-chefe da Casa Civil, Fabio Garcia (União), e o deputado estadual Max Russi (PSB) já estavam no local do lançamento pela manhã. E aguardavam as chegadas do próprio ministro Gilmar Mendes e do governador Mauro Mendes (União).
ONDE FICA?
O novo distrito será situado após o Trevo da Libra, entre os municípios de Diamantino e Campo Novo do Parecis. O território é estratégico para o setor produtivo, sendo habitado em grande parte por funcionários dos grupos de Eraí e Blairo Maggi, que possuem extensas propriedades rurais na localidade.
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