Destaque
Criada no regime militar, BR-163 é corredor do desenvolvimento de MT

“Integrar para não entregar”. É a partir do lema pensado pelo ex-presidente da República, Castelo Branco, na década de 60, que a história da BR-163 começa. Uma das principais rodovias federais do país e a mais importante para o setor produtivo de Mato Grosso se torna realidade em 1970 com o Plano de Integração Nacional (PIN), criado com o objetivo de ligar a região Norte ao Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.
A intenção do governo militar, na época comandado por Emílio Garrastazu Médici, o presidente Médici, era primeiramente expandir a fronteira econômica para a região Amazônica, correspondente a 42% do território nacional. Além disso, havia forte pressão internacional quanto à maior floresta tropical do mundo sob alegação de outros países de que o bioma estava abandonado e era “terra de ninguém”.
Naquele tempo, quem precisava ir para Manaus (AM) ou qualquer outra cidade nortista, tinha somente as opções de se transportar de barco ou avião, de forma que a via rodoviária não existia, pois tudo era mata. Surge então a ideia da construção da Transamazônica (BR-230), que vai de Leste a Oeste, e da BR-163, que corta o país de Norte a Sul. A primeira foi inaugurada em 72, enquanto as obras da segunda só teriam começado um ano antes, na gestão do ex-governador de Mato Grosso, José Fragelli.
Construção
Em janeiro de 1971, o recém-criado 9º Batalhão de Engenharia de Construção (BEC) se instala em Cuiabá com a missão de implantar 1.763 km da BR-163 em Mato Grosso. O grupo se deslocou trabalhando no município de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, sentido ao Norte, enquanto o 8º BEC seguia de Santarém (PA), para o Sul. Ao todo, são 3.467 km de extensão.
Atualmente, a rodovia é completamente pavimentada no Estado, sendo que os últimos 50 km que faltavam ser asfaltados foram finalizados no ano passado. Já no trecho paraense, 380 km ainda precisam de pavimentação. Por outro lado, as condições da estrada preocupam as autoridades e principalmente o setor do agronegócio, devido à quantidade de buracos, falta de sinalização e duplicação em determinados trechos.

DESAFIOS
Hoje, quem passa pela rodovia não imagina como foi o processo de construção de cada quilômetro mata adentro. Pelo menos 1,5 mil militares e civis trabalharam nas obras. Registros do 9º BEC mostram que muitos passaram por situações críticas. Cerca de 20 morreram em decorrência de doenças endêmicas e picadas de bichos peçonhentos.
A maior dificuldade do grupo comandado pelo coronel José Meirelles era abrir a floresta virgem da Amazônia. O pessoal da topografia seguia à frente para estaquear o solo, momentos em que se deparava com bichos como onças e cobras.
Dependendo da vegetação, a equipe avançava 1 km por dia e, em 10 dias, estava há 10 km do acampamento, o que prejudicava ainda mais a logística precária da época. Pensando nisso, o comandante e seus homens criaram os chamados carroções, uma espécie de trailers montados em cima de chassi de caminhão, para ganhar mais mobilidade.
Outro desafio era a alimentação. Como não tinham freezers e geladeiras nas casas provisórias, os operários levavam uma boiada por onde iam. A ideia era ter carne fresca, de modo que os animais eram abatidos por um açougueiro que também fazia parte da trupe. Os mantimentos também chegavam por avião.
No decorrer do caminho, mais obstáculos. Dessa vez com os nativos da região. Um dos trabalhadores chegou a ser flechado por um índio às margens de um rio. Depois disso, os irmãos indigenistas Orlando, Cláudio e Leonardo Vilas-Bôas foram chamados para que fizessem contato com os indígenas para evitar matanças durante a construção da rodovia.
Entre uma história e outra, a BR-163 ia cada vez mais se tornando real. Após as estacas, o traçado era nivelado, quando necessário, para que as máquinas passassem. Depois o solo tinha que ser homogeneizado e compactado para receber as camadas de biche e brita até que se chegasse à malha asfáltica. Por fim, os bueiros, pontes, drenos e as sinalizações verticais e horizontais.
Toda a história está registrada em fotos e fatos, mas também se reflete no desenvolvimento de Mato Grosso. Com os acampamentos do 9º BEC, vieram também pessoas de outras partes do país até que cidades como Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, por exemplo, foram criadas, e se tornaram exemplos de produção agrícola para todo o país. E tudo isso através dos caminhos da BR-163.
RDNEWS
Cidades
“Gilmarmendelândia” : Cúpula política de MT lança novo distrito que pode se tornar cidade

Um evento de “grosso calibre” político marcou a manhã deste sábado (21) no interior de Mato Grosso. Autoridades de diversas esferas se reuniram para o lançamento oficial do distrito de “Gilmarlândia”, batizado em homenagem ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, este natural de Diamantino (a 182 km de Cuiabá).
O lançamento atendeu a um chamado direto do megaempresário do agronegócio Eraí Maggi. Através de um áudio, divulgado via WhatsApp, Eraí convocou as principais lideranças do estado para prestigiar o empreendimento, que já conta com planejamento e mapa definidos.
A lista de autoridades presentes no evento reflete a influência do homenageado e do organizador,. O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o secretário-chefe da Casa Civil, Fabio Garcia (União), e o deputado estadual Max Russi (PSB) já estavam no local do lançamento pela manhã. E aguardavam as chegadas do próprio ministro Gilmar Mendes e do governador Mauro Mendes (União).
ONDE FICA?
O novo distrito será situado após o Trevo da Libra, entre os municípios de Diamantino e Campo Novo do Parecis. O território é estratégico para o setor produtivo, sendo habitado em grande parte por funcionários dos grupos de Eraí e Blairo Maggi, que possuem extensas propriedades rurais na localidade.
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