Agro Notícias
Altemar Kroling fala sobre a reação dos preços da soja e a retomada aos negócios
Assista a entrevista
https://www.youtube.com/watch?v=wroiVaDw4ps
Diante da recente valorização dos preços na Bolsa de Chicago (CBOT) e no dólar, os preços da soja reagiram na região de Diamantino (MT). Com isso, alguns produtores voltaram a negociar antecipadamente a commodity, com valores entre R$ 67,00 a R$ 68,00 a saca do grão. Contudo, os agricultores ainda seguem mais cautelosos em relação à comercialização da oleaginosa.
O delegado da Aprosoja e diretor do sindicato rural do município, Altemar Kroling, destaca que, em meio aos custos de produção elevados, muitos produtores ainda aguardam um patamar acima de R$ 70,00 a saca da soja para retornarem aos negócios. “Precisamos de um nível mais alto para dar margem aos agricultores. Isso sem contar as dívidas da safra passada e o índice de endividamento elevado”, diz.
No caso da produção, as lavouras de soja apresentam, até o momento, bom desenvolvimento. Após a preocupação com as chuvas irregulares no plantio do grão, as precipitações voltaram a beneficiar as plantações. Frente a esse quadro, a perspectiva é que o rendimento médio da soja fique próximo de 54 sacas por hectare, ainda segundo projetado pelo Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).
“Em relação às pragas, especialmente as lagartas temos um cenário um pouco mais tranquilo até o momento. Porém, os produtores estão atentos ao aparecimento da mosca branca e da ferrugem asiática nas lavouras. Os agricultores já têm realizado aplicações preventivas”, afirma Kroling.
Inclusive, o estado confirmou nesta quarta-feira (7) o primeiro foco de ferrugem asiática em lavoura comercial de soja da temporada 2016/17. O caso foi registrado em União do Sul, mais ao norte de Mato Grosso e, atestado pela doutora em fitopatologia e produtora rural de Claudia, Roseli Giachinni.
Safrinha de milho
Apesar do foco na soja, os produtores já planejam a safrinha de milho e, cerca de 85%, das compras já foram realizadas. “Iremos investir no cereal e tentar garantir produtividade para compensar os preços mais baixos. E, assim como na oleaginosa, os custos de produção do milho estão mais altos, principalmente as sementes”, sinaliza o delegado da Aprosoja.
No cereal, alguns negócios foram realizados com a saca entre US$ 4,80 até US$ 5,00. Já no mercado físico, os valores recuaram e, atualmente, giram em torno de R$ 24,00 a R$ 25,00 a saca. “No próximo ano, se houver lucratividade no milho será pequena”, acredita Kroling.
Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas
Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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