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Pesquisadora da UFMT, defende reuso de casarões centenários como moradia social

Professora e pesquisadora da UFMT, a arquiteta Luciana Pelaes Mascaro critica a falta de políticas públicas para o reuso dos casarões abandonados no Centro de Cuiabá. Especialista em patrimônio histórico, ela disse ao  que isso contribui para a degradação do patrimônio. Mas, o que é possível fazer?

“Para a gente chegar na resposta, tem um caminho longo. Não é um processo simples. Temos uma situação complexa instalada (de abandono e degradação) que é devido a vários fatores”, explica.

Na manhã de 29 de janeiro, parte do muro e fachada de um casarão histórico veio ao chão, após uma forte chuva, na rua Sete de Setembro, ao lado do Museu de Imagem e Som, o Misc. Conhecido como Gráfica Pepe, o imóvel abrigou a primeira gráfica de Mato Grosso, além de ser residência para famílias importantes para a história mato-grossense. Antes disso, a Casa de Bem Bem também desabou em dezembro de 2017.

Estes imóveis fazem parte do patrimônio histórico de Cuiabá. Os casarões formam uma paisagem urbanística própria e, por isso, todo o centro da Capital mato-grossense é tombado pelo seu valor arquitetônico que remete ao período colonial.

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A falta de planejamento urbano é o problema mais básico encontrado, de acordo com a especialista. Sem isso, não há como se pensar também em preservação. Esta responsabilidade cabe à prefeitura de cada município. “De um tempo para cá, as decisões que vêm sendo tomadas a esse planejamento não têm sido acertivas no que diz respeito à preservação daquele Centro”, opina.

Uma das políticas públicas que poderia ter sido pensada, segundo a especialista, é destinar esses casarões para habitação social. Isso poderia ser feito com outras iniciativas de inclusão social e até de incentivos fiscais, como descontos nas taxas do Imposto de Renda e no IPTU.

“Trazer habitações sociais para o Centro ajudaria na preservação. Isso tem sido feito em outras cidades históricas. E com muito sucesso”, relata.

Para a arquiteta, a prefeitura tem privilegiado instalar novas áreas habitacionais para periferias.

Isso faz com que pessoas, principalmente as de baixa renda, fiquem distantes do centro e da própria cidade. Segundo Luciana, o Centro Histórico de Cuiabá já está estruturado, tem uma infraestrutura com muitos imóveis e lotes vazios que poderiam ser utilizados para moradia.

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Além da habitação, pequenos comércios, escritórios e demais tipos de atividades econômicas também seriam outras formas de ocupação. Apesar de apontar esta saída, não vê soluções simples nem imediatas. “Esse processo de degradação e de abandono não foi instalado ontem. Não é uma coisa que vai ser resolvida para amanhã. E, infelizmente, nem para o Cuiabá 300 anos que é a grande sensação do momento”, lamenta.

Segundo Luciana, o que se pode fazer de imediato é estudar o estado de degradação destes casarões históricos. Traçar um quadro da conservação das edificações e enxergar o risco – de médio ou longo prazo. “O problema como um todo só vai ser resolvido se o Poder Público tiver vontade e política”, conclui.

RD News

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Cidades

“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.

Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.

“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.

Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.

“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.

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Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.

“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.

Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.

Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.

Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.

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