Cibercrime
Juíza condena grupo por golpe com fachada de investimento e determina devolução de R$ 204 mil
A Justiça de Mato Grosso condenou um grupo acusado de operar uma pirâmide financeira sob a fachada de uma empresa de investimentos. A decisão, assinada pela juíza Sinii Savana Bosse Saboia Ribeiro, da 10ª Vara Cível de Cuiabá, foi proferida na última quinta-feira (9) e impõe a devolução de R$ 188 mil a um casal de investidores, além de R$ 16 mil por danos morais.
Foram responsabilizados solidariamente o ex-policial federal Ricardo Mancinelli Souto Ratola, o médico Diego Rodrigues Flores, a empresária Taíza Tosatt Eleotério Ratola e a empresa TR Investimentos e Intermediação Ltda (antiga DT Investimentos Ltda).
“Julgo parcialmente procedentes os pedidos formulados na inicial, com resolução de mérito, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil, para declarar rescindidos os contratos de investimento firmados entre as partes e condenar os requeridos, solidariamente, a restituírem aos autores os seguintes valores: a quantia de R$ 188 mil referente ao saldo do capital investido e não resgatado. Condeno os requeridos, solidariamente, ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 8 mil para cada autor, totalizando R$ 16 mil”, afirmou a magistrada.
Segundo os autos, os autores da ação, Fernando Vaz Sampaio Júnior e Katherine Silveira Camargo, investiram R$ 383 mil na empresa, atraídos pela promessa de retorno fixo mensal de 5% a 6%, com direito ao resgate imediato do capital. No entanto, o valor jamais foi devolvido.
A juíza reconheceu que os contratos eram parte de um esquema fraudulento, estruturado como pirâmide financeira. A TR Investimentos captava recursos sob a aparência de um negócio legítimo, usando a imagem de seus representantes para atrair vítimas. “Trata-se de um golpe financeiro bem arquitetado, que se valeu da confiança depositada em um colega de trabalho e da aparente credibilidade conferida por profissionais de prestígio (policial federal e médico) para ludibriar as vítimas e se apropriar de suas economias”, descreveu a magistrada.
A decisão também detalha a participação individual dos réus. Taíza Ratola, apelidada nos bastidores como “Musa das Pirâmides”, foi considerada responsável direta por administrar os contratos e receber os aportes. Ricardo Ratola, seu ex-marido e ex-policial federal, foi apontado como um dos principais operadores do esquema, utilizando sua posição para transmitir confiança.
Já o médico Diego Rodrigues Flores, embora não integrasse formalmente o quadro societário da empresa, foi reconhecido como sócio de fato, por permitir o uso de seu nome, imagem e profissão como uma espécie de “garantia” do negócio. “Ao permitir que seu nome, sua imagem e sua profissão de médico fossem utilizados para conferir credibilidade a um negócio fraudulento, o requerido Diego gerou nos investidores a legítima expectativa de que ele era parte integrante e garantidora do empreendimento”, pontuou a juíza.
Além da restituição dos valores e da indenização, o juízo também declarou a rescisão dos contratos firmados entre as partes e negou a devolução dos lucros prometidos, por entender que o negócio era ilegal e baseado em ganhos irreais.
Por fim, a magistrada autorizou o levantamento da restrição judicial sobre um veículo Jeep Renegade, após comprovação de que o bem pertence ao Sicredi Ouro Verde MT e havia sido retomado por meio de ação de busca e apreensão. “Defiro o pedido formulado pelo terceiro interessado e, por conseguinte, determino o imediato levantamento da restrição de transferência inserida via sistema RenaJud sobre o veículo Jeep/Renegade LNGTD AT”, determinou.
A sentença reforça o entendimento de que a aparência de legalidade não isenta de responsabilidade os envolvidos em fraudes disfarçadas de investimentos.
*Com informações de FolhaMax
Cibercrime
TJMT aciona Polícia Federal e Polícia Civil após ataque cibernético que tirou sistemas do ar
Incidente de segurança levou à suspensão de prazos processuais, cancelamento de sessões e redefinição de senhas; Tribunal afirma que, até o momento, não há indícios de acesso indevido a dados sensíveis
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao incidente de segurança que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, indisponíveis desde segunda-feira (21).
A Polícia Federal foi comunicada porque um dos sistemas afetados possui integração com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil deverá atuar diretamente na apuração do ataque e de eventuais tentativas de acesso indevido a informações.
A medida adotada pela Presidência do Tribunal busca preservar a segurança dos dados de servidores, magistrados e demais usuários dos sistemas judiciais.
Credenciais de usuários foram acessadas
Segundo informações divulgadas pelo próprio Tribunal, o incidente foi identificado na segunda-feira. Durante as primeiras análises, a equipe técnica verificou que houve acesso a credenciais de usuários da rede.
O TJMT ressaltou, entretanto, que logins e senhas permanecem protegidos por criptografia.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Tribunal informou que, até o momento, não foram encontradas evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores ou magistrados, tampouco a decisões judiciais ou aos sistemas de backup.
Como medida preventiva, toda a infraestrutura tecnológica está passando por uma ampla varredura de segurança. As senhas dos usuários também estão sendo redefinidas.
Suspeita envolve malote judiciário digital
Uma das linhas analisadas é de que o incidente possa ter ocorrido por meio de um malote judiciário digital encaminhado por um órgão oficial ao Tribunal.
A hipótese ainda está sob investigação e deverá ser analisada pelas equipes técnicas e policiais responsáveis pela apuração.
O Processo Judicial Eletrônico (PJe) e os demais sistemas do TJMT foram desligados preventivamente para evitar eventuais riscos adicionais.
Apesar da indisponibilidade, os sistemas já passam por testes para que o restabelecimento seja realizado de forma segura.
O Tribunal informou que as análises continuam sendo conduzidas por equipes especializadas, com apoio de parceiros técnicos.
“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, informou o TJMT.
Prazos processuais foram suspensos
Em razão da indisponibilidade dos sistemas, o Tribunal de Justiça prorrogou até esta sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais.
A medida alcança processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus.
Durante o período, permanecem indisponíveis serviços como:
- peticionamento eletrônico;
- consulta processual;
- acesso a sistemas externos;
- atendimento regular ao público;
- sessões que dependam dos sistemas afetados.
Parte das sessões previstas para o período foi cancelada ou adiada.
A suspensão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.
Serviços urgentes continuam funcionando
Apesar da paralisação dos sistemas, o Judiciário informou que permanecerão mantidos os serviços essenciais, atividades consideradas urgentes e o plantão judiciário.
A suspensão também não se aplica às unidades com competência em execução penal.
Esses processos continuarão tramitando normalmente pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), justamente para evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade.
Segundo a portaria, a manutenção dessas atividades busca garantir a continuidade de decisões urgentes mesmo durante o período de indisponibilidade da estrutura tecnológica principal.
Investigação busca identificar origem e extensão do ataque
A partir do acionamento da Polícia Federal e da Polícia Civil, a investigação deverá buscar identificar a origem do incidente, eventual participação de terceiros e se houve tentativa de obtenção ou utilização indevida de informações.
Também será analisado o caminho utilizado para atingir os sistemas do Judiciário e a extensão real do comprometimento da rede.
Enquanto as investigações avançam, o Tribunal mantém os sistemas externos desligados como medida de precaução.
A expectativa é que a retomada ocorra somente depois que as equipes técnicas considerarem que o ambiente oferece condições adequadas de segurança.
O TJMT reforçou que, até o momento, não existem indícios de comprometimento dos backups nem de utilização indevida dos dados relacionados ao incidente, mas as análises continuam em andamento.
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