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Safra de trigo poderá iniciar em Mato Grosso e implantação é debatida em workshop

A cultura do trigo começa a ganhar destaque em Mato Grosso. A vinda de uma indústria para Cuiabá fez com que produtores rurais se interessem em produzir o grão com a garantia de demanda e preço. Para tratar das questões técnicas, foi realizado o primeiro Workshop para implantação da cultura, em Primavera do Leste (238 quilômetros de Cuiabá). “A região tem 40 mil hectares de área com pivô, local ideal para a cultura do trigo. Por isso, decidimos conversar com os produtores rurais locais e mostrar toda a potencialidade que há em fazer uma terceira safra no Estado”, explicou o superintendente de Política da Agricultura e Pecuária da Sedec, Eldo Leite Gatass Orro.

A primeira demanda do moinho necessitaria de produção de 50 mil hectares de trigo. Porém, a expectativa dos técnicos dos órgãos envolvidos é que em dois ou três anos haja somente na região a produção em 20 mil hectares. “O município e a região poderão se destacar como polo logístico para distribuição com a futura instalação de um armazém da indústria”, disse João Antônio Sentchuk, diretor do Moinho Dona Hilda.

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A indústria na capital mato-grossense terá a capacidade final para moer 300 toneladas de trigo por dia, mas iniciará sua produção com 150 toneladas por dia. A fábrica será instalada em 2021 com produção de 50% no primeiro ano e capacidade total em 2022. Neste período de instalação, o trigo produzido em Mato Grosso será transformado na fábrica do Paraná.

Para o início do trabalho no estado, há à disposição quatro mil sacas de sementes para o produtor rural. Os interessados em apostar nesta cultura terão o compromisso de compra da indústria.

Há atualmente seis variedades de trigos que se adaptaram ao solo e ao clima mato-grossenses e todas elas são de trigo melhorador, comparado ao argentino e utilizado na panificação. Além de opção para a renda do produtor rural, o pesquisador da Empresa Mato-grossense de Assistência Rural (Empaer), Hortêncio Paro, destaca que melhorará o solo no que se refere a controle de nematoides e pragas.

O pesquisador Gilberto Cunha, da Embrapa Trigo, explicou o zoneamento do trigo em Mato Grosso e as condições de produção do cereal. A empresa ainda revelou que há cursos já em andamento no Rio Grande do Sul, em parceria com cooperativas, para capacitar os produtores rurais.

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Para o prefeito de Primavera do Leste, Leonardo Bortolin, o município tem condições de se tornar referência. “Podemos fazer desta cultura algo rentável para os produtores rurais e para toda a região trazendo desenvolvimento e gerando emprego e renda com a implantação do armazém aqui, que irá estocar e distribuir a produção”, afirmou.

O presidente do Sindicato Rural, José Nardes, relembrou que a cultura do trigo no município é desenvolvida pela família Borguette. “Neste ano, colheram 70 sacas por hectare, porém a expansão não foi possível por causa dos custos. Agora, eles serão reduzidos com a indústria em Cuiabá e também com desenvolvimento das áreas de pivô”.

“Incentivamos e discutimos as políticas produtivas e diversificação das culturas e, depois de todo o estudo, verificamos que não é só viável mas também eficiente para a rotação”, disse Afrânio Cesar Migliari, presidente da Associação dos Produtores de Feijão e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir).

Só Notícias

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Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.

A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.

O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.

Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.

Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.

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Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.

No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.

“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.

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Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.

“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.

Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima

Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.

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