Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Agro Notícias

Decretos de emergência ilustram situação climática que pode afetar a capacidade de pagamento

O clima adverso que impactou o desenvolvimento das lavouras de soja em Mato Grosso deve fazer com que muitos produtores não consigam ‘fechar a conta’ ao final da safra da oleaginosa 2023/24. O alerta é do presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber.

Lucas destaca que a Aprosoja-MT tem fornecido aos municípios informações meteorológicas das estações do Aproclima, um projeto da Aprosoja-MT para monitoramento do clima, subsidiando os gestores municipais sobre a realidade de suas respectivas regiões. Atualmente, o Aproclima possui mais de 60 estações em todas as regiões produtoras de MT.

O trabalho é feito pelas comissões de Defesa Agrícola e Política Agrícola da entidade, em conjunto com os sindicatos rurais e os delegados dos núcleos da associação. Até o momento, mais de 30 municípios já decretaram estado de emergência local. “Isso é um alerta que prova que há seca nessas regiões”, pontua o presidente.

Por meio do Informe 341/2023, a entidade transmitiu orientações aos seus associados sobre o registro de perdas decorrentes da estiagem e do calor excessivo que acometeu a produção. Há relatos de produtores, de diversas regiões do estado, que dão conta da existência de produtividades inferiores ao custo de formação de lavoura.

Leia Também:  Seis cidades de MT estão no top 10 dos maiores produtores agrícolas do Brasil; Nova Mutum/MT ocupa 9ª posição

Dentre as medidas que o produtor pode tomar estão a elaboração de laudos agronômicos periódicos feitos por um profissional habilitado; laudos de produtividade comparando as safras, atas notariais, relatórios fotográficos georreferenciados, além de outros documentos que esclareçam ou ilustrem a ocorrência.

Assim, o produtor pode utilizar essas comprovações para instruir o diálogo com seus parceiros comerciais, transmitindo confiabilidade e transparência nas negociações e comprovando de forma inequívoca o fato gerador da dificuldade para o reembolso do crédito ou cumprimento integral do contrato. O presidente da Aprosoja-MT orienta também que todas as tratativas sejam feitas por e-mail para se manter um registro formal desse alinhamento entre as partes, além de o produtor ter a confirmação da ciência dessas tratativas.

É desejável que esse diálogo seja estabelecido tão logo se tenha evidências de que a situação climática poderá afetar os compromissos assumidos, para garantir pleno conhecimento do cenário às partes envolvidas. “O que temos passando é uma orientação para minimizar as divergências do produtor com as empresas. É importante que ele demonstre sempre boa-fé, que faça os laudos das lavouras e procure formalizar as conversas”, enfatiza Lucas.

Leia Também:  Barreado do litoral do Paraná conquista reconhecimento de Indicação Geográfica

FINANCIAMENTO DA SAFRA

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custeio da soja 2023/24 ficou em 50,04 bilhões, sendo que 15,8 bilhões foram de recursos próprios; R$ 14,77 bi de multinacionais de agroquímicos, fertilizantes e sementes; R$ 9,04 bi de revendas; R$ 8,37 bi do sistema financeiro e R$ 2,06 bi de bancos com recursos federais.

Portanto, o ‘Funding Soja’ da safra 2023/24 foi 122% maior que o da safra 2019/20, quando o financiamento foi de R$ 22,50 bi. Por outro lado, os produtores assistem a queda da cotação da soja enquanto seus custos permanecem altos. Desde março de 2022, quando a cotação da soja alcançou seu pico, em R$ 184, ela caiu mais de 45%, para menos de R$ 100, em 19 janeiro de 2024.

Aprosoja/MT

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Agro Notícias

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

Leia Também:  Câmara Técnica do Agronegócio promove seminário sobre desenvolvimento da cultura de grãos no Acre

A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

Leia Também:  Reunião debate possível criação de zona de vigilância para PSC

Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

polícia

política

Cidades

ESPORTES

Saúde

É Direito

MAIS LIDAS DA SEMANA