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Chineses ampliam mira em Mato Grosso e buscam investimentos além do agronegócio

A visita de um grupo de empresários e pesquisadores chineses a Mato Grosso, na manhã desta terça-feira (3), abriu uma rodada de prospecção voltada a projetos de infraestrutura e logística, turismo, inovação e cooperação acadêmica, ampliando uma relação que já é fortemente ancorada no agronegócio estadual. A missão ocorre por intermédio da Associação Brasil China 360 de Negócios, Inovação, Educação e Cultura, com apoio da agência Invest MT, e segue até quarta-feira (4), com uma agenda de reuniões técnicas envolvendo entidades empresariais, órgãos do governo estadual, universidades e a prefeitura.

O ponto de partida das tratativas é uma relação comercial de peso para a economia local. Em 2025, a China respondeu por mais de 40% das exportações de Mato Grosso, com compras que somaram US$ 12,29 bilhões, compostas majoritariamente por soja (76,6%), carne (18,4%), algodão (3,6%), minérios (1,7%), gergelim (1,4%) e outros produtos. No sentido inverso, o país asiático também lidera como principal fornecedor do Estado: no mesmo ano, Mato Grosso importou US$ 769 milhões em produtos chineses, o equivalente a 29,33% do total, com destaque para fertilizantes (52%), defensivos agrícolas (33%) e máquinas e equipamentos (8%), itens estratégicos para o custo e a produtividade do agro.

O governador Mauro Mendes ressaltou que Mato Grosso está aberto à cooperação e à construção de parcerias entre empresas privadas chinesas e empresas mato-grossenses. “Recebemos hoje um conjunto de investidores de empresas chinesas que estão vindo pela primeira vez ao Brasil e a Mato Grosso, olhando nossos potenciais e buscando parcerias para ampliar uma relação comercial que já é forte, mas que tem um universo muito grande para crescer”, afirmou.

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A diretora-executiva da Associação Brasil China 360, Juliana Piispa, explicou que, ao final da missão, será elaborado um relatório técnico que servirá de base para futuras missões temáticas, com recortes setoriais mais específicos, como infraestrutura, logística, inovação, educação e cultura. “Esta foi uma visita técnica e de negócios para conhecer o Estado e mapear oportunidades. A consolidação desse relatório tende a estimular novas vindas de grupos e empresas com interesses mais direcionados, além de aproximar players chineses de agendas estaduais e municipais em andamento”, destacou.

Durante os encontros, a comitiva apresentou interesses que vão do setor têxtil à logística estatal e a projetos estruturantes. Entre os participantes estão Li Xiaolei, CEO da Lanceford International Ltd., e representantes da Ningbo Besco International Logistics, que sinalizaram intenção de avaliar outorgas portuárias, projetos turísticos, possibilidades de instalação industrial e convênios de cooperação técnica nas áreas de educação e tecnologia. Também integram a missão pesquisadores ligados à Zhejiang University, com foco em parcerias acadêmicas, inovação e pesquisa e desenvolvimento.

“É realmente impactante ver os números de Mato Grosso. O Estado impressiona pela escala e pela força de produção, e enxergamos oportunidades em infraestrutura e em projetos estruturantes que interessam às empresas e parceiros que representamos”, afirmou Lancy Huilan Jia, presidente da Sumino Ou e da Associação Brasil China 360.

Do lado do governo estadual, a estratégia é consolidar Mato Grosso como destino de capital de longo prazo, apoiado em escala produtiva, segurança regulatória e um portfólio estruturado de projetos em logística e infraestrutura. A meta é avançar de uma relação comercial baseada em commodities para uma agenda de investimentos produtivos, com maior agregação de valor e transferência de tecnologia.

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“A China já é um parceiro central de Mato Grosso no comércio exterior. O próximo passo é transformar essa relação em cooperação tecnológica e investimentos que ampliem a competitividade do Estado em infraestrutura, logística e agregação de valor”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda.

A carteira apresentada aos empresários foi organizada pela Invest MT e estruturada em eixos como agro, mineração regulada, concessões rodoviárias, política ambiental — com cerca de 60% do território preservado — e ativos logísticos, incluindo a internacionalização do aeroporto, subvenção aérea e zonas econômicas com incentivos à instalação industrial. “Mato Grosso reúne escala produtiva, diversificação econômica e sustentabilidade, fatores que fortalecem sua atratividade para investimentos de longo prazo”, destacou Mirael Praeiro.

O cenário é reforçado por um pacote robusto de infraestrutura em execução, com investimentos históricos em pavimentação, restauração de rodovias, construção de pontes e o maior programa de concessões rodoviárias do país, voltado a ampliar a eficiência logística e reduzir custos de escoamento. “Mato Grosso lidera o programa de concessões rodoviárias no Brasil e ainda concentra uma demanda relevante por novos investimentos em logística”, afirmou o secretário de Infraestrutura, Marcelo Oliveira.

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Milho dispara 12% em Sorriso e saca chega a R$ 47 com oferta limitada

 

O preço do milho registrou forte valorização em Sorriso, um dos maiores polos agrícolas de Mato Grosso. Em agosto, a saca do cereal alcançou média de R$ 47 no município, representando alta de aproximadamente 12% no período.

Os números constam no Agro Mensal, levantamento que acompanha o comportamento das principais commodities agrícolas. A valorização ocorre em meio à redução da disponibilidade do produto no mercado interno e às incertezas no cenário internacional.

Mesmo após a colheita da segunda safra, produtores seguem cautelosos nas negociações. Parte dos agricultores prefere manter o cereal armazenado, aguardando preços melhores, enquanto compradores encontram dificuldade para adquirir grandes volumes.

A menor presença de vendedores no mercado contribuiu para sustentar as cotações e ampliar a disputa pelo milho disponível. O movimento ganha importância em Sorriso, município que ocupa posição estratégica na produção nacional de grãos.

Mercado externo preocupa

Além da oferta limitada dentro do país, o mercado acompanha as oscilações internacionais, o comportamento do dólar e as condições das lavouras nos Estados Unidos. Esses fatores podem influenciar diretamente os preços praticados no Brasil.

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As exportações brasileiras também permanecem no radar. Quando os embarques avançam, o volume disponível no mercado interno diminui, aumentando a pressão sobre compradores, especialmente indústrias de ração, frigoríficos e produtores de proteína animal.

Apesar da alta registrada em agosto, especialistas avaliam que o mercado ainda pode apresentar forte volatilidade. O comportamento dos preços dependerá do ritmo das vendas dos produtores, da demanda interna e externa, do câmbio e das perspectivas para a próxima safra.

Em Sorriso, a valorização para R$ 47 por saca representa uma recuperação importante para os produtores, mas também pode elevar os custos de setores que utilizam o milho como matéria-prima.

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