Agro Notícias
Capacidade de armazenagem em Mato Grosso cresce mas ainda está abaixo do recomendado, diz Conab
Mais de 8 milhões de toneladas dos grãos produzidos em Mato Grosso estão estocados nas propriedades dos próprios agricultores, fazendo com que o nível de armazenagem nas fazendas chegue em cerca de 22%. O índice é maior do que a média nacional, como aponta o resultado do trabalho de censo com a atualização de dados dos principais armazenadores no estado, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Os dados foram apresentados nesta terça-feira, durante o Encontro sobre Armazenagem, realizado pela própria Companhia em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “As unidades dentro das propriedades rurais possibilitam mais autonomia para o produtor, uma vez que ele consegue planejar melhor a logística de colheita e escoamento”, frisa a superintendente da Companhia em Mato Grosso, Francielle Guedes. “Assim é possível aguardar o melhor momento para comercializar a produção. Ao mesmo tempo, ele adquire independência da rede armazenadora de terceiros e diminui seus custos”.
Segundo o levantamento, Mato Grosso possui 2.192 unidades armazenadores cadastradas em 92 municípios, o que totaliza uma capacidade estática de 37,6 milhões de toneladas. Com a atualização das informações houve um acréscimo de 6,8 milhões de toneladas à capacidade de armazenamento já existente no estado. Ainda sim, Mato Grosso fica quase 40,8 milhões de toneladas abaixo do volume recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que indica uma capacidade estática de armazenagem 20% superior que a produção agrícola anual do local.
O censo mostra ainda que as unidades coletoras, que recebem produtos diretamente das lavouras para prestação de serviços, respondem por 48% da estocagem de grãos no estado. Já os armazéns intermediários, localizados em pontos estratégicos para facilitar a recepção e escoamento dos produtos, correspondem a 29% do armazenamento, enquanto os armazéns em terminais, junto aos grandes centros consumidores ou nos portos, correspondem a 1%.
Durante o estudo, também foi realizada a atualização do cadastro no Sistema de Cadastro dos Agentes da Cadeia Produtiva de Vegetais, seus Produtos, Subprodutos e Derivados para Certificação da Segurança e Qualidade (SICASQ), para exportação à China e Rússia, no estado de Mato Grosso. Os dois trabalhos foram possíveis a partir de um Termo de Execução Descentralizada firmado entre o Mapa e a Companhia.
As informações coletadas a partir do censo de armazenagem são utilizadas pelo governo federal no planejamento de políticas públicas para o setor e ficam disponíveis para consultas no Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras de Produtos Agrícolas. Já os dados obtidos a partir da renovação dos dados do SICASQ permitem verificar in loco a veracidade das informações prestadas na ficha cadastral.
Mato Grosso é o principal estado produtor de grãos do país. Para a safra 2018/2019, a produção mato-grossense está estimada em 65,4 milhões de toneladas. Com este desempenho, o crescimento registrado nos últimos 10 anos é superior a 125%.
Só Notícias
Agro Notícias
Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.
A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.
O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.
Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.
Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.
Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.
No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.
O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.
“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.
Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.
“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.
Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima
Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.
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