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Animais peçonhentos: curso orienta sobre prevenção e cuidados

Animais venenosos e peçonhentos são um tema perturbador, mas não deixam de ser um assunto fascinante. Apesar do medo que causam nas pessoas, eles são parte importante de nossa biodiversidade e têm um papel na cadeia alimentar que, na maioria dos casos, é benéfico para a espécie humana. Por isso precisamos entendê-los melhor para saber sobre os riscos reais que oferecem e como podemos nos defender. É com esse propósito que o sistema FAESP/SENAR-SP oferece o curso “Animais peçonhentos: espécies, prevenção de acidentes e primeiros socorros”.

Todo trabalhador rural em uma plantação está sujeito a encontrar algum animal venenoso – especialmente cobras, aranhas e escorpiões, que são os mais comuns e mais perigosos. Eles produzem uma substância tóxica (veneno) e são capazes de inocular esta substância por meio de seus dentes, presas e ferrões. O veneno que produzem tem a finalidade de capturar suas presas, a fim de se alimentarem delas, mas serve também para se defenderem de seus predadores naturais. Apesar de mais comuns em ambientes rurais, a expansão urbana desordenada alterou muitos ambientes naturais e não é raro ocorrerem incidentes envolvendo esses animais também em regiões urbanas.

O instrutor do SENAR-SP, Adilson Carvalho da Fonseca, explica que o curso fornece informações preciosas aos alunos, que podem salvar vidas. O conteúdo apresenta, por exemplo, o comportamento de cada um desses bichos, seus níveis de agressividade, se têm hábitos diurnos ou noturnos, e como agir ao se deparar com um desses animais, bem como as providências imediatas no caso de um ataque. “Antes, o animal peçonhento mais encontrado nas lavouras era a cobra, mas hoje em dia é o escorpião, sendo a espécie mais perigosa o escorpião amarelo, que tem um veneno muito forte e a pessoa atacada somente deve ser tratada com soro específico”, diz Adilson.

Segundo o instrutor, nem todo mundo sabe que existe soro para picada de escorpiões e aranhas – assim como os utilizados em serpentes. Porém, o antiveneno não pode ser manipulado por qualquer pessoa, por isso não é disponibilizado nas fazendas. Para administrá-lo é necessário um ambiente hospitalar no qual será avaliada a dosagem adequada para cada caso, de acordo com a gravidade, assim também controlando possíveis reações adversas à medicação.

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Animais peçonhentos, quando saem de seus esconderijos, estão quase sempre à procura de alimento. No caso das cobras, seu principal alimento são os ratos. Escorpiões e aranhas têm um leque maior de alvos para seu sustento, como baratas e grilos. Impedir sua proliferação também ajuda a afastar os animais venenosos que são seus predadores. “É preciso ficar atento também em épocas de maior calor ou de chuva”, explica o instrutor. “Em dias quentes eles ficam mais ativos, e quando chove saem de suas tocas para evitar a água que entra nelas.”

As cobras que aparecem em plantações costumam ser as espécies subterrâneas, que enxergam muito mal e são surdas. O instrutor do SENAR-SP alerta que, mesmo assim, elas estão bem adaptadas ao meio em que vivem e usam seus outros sentidos para se defender. “Uma serpente nunca ataca se não se sentir ameaçada. Em caso de picada, o aluno aprende o que fazer e, principalmente, o que não fazer, porque tem muitos ensinamentos populares que são ineficientes e até perigosos”.

Uma das alunas que participou das aulas, que aconteceram por meio do Sindicato Rural de Botucatu, foi Izildinha de Fátima Strombeck Granzoto. Ela e o marido moram em uma chácara na zona rural de Botucatu desde que se aposentaram, onde o casal cria pequenos animais e cultiva alguns hortifrútis para consumo próprio. O esposo de Izildinha foi picado por uma jararaca logo que se mudaram para lá. O susto foi grande, mas no final deu tudo certo. Hoje, ela vê com outros olhos essa relação com a natureza. “O curso foi muito bom no sentido de desmistificar muitas questões que a gente não tinha noção do que fazer ou de como reconhecer se há perigo ou não. E a didática das aulas também é muito boa”, destaca. Izildinha destaca os temas que achou mais interessantes. “Hoje sei reconhecer se uma cobra é mesmo venenosa e como reagir em caso de acidente. Tem uma distância segura que a gente pode ter de uma serpente até para manuseá-la sem risco, com bastões e ganchos, e também sem precisar matá-la. Aprendi muito sobre os escorpiões, sobre como identificar as espécies mais perigosas, e a importância de agir rapidamente no socorro. Eu inclusive costumava matar aranhas com a mão, e descobri que algumas são muito perigosas”, afirma.

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Cuidados nas plantações

É importante o trabalhador rural estar vestido com camisa de manga comprida, luva e botas sempre que possível, uma vez que não se pode prever o momento em que um animal peçonhento vai aparecer. Manter o mato rebaixado ao redor das casas evita que eles usem esses locais como esconderijo. Deve-se evitar também o acúmulo de entulho ou sobras de construções, que criam ambientes propícios para se fazer tocas.

Segundo Adilson, precisa haver uma mudança de hábitos tanto nas plantações quanto dentro de casas próximas a áreas de roça ou floresta. Atitudes como calçar um sapato assegurando-se de que não tem nada dentro dele, ou chacoalhar uma camisa antes de vesti-la, e agitar os lençóis da cama antes de se deitar. São ações simples que todas as pessoas devem fazer no dia a dia, uma vez que aranhas e escorpiões são capazes de escalar até mesmo cômodos superiores de sobrados ou andares altos de prédios. Manter ralos de toda a casa cobertos ou fechados enquanto não estiverem em uso também é uma atitude de prevenção bastante eficiente.

Cursos do SENAR-SP

Para realizar este e outros cursos, o interessado deve procurar um parceiro do SENAR-AR/SP (Sindicatos Rurais, prefeituras conveniadas ou associações) de seu município ou próximo a sua região e fazer sua inscrição. 

Para conhecer os cursos disponíveis, acesse o site https://faespsenar.com.br/cursos/

Outras informações acesse o Portal FAESP/SENAR-SP

Fonte: CNA Brasil

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Agro Notícias

União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (EU) oficializou sua decisão de proibir a importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. O veto deve entrar em vigor a partir do próximo dia 3 de setembro.

Anunciada há quase um mês, poucos dias após a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, a decisão de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar esses produtos para os países do bloco europeu foi confirmada em um documento oficial publicado no Diário Oficial da UE nesta sexta-feira (5).

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não conseguiu comprovar que seus produtores atendem às algumas das exigências sanitárias europeias, especialmente que não utilizam, ao longo de toda a cadeia produtiva, medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais.

Em abril deste ano, o governo brasileiro proibiu parte dos antimicrobianos comprovadamente usados para estimular o crescimento e aumentar a produtividade animal, mas a União Europeia avaliou que ainda faltam garantias adicionais.

As regras sobre o uso de antimicrobianos fazem parte da política europeia de segurança alimentar e saúde pública conhecida como One Health, criada para combater o uso excessivo de antibióticos no mundo. Entre os produtos restritos pelos europeus estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

A União Europeia é um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras. No caso da carne bovina, o bloco europeu aparece entre os maiores destinos das exportações brasileiras em valor.

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A cautela europeia não significa necessariamente que a carne brasileira esteja contaminada por medicamentos. O principal ponto da decisão europeia é regulatório e envolve rastreabilidade sanitária, certificação e comprovação documental sobre o uso dos medicamentos.

Para voltar à lista dos países autorizados a vender os produtos vetados, o Brasil precisará comprovar que cumpre integralmente as regras europeias durante todo o ciclo de vida dos animais exportados. Para isso, o país pode ampliar ainda mais as restrições legais aos medicamentos ou criar mecanismos mais rígidos de rastreabilidade para provar que os produtos exportados não utilizam as substâncias proibidas na Europa.

A segunda alternativa é considerada mais complexa porque exige monitoramento detalhado da cadeia produtiva, certificações sanitárias adicionais e custos maiores para produtores e frigoríficos.

Abiec
Consultada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a Comissão Europeia anunciou a decisão de proibir a compra dos produtos brasileiros.

Segundo a entidade, o Brasil conta com um “dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo” e a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios de mais de 170 países, incluindo os principais mercados internacionais, cumprindo “rígidos controles oficiais, sistemas de rastreabilidade e protocolos reconhecidos globalmente”.

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Ainda de acordo com a associação, o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema.

Qualidade
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que está acompanhando a formalização da decisão da União Europeia e confiante de que as autoridades brasileiras vão demonstrar, tecnicamente, que o país possui um dos mais robustos sistemas de controle sanitário mundial, capaz de garantir “elevados padrões de qualidade, rastreabilidade, biosseguridade e segurança dos alimentos”.

Em nota, a ABPA enfatizou que o veto à importação dos produtos brasileiros “não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema identificado em relação ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira”, mas sim ao reconhecimento europeu dos “mecanismos oficiais de fiscalização e controle adotados pelo Brasil”.

A entidade também reconheceu a legitimidade das iniciativas voltadas à proteção da saúde pública, da sanidade animal e da segurança dos alimentos, mas com ressalvas. Para a associação, é necessário que as normas sanitárias nacionais estejam “fundamentadas em critérios científicos, avaliações de risco reconhecidas internacionalmente, transparência regulatória e observância aos princípios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal, pelo Codex Alimentarius e pelos acordos multilaterais de comércio”.

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