Saúde
Mulher de 30 anos é a primeira vítima fatal em MT
A Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande confirmou o primeiro óbito por intoxicação por metanol no município. Trata-se de uma mulher de 30 anos de idade que, segundo relato familiar, participou de uma confraternização no dia 2 de novembro, ocasião em que foi consumida cerveja. No dia 4 de novembro, ela voltou a ingerir cerveja e whisky.
No dia 5 de novembro, a paciente apresentou mal-estar, com sintomas de dor no estômago, vômito, além de pressão arterial alterada. Ela deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento do bairro Ipase (UPA IPASE), foi avaliada pela equipe médica, recebeu medicação e teve exames de sangue solicitados.
Após o atendimento inicial, o médico solicitou que a paciente retornasse ao consultório para dar seguimento aos cuidados e realizar nova avaliação médica, porém a paciente não se encontrava mais na UPA, caracterizando evasão da unidade de saúde, e não alta médica.
Segundo relato dos familiares, no dia 7 de novembro, ela voltou a apresentar piora significativa do estado de saúde, com queixas de dor intensa de cabeça e visão turva. Familiares acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que realizou o resgate e encaminhamento ao pronto-socorro do município, onde a paciente deu entrada já em óbito.
O caso foi encaminhado para investigação no Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso (Lacen-MT), que confirmou o diagnóstico de intoxicação por metanol.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância de, ao procurar uma unidade de saúde do município com sintomas como dor de cabeça, vômito, diarreia, dor estomacal, pressão alta, visão turva ou qualquer outro desconforto, informar ao médico sobre eventual ingestão de bebida alcoólica. Além disso, alerta para que bebidas alcoólicas sejam adquiridas apenas de fontes seguras e devidamente registradas, uma vez que a ingestão de metanol — substância tóxica e imprópria para consumo humano — pode causar graves lesões neurológicas, cegueira e morte.
Mato Grosso
Até quinta-feira (13.11), foram notificados dez casos suspeitos em Mato Grosso, sendo quatro deles confirmados laboratorialmente. Mais dois casos estão em investigação, em Água Boa (1) e Várzea Grande (1), e outros quatro já foram descartados.
Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Alessandra Moraes, a Secretaria recomenda que as pessoas não consumam bebidas alcoólicas dos lotes listados em comunicação de risco ou de procedência duvidosa; verifiquem rótulo, lote e data de fabricação; e denunciem locais que comercializem produtos suspeito pelos canais oficiais, como o Fale Cidadão – Ouvidoria do Estado de Mato Grosso.
“Em caso de sintomas como visão borrada, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos, dor abdominal ou tontura, o cidadão deve procurar imediatamente uma unidade de urgência [UPA ou pronto-socorro], pois o atendimento rápido pode ser determinante para evitar complicações graves”, informou a superintendente.
Saúde
Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso em 2025

Mais de 7,6 mil bebês nasceram de mães adolescentes em Mato Grosso no ano passado, segundo dados do Painel de Monitoramento de Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde. O levantamento registra 7.310 partos de jovens entre 15 e 19 anos e outros 324 de meninas com menos de 14 anos, uma média de aproximadamente 20 nascimentos por dia.
Além de evidenciar uma realidade marcada pela gravidez precoce, os números também chamam atenção para casos que podem estar relacionados ao estupro de vulnerável, especialmente entre as menores de 14 anos, e para os impactos sociais enfrentados por essas adolescentes.
No cotidiano da assistência social, a gravidez na adolescência costuma representar uma ruptura nos projetos de vida. Segundo a psicóloga do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Pedregal, Emanuele Costa, muitas jovens passam a enxergar a maternidade como único caminho possível.
“É como se a vida dela se resumisse à maternidade, e é isso que vai determinar todo o resto da vida dela”, afirma.
A profissional explica que parte das adolescentes procura atendimento espontaneamente, enquanto outras são encaminhadas pelas unidades de saúde. No Cras, elas recebem acolhimento, orientação e acompanhamento para acesso aos benefícios socioassistenciais.
Entre os principais desafios está a evasão escolar. A gravidez, as limitações impostas pela gestação, o período do puerpério e a dificuldade de conciliar os cuidados com o bebê fazem com que muitas interrompam os estudos.
“Nós analisamos se houve ou não a evasão escolar, para ver a possibilidade de essa jovem voltar para a escola. Isso é uma grande questão na gravidez na adolescência, pois muitas deixam de ir ou têm muita dificuldade para voltar. Elas precisam de uma rede de apoio consolidada para conseguir, neste momento, voltar à escola e não ficarem desamparadas em relação aos cuidados com o filho”, destaca.
De acordo com Emanuele, outro aspecto recorrente é a ausência de planejamento para o futuro. Diferentemente de outros adolescentes, que costumam projetar objetivos como concluir os estudos, ingressar na universidade e conquistar independência financeira, muitas jovens grávidas acabam limitando suas expectativas à maternidade.
“Muitas vezes, se ouve na adolescência: ‘eu quero estudar, me formar, passar no Enem e depois comprar uma casa’. Com elas, não. É como se agora a vida dela fosse só isso. Eu vou ser mãe e pronto, não tem planejamento para a vida futura”, relata.
A psicóloga também observa que, na maioria dos atendimentos, os pais das crianças estão ausentes. O suporte costuma vir das mães ou avós das adolescentes, que assumem papel fundamental na construção da rede de apoio.
“Pela nossa vivência, o amparo vem desse lado materno da própria mãe trazer a filha, conversar e tentar restabelecer esse vínculo que, muitas vezes, chega fragilizado. Nisso entra o papel da assistência social e do serviço de fortalecimento de vínculos. É para garantir que a rede de apoio seja mantida, porque essa é uma das principais bases para que a jovem consiga ter uma vida menos vulnerável e fique menos exposta a situações de risco”, conclui.
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