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Saúde

Bullying, indisciplina e solidão: o clima nas escolas brasileiras revelado pelo Pisa 2018

Os casos de bullying, indisciplina e solidão dentro das escolas do Brasil ocorrem em percentuais acima da média internacional, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para a OCDE, o ambiente pouco receptivo afeta o desempenho dos estudantes. Os resultados do Pisa 2018 do Brasil apontam que 68% dos estudantes não sabem o básico de matemática; 50,1% apresentam baixo desempenho em leitura e 55,3%, baixo desempenho em ciência.

“As escolas não são apenas locais onde se aprende conteúdo, mas também espaços de desenvolvimento social e emocional”, aponta o documento da OCDE.

Para 29% dos estudantes brasileiros que participaram da avaliação, há ofensas nas escolas. Outros 41% dizem perder tempo de aula por causa da indisciplina e 13% relataram se sentir sempre sozinhos durante o período escolar.

O Pisa é uma avaliação mundial com provas de leitura, matemática e ciência. Além disso, os estudantes, professores, diretores de escolas e pais respondem a questionários. São estes questionários que trazem o diagnóstico das escolas. A mais recente edição, de 2018, foi aplicada a 10.691 alunos de 638 escolas do Brasil.

De acordo com os dados do Pisa 2018:

  • 29% dos estudantes brasileiros relataram terem sofrido bullying. A média da OCDE é de 23%
  • 41% dos estudantes disseram que há indisciplina nas salas: os professores precisam esperar muito tempo até a sala se acalmar. No Brasil, eles tiveram 19 pontos a menos em leitura do que os estudantes que não relataram este cenário
  • 50% dos estudante faltaram a pelo menos um dia de aula e 44% chegaram atrasados na quinzena que antecedeu o Pisa. A média da OCDE é 21% e 48%
  • 23% dos estudantes no Brasil concordam ou concordam plenamente que se sentem sozinhos na escola. A média da OCDE é 16%.
  • 13% dos estudantes brasileiros afirmam que se sentem sempre tristes na escola
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Camila de Moraes, analista de educação da OCDE, ressalta que os estudantes que relataram ter indisciplina em sala de aula tiveram desempenho 19 pontos abaixo dos demais.

“Alunos de escolas com mais disciplina tendem a ir melhor em provas de leitura, porque o tempo escolar é gasto com aprendizagem, e não para conter os estudantes. Quem sofre bullying tende a faltar mais à escola e, por isso, perdem mais conteúdo” – Camila de Moraes, analista de educação da OCDE

De acordo com Camila, é possível ter um melhor clima disciplinar, por exemplo, graças a uma relação mais positiva entre alunos e professores.

Para a OCDE, não basta que os estudantes atinjam altos níveis de proficiência nas áreas de conhecimento, mas também é importante que se sintam felizes, confidentes e integrados.

Neste ano, a série especial ‘Diário de escola’, do SPTV, mostrou a experiência de uma escola de São Paulo que criou um grupo de teatro e conseguiu reduzir casos de bullying entre os alunos.

Como o Pisa avaliou o ambiente escolar?

A OCDE avaliou como os estudantes se sentem no ambiente escolar considerando três dimensões: o senso de pertencimento à escola, a habilidade de superar falhas e a satisfação com a vida.

Sobre indisciplina, no questionário os estudantes responderam a perguntas como: “Os alunos não ouvem o que o professor diz ”; “Há barulho e desordem”; “O professor precisa esperar muito tempo para os alunos se acalmarem”; “Os alunos não podem estudar bem”; e “Os alunos não começam a estudar após um longo tempo após o início da aula”.

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“Um clima escolar positivo é pré-requisito para o melhor desempenho dos alunos e um forte indicador de desenvolvimento social e emocional”, afirma o documento.

O desenvolvimento da habilidade emocional é, inclusive, uma das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que pretende orientar a educação no Brasil. A BNCC do ensino infantil e fundamental foi aprovada em 2017 e, do ensino médio, em 2018.

Como é feito o Pisa?

  • O Pisa é uma avaliação mundial feita em dezenas de países, com provas de leitura, matemática e ciência, além de educação financeira e um questionário com estudantes, professores, diretores e escolas e pais;
  • O resultado é divulgado a cada três anos – a edição mais recente foi aplicada em 2018 com uma amostra de 600 mil estudantes de 15 anos de 80 países diferentes. Juntos, eles representam cerca de 32 milhões de pessoas nessa idade;
  • No Brasil, 10.691 alunos de 638 escolas fizeram a prova em 2018. São 2.036.861 de estudantes, o que representa 65% da população brasileira que tinha 15 anos na data do exame;
  • O mínimo de escolas exigidas pela OCDE é 150;
  • A prova é aplicada em um único dia, é feita em computadores, e tem duas horas de duração. As questões são objetivas e discursivas;
  • A cada edição, uma das três disciplinas principais é o foco da avaliação – na edição de 2018, o foco é na leitura;
  • O Brasil participou de todas as edições do Pisa desde sua criação, em 2000, mas continua muito abaixo da pontuação de países desenvolvidos e da média de países da OCDE, considerada uma referência na qualidade de educação.

G1

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Saúde

Doar sangue e salvar vidas: um gesto simples que transforma o mundo

Doar sangue para salvar vidas. Poucos gestos são tão simples e, ao mesmo tempo, tão poderosos quanto esse.

Em menos de uma hora, uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. Não é preciso ser herói nem ter habilidade especial. Basta ter saúde, disposição e sensibilidade para ajudar o próximo.

O sangue não possui substituto artificial. Nenhuma fábrica o produz. Nenhum laboratório consegue reproduzi-lo. Ele existe apenas em cada um de nós e só chega a quem precisa por meio da solidariedade humana. Cada doação é a demonstração concreta de que uma vida importa.

Pense na criança que necessita de transfusão durante uma cirurgia. Na mulher que enfrenta complicações após o parto. Na vítima de acidente que chega ao Pronto-Socorro em estado grave. No paciente em tratamento contra o câncer. Para cada um deles, uma bolsa de sangue pode representar a diferença entre a vida e a morte. Essa é a realidade diária dos hospitais brasileiros, inclusive aqui em Mato Grosso.

Neste 14 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Doador de Sangue. Em 2026, a campanha da Organização Mundial da Saúde, no âmbito do ‘Junho Vermelho’, traz o tema “Doe sangue, dê esperança: juntos salvamos vidas”. Uma convocação que precisa ir além das datas e se tornar uma atitude permanente.

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Tenho levado esse compromisso a sério na prática. Por meio dos mutirões sociais do Gabinete da Assembleia Legislativa, levamos campanhas de doação de sangue diretamente às comunidades de Cuiabá, chegando a quem muitas vezes não consegue se deslocar até os pontos de coleta. A própria ALMT firmou parceria com o MT Hemocentro para receber o caminhão de coleta em frente ao plenário, mobilizando servidores e a população. O Parlamento tem o dever de dar o exemplo.

A doação é uma das mais nobres expressões de solidariedade. Quem doa não conhece a pessoa beneficiada. Não há recompensa financeira nem interesse pessoal. Há apenas a decisão de estender a mão a alguém em extrema necessidade.

O sangue coletado é separado em hemácias, plasma e plaquetas, atendendo pacientes com necessidades distintas. Uma única doação tem potencial para ajudar várias pessoas.

Os hemocentros dependem de doações regulares. O sangue possui prazo de validade limitado, e a reposição constante é uma necessidade. Ser um doador regular é assumir um compromisso com a vida, com a comunidade e com quem você ama.

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Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, e com mais de 50 quilos pode doar. O procedimento é seguro, rápido e praticamente indolor. O organismo repõe naturalmente o volume doado em pouco tempo.

Você dedica alguns minutos do seu dia. Em troca, oferece a alguém a oportunidade de continuar vivendo.

Convido cada mato-grossense a procurar o hemocentro mais próximo, fazer sua doação e incentivar familiares e amigos. Salvar vidas não depende de grandes recursos. Depende apenas da disposição de compartilhar o que carregamos dentro de nós.

Seja doador de sangue. Sua atitude pode ser a esperança que alguém espera para continuar vivendo.

*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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