Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Saúde

‘Mutirão da Catarata’ devolve a visão a pacientes de Diamantino

“Eu não podia ler mais, tinha que trazer o papel bem pertinho para poder enxergar”, contou a aposentada Nilce de Carvalho Garcia de 77 anos. Ela foi um dos 22 pacientes diagnosticados com catarata pela atenção básica de saúde de Diamantino. Todos os pacientes fizeram a cirurgia de catarata no Pronto Atendimento Municipal Dr. Leônidas Nascimento Vidigal nesta sexta-feira (13.05). A realização do procedimento é inédita no município e possível devido ao Programa Mais MT Cirurgias da Secretaria de Estado de Saúde – SES/MT em parceria com a Prefeitura de Diamantino.

Na antessala de cirurgia, o morador do bairro Buriti, Osvaldo Souza de 71 anos, que trabalhava com serviços gerais até poucos meses antes da pandemia do novo coronavírus, quando após um mal-estar devido a visão turva o tirou de suas atividades laborais.

“Eu trabalhava limpando quintais, fazendo todo o tipo de serviço e precisava enxergar bem para não deixar nada para trás, foi quando percebi que a visão estava cada dia mais embaçada, até que um dia durante o trabalho tive um mal-estar, vindo parar no Pronto Atendimento e achando que ficaria cego”, relatou.

Leia Também:  Dengue cresce 72% e incidência é de 690 a cada 100 mil pessoas em MT

Osvaldo ainda contou que teve seu procedimento cirúrgico marcado, porém cancelado devido à pandemia da Covid-19, quando em todo o país foi interrompida a realização de procedimentos ambulatoriais e cirurgias eletivas.

Responsável pelos procedimentos realizados no dia de hoje, o médico oftalmologista Antônio Sardinha explicou que a “catarata” é a densificação do cristalino ocular ocasionado pelo envelhecimento, porém podem também estar associadas a alterações metabólicas, ou até mesmo em crianças por hereditariedade e pontua que o procedimento é rápido e indolor, tendo resultados imediatos pós-cirúrgico.

“Este tipo de catarata é denominada de catarata senil, que está relacionada a idade. Conforme a pessoa vai envelhecendo o cristalino também envelhece e vira a catarata. Então tiramos esse cristalino doente e colocamos uma lente intraocular, que faz com que a pessoa volte a enxergar e até mesmo em muitos casos fazendo com que a pessoa deixe de usar óculos para longe”, explica.

A cirurgia, detalhou o médico, demora entre 5 a 10 minutos e o tempo de recuperação depende de cada pessoa, do uso dos colírios com antibiótico e corticoide e também do repouso que é o mais importante, já no mesmo dia ela consegue enxergar bem.

Leia Também:  Jovem de 18 é acusado de estuprar a prima de 12 anos em MT

Redução da fila de espera pela cirurgia

Conforme explica Ludmilla Carris, enfermeira do município de Diamantino, o mutirão em parceria com a SES/MT, através do Programa Mais MT Cirurgias, tem o objetivo de reduzir uma demanda reprimida para a realização de consultas e procedimentos oftalmológicos desde o ano de 2015 que se estendia até junho de 2021.

“Constatamos que entre o período de 2015 a junho de 2021, havia uma demanda reprimida por consultas oftalmológicas em Diamantino, e a destinação de recursos através do programa do Governo do Estado nos colocou em condições de realizar estes procedimentos e também de consultas”, afirmou.

O mutirão se estende neste final de semana com consultas oftalmológicas, agendadas para este sábado (14) e domingo (15) na Estratégia de Saúde da Família – ESF Central, a partir das 07h00 com parada para almoço e retorno às 13h00, onde espera-se que sejam atendidas 150 pessoas, pré-agendadas, incluindo os retornos dos procedimentos efetuados hoje.

Haron Álvares

Propaganda

Mato Grosso

Falta de atendimento especializado amplia desafios de famílias com crianças neurodivergentes afirma Max Russi

 

Psicólogos, fonoaudiólogos e equipes multiprofissionais são fundamentais para o desenvolvimento infantil; dificuldade de acesso é maior nos municípios do interior

Garantir atendimento adequado às crianças neurodivergentes ainda é um desafio para muitas famílias em Mato Grosso, especialmente nos municípios do interior, onde a oferta de psicólogos, fonoaudiólogos e outros profissionais especializados é mais limitada.

O tema ganhou destaque após o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado estadual Max Russi (Podemos), defender a ampliação da rede de atendimento às crianças neurodivergentes e seus familiares. A declaração foi feita durante encontro com psicólogos, assistentes sociais e servidores, realizado em Cuiabá.

Segundo o parlamentar, a dificuldade para conseguir atendimento especializado tem aparecido de forma recorrente em agendas realizadas pelo interior do estado. Entre os profissionais apontados como necessários estão psicólogos, fonoaudiólogos e outros especialistas que atuam no acompanhamento de crianças com diferentes condições do neurodesenvolvimento.

Crianças neurodivergentes podem apresentar necessidades distintas relacionadas à comunicação, aprendizagem, comportamento, interação social, autonomia e desenvolvimento motor. Por isso, o acompanhamento precisa considerar as características e necessidades de cada criança, podendo envolver diferentes áreas profissionais.

Atendimento especializado pode fazer diferença

O cuidado adequado durante a infância pode contribuir para o desenvolvimento da comunicação, da autonomia, da aprendizagem e da participação da criança nos ambientes familiar, escolar e social.

Em muitos casos, o acompanhamento envolve diferentes profissionais, formando uma rede capaz de atender necessidades específicas de cada criança.

A dificuldade surge quando esses serviços não estão disponíveis perto de onde a família mora.

Nos municípios menores, pais e responsáveis muitas vezes precisam buscar atendimento em outras cidades, enfrentar longos deslocamentos ou recorrer à rede particular. Para famílias de menor renda, esses obstáculos podem dificultar ainda mais a continuidade do acompanhamento.

Leia Também:  Dengue cresce 72% e incidência é de 690 a cada 100 mil pessoas em MT

Interior enfrenta maior dificuldade

Durante o encontro realizado em Cuiabá, Max Russi afirmou que a situação é especialmente preocupante fora dos grandes centros.

“Precisamos avançar nessa política pública. É uma necessidade do nosso estado. Se temos dificuldades na capital, imagine no interior, onde é ainda mais difícil encontrar profissionais. Precisamos construir algo que consiga chegar aos municípios de Mato Grosso”, afirmou.

A proposta defendida pelo deputado é discutir uma política pública estadual que possa complementar o atendimento oferecido pelas prefeituras e ampliar a presença de profissionais especializados nos municípios.

A ideia ainda está em fase de discussão e, até o momento, não foi apresentado publicamente um programa estadual específico com orçamento, quantidade de profissionais ou cronograma de implantação detalhado.

Famílias também precisam de suporte

A falta de atendimento não afeta apenas a criança. Toda a rotina familiar pode ser alterada.

Pais e responsáveis podem precisar reduzir jornadas de trabalho, deixar empregos ou reorganizar completamente a rotina para acompanhar consultas, terapias e avaliações.

O impacto costuma ser ainda maior entre famílias com menor renda, que têm menos condições de custear atendimentos particulares ou viajar frequentemente para outros municípios.

Max Russi destacou justamente essa dificuldade ao defender maior participação do Estado no atendimento.

“Quanto mais humilde a família, maior é a dificuldade. Muitas mães não conseguem trabalhar porque não têm onde deixar o filho, não conseguem o tratamento, o laudo ou o cuidado necessário. Nós precisamos enfrentar isso”, declarou.

Rede precisa envolver saúde, educação e assistência

O atendimento às crianças neurodivergentes não depende apenas da área da saúde.

Leia Também:  Adolescente é executado com 4 tiros e largado às margens da MT-344

Escolas, profissionais da educação, serviços de assistência social e unidades de saúde precisam atuar de forma integrada para que as necessidades das crianças sejam identificadas e acompanhadas.

A participação da família também é essencial. Pais e responsáveis convivem diariamente com a criança e podem contribuir com informações importantes sobre comportamento, comunicação, aprendizagem e desenvolvimento.

Por isso, profissionais da área defendem que políticas públicas sejam construídas levando em consideração a realidade das próprias famílias e de quem trabalha diretamente no atendimento.

Durante o encontro, também foi defendida a necessidade de uma escuta mais próxima dos profissionais envolvidos na assistência às pessoas neurodivergentes e com deficiência.

Desafio é transformar discussão em política permanente

A discussão sobre o atendimento às pessoas neurodivergentes já vinha sendo abordada anteriormente por Max Russi. Em julho, durante visita a um projeto social em Cuiabá, o parlamentar afirmou que políticas voltadas às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e seus familiares deveriam integrar as discussões dos programas de governo.

Agora, o debate volta ao centro das atenções com a defesa de uma estrutura estadual mais ampla.

Para as famílias, ampliar a presença de profissionais especializados pode significar menos deslocamentos, redução de despesas e maior continuidade no acompanhamento das crianças.

Para o poder público, o desafio será transformar a demanda em uma rede permanente, com capacidade para chegar também aos municípios menores e garantir que a distância dos grandes centros não seja um obstáculo para o acesso ao cuidado especializado.

A proposta defendida por Max ocorre durante o período eleitoral de 2026. O deputado é candidato à reeleição e tem apresentado o tema entre as pautas discutidas em suas agendas de campanha.

Continue lendo

polícia

política

Cidades

ESPORTES

Saúde

É Direito

MAIS LIDAS DA SEMANA