Saúde
Consumo da maconha cresce entre adultos mais velhos
No fim do mês passado, pesquisadores da Universidade do Colorado divulgaram estudo que mostra que o uso da maconha vem crescendo principalmente entre os adultos mais velhos. No entanto, esse grupo também relata dificuldades para obter a droga para fins medicinais, reclama da falta de comunicação com os médicos e se ressente do estigma que ainda envolve a marijuana.
“Os americanos mais velhos estão utilizando a cannabis por diferentes motivos”, afirmou a médica e professora Hillary Lum, coautora do estudo. “Alguns se valem dela para aliviar a dor, enquanto outros a usam para combater ansiedade e depressão”, completou. Em 2016, pesquisa nacional apontou que, acima dos 65 anos, o consumo da droga havia se multiplicado por dez. Enquanto isso, no Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pretende iniciar debate para dar aval para o cultivo de maconha no país para pesquisa e produção de medicamentos.
Os pesquisadores entrevistaram idosos em centros comunitários, clínicas de saúde e em dispensários que comercializam legalmente a droga. De acordo com a professora Lum, muitos pacientes não se sentem à vontade para discutir a questão com seus médicos e acabam comprando a maconha para uso recreacional, o que é permitido no estado do Colorado, onde foi realizado o levantamento: “esses idosos desejam que os serviços de saúde se envolvam com a questão e cumpram seu papel de educar e avaliar opções e riscos do tratamento. Os médicos também deveriam aprender mais sobre o assunto para conversar com seus pacientes”.
Enquanto isso, no encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco, em inglês), a mesma universidade apresentou pesquisa mostrando que, embora 73% dos profissionais da área concordassem que a maconha traz benefícios para os pacientes com câncer, somente 46% se sentiam confortáveis em recomendar sua utilização. Foram entrevistados oncologistas, clínicos, enfermeiros e farmacêuticos. As maiores preocupações listadas: dimensionar a quantidade correta a ser administrada; ter segurança sobre os produtos disponíveis e onde obtê-los; e as possíveis interações com outros medicamentos. Curiosamente, 68% disseram ter recebido informações sobre o uso para fins medicinais dos próprios pacientes.
“Estamos desperdiçando uma ferramenta útil”, disse Ashley Glode, professora da faculdade de farmácia. “Temos que rever e adaptar nossa formação”, acrescentou. Na sua opinião, a resistência dos profissionais está atrelada à falta de regulação e porque os dados disponíveis ainda são limitados: “do ponto de vista do consumo, as piores alternativas são inalar e fumar, por causa dos danos aos pulmões. Já há médicos que recomendam óleos, tinturas e até produtos comestíveis, mas não temos dados comparando a eficácia das doses nessas diversas formas”.
Bem Estar
Saúde
MT deve registrar 520 novos casos de câncer colorretal por ano até 2028

O mês de março é tomado pela cor azul-marinho com o objetivo de alertar toda a sociedade para o câncer colorretal (intestino e reto), um dos tumores mais incidentes e uma das maiores taxas de mortalidade do país, que deve registrar 26.270 novos casos da doença por ano no triênio de 2026-2028.
Só em Mato Grosso, são estimados 520 novos casos anuais deste tipo de neoplasia no mesmo período, conforme estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Diante desse cenário, durante o mutirão do “Dia E – Ebserh em Ação”, vinculado ao programa “Agora Tem Especialistas”, do Ministério da Saúde (MS), o Hospital Universitário Júlio Müller, da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), alerta para importância de exames de colonoscopia.
A iniciativa também faz parte do “Março Azul-Marinho”, uma campanha de conscientização sobre a prevenção e o combate ao câncer colorretal. Durante o mutirão, realizado neste dia 21, caso seja identificada alguma doença durante os exames, os pacientes passam a ser acompanhados pelo serviço de coloproctologia.
“Realizamos uma consulta de triagem no dia do mutirão e depois realizaremos consulta dando o feedback sobre o resultado do exame e seguimento”, disse a residente R5 de Coloproctologia, Maristella Nery.
O QUE É – O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. Atualmente, já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Coloproctologista Mardem Machado de Souza, do HUJM-UFMT, alerta que a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas. “Quanto mais cedo se diagnostica, menor o risco de disseminação do tumor e maiores as chances de oferecer um tratamento efetivo e definitivo, com elevadas taxas de cura”, frisou.
O especialista informa ainda que, embora existam métodos como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e exames parciais do intestino, a colonoscopia é considerada o exame mais completo para detecção do câncer colorretal. O procedimento permite avaliar todo o intestino grosso, retirar lesões precursoras, biopsiar tumores e até retirar lesões malignas iniciais.
Também a maioria dos cânceres do intestino grosso e reto surge a partir de pólipos adenomatosos, que se assemelham a pequenas verrugas e podem evoluir para câncer após sete a dez anos, caso ocorram alterações genéticas.
As diretrizes internacionais recomendam o início do rastreamento a partir dos 45 anos para pessoas sem fatores de risco. Para quem possui histórico familiar, o exame é indicado a partir dos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar de primeiro grau recebeu o diagnóstico.
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