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Saúde

’13 Reasons Why’ está ligada a aumento de suicídios entre jovens nos EUA, diz estudo do governo americano

A pesquisa foi realizada em conjunto por diversas universidades e hospitais dos Estados Unidos e o Instituto Nacional de Saúde Mental (INSM) e levou em conta as tendências de variação nas taxas de suicídio no país.

A INSM é uma das instituições que compõem a agência Institutos Nacionais de Saúde, ligada ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo americano e a principal responsável na administração federal por pesquisas nas áreas de saúde e biomedicina.

O estudo, publicado no periódico científico Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, mostrou que o número de mortes por suicídio em abril de 2017 superou o registrado em qualquer outro mês durante o período de cinco anos analisado pelos pesquisadores.

Ao individualizar os índices de acordo com o sexo da vítima, foi notado um aumento significativo entre homens jovens no mês seguinte à estreia. Houve um crescimento entre o sexo feminino, mas ele foi considerado estatisticamente insignificante.

“Os resultados devem servir de alerta de que os jovens são especialmente sensíveis ao que é exibido pela mídia”, disse Lisa Horowitz, cientista do INMS e autora do estudo.

“Todos os profissionais, inclusive da mídia, devem se preocupar em serem construtivos e cuidadosos ao lidar com temas relacionados a crises de saúde pública.”

À BBC News Brasil a Netflix disse estar analisando os resultados do estudo. “É um tema de extrema importância e temos trabalhado muito para assegurar que estamos lidando de maneira responsável com essa questão sensível”, informou a empresa em nota.

Segundo a companhia, o estudo contradiz outro realizado pela Universidade da Pensilvânia e divulgado na semana passada. De acordo com a pesquisa em questão, estudantes que assistiram a toda a segunda temporada da série estavam menos propensos a considerar o suicídio (saiba mais abaixo).

Suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens americanos

A primeira temporada de 13 Reasons Why foi ao ar em 31 de março de 2017. Ela conta a história de uma adolescente que se mata e deixa 13 gravações que explicam os motivos pelos quais ela decidiu fazer isso.

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A segunda temporada foi lançada em maio de 2018, e uma terceira está em produção.

O programa foi bem recebido pela crítica e celebrado por promover uma conscientização sobre questões que afetam os jovens, como estupro, bullying e autoflagelação. Mas também gerou um debate em torno da forma como retratou o suicídio – por glamourizá-lo e dar muitos detalhes de como sua protagonista se matou – e os efeitos disso sobre o público jovem.

O suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens americanos com idades entre 10 e 24 anos. São registrados cerca de 4.600 casos por ano, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principalmente entre vítima dos sexo masculino.

Um outro estudo recente, realizado por pesquisadores da Áustria, da Bélgica e dos Estados Unidos, concluiu que, entre estudantes que assistiram a toda a segunda temporada, relatos de que pensavam em infligir ferimentos em si próprios ou se matar eram menos frequentes. Os cientistas concluíram que isso se deu porque o assunto era tratado abertamente pelos personagens do programa.

Ao mesmo tempo, estudantes que pararam de assistir a temporada no meio eram menos otimistas quanto a seu futuro e tinham mais chances de cometer suicídio.

Os pesquisadores dizem que isso ilustra como série pode ter simultaneamente efeitos positivos e negativos sobre os expectadores.

Como foi feito o novo estudo

Para compreender melhor esta influência, os pesquisadores americanos analisaram dados mensais e anuais de mortes por suicídio do CDC, uma agência do governo federal americano, entre 1º de janeiro de 2013 e 31 de dezembro de 2017. As vítimas tinham entre 10 e 64 anos.

O objetivo era verificar se os índices no período após o lançamento da série eram superiores ao que se esperaria com base nos registros e tendências observados anteriormente.

Os cientistas concluíram que as taxas na faixa etária entre 10 e 17 anos foram significativamente maiores nos meses de abril, junho e dezembro de 2017 em relação às expectativas baseadas em dados passados.

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Houve 195 mortes por suicídios acima das previsões entre 1º de abril e dezembro daquele ano. A taxa em março, mês anterior à estreia de 13 Reasons Why, também ficou acima do esperado. Os pesquisadores destacaram que houve uma grande campanha prévia ao lançamento do programa naquele mês.

O mesmo não foi identificado nas taxas de suicídio entre pessoas com idades entre 18 e 64 anos.

Para servir de base de comparação, os pesquisadores analisaram as mortes por homicídios no mesmo período, a fim de verificar se outros eventos sociais ou ambientais após o lançamento da série poderiam ter influenciado as taxas de suicídio.

No entanto, o estudo tem limitações. Foi identificada uma correlação entre o aumento dos índices e a estreia do programa, mas não foi possível dizer que a série está por trás deste aumento. Os cientistas dizem ainda que outros eventos e fatores podem ter influenciado este fenômeno.

Estudos já mostraram que fatores ambientais e sociais costumam ter os mesmos efeitos sobre as taxas de homicídio e de suicídio. Mas não foi identificada nenhuma alteração significativa no período, o que reforça a conclusão de que o programa da Netflix teve influência sobre o aumento dos índices de suicídio, de acordo com os cientistas.

A nova pesquisa reforça a percepção de organizações de saúde de que o comportamento de jovens pode ser afetado pela forma como o suicídio é retratado pela mídia, o que levou entidades como a ONG Aliança Nacional de Ação pela Prevenção de Suicídio e a Organização Mundial de Saúde a elaborarem recomendações de como filmes, séries e outros tipos de entretenimento devem lidar com o tema.

Em sua segunda temporada, 13 Reasons Why passou a incluir uma mensagem de alerta antes de cada episódio em que seu elenco diz que o programa pode não ser adequado para pessoas que enfrentem questões como abuso sexual, vício em drogas e suicídio.

BBC

 

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Saúde

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*Max Russi é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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