Política
Governo terá problemas se crédito suplementar não for aprovado em 15 dias, diz secretário
O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou nesta quarta-feira (29) que o governo terá problemas e estará em uma situação “difícil” se o Congresso Nacional não aprovar em até 15 dias um projeto que trata da liberação de crédito suplementar.
O crédito inicial previsto pelo governo era de R$ 248 bilhões, mas o Tesouro já revisou o valor para R$ 146,7 bilhões. De acordo com o Poder Executivo, a aprovação do projeto é necessária para a chamada “regra de ouro” não ser desrespeitada.
A regra é uma norma constitucional que impede o governo de contrair dívida para cobrir despesas correntes, como o pagamento de salário de servidores. Na prática, a lei admite o endividamento do governo somente para fazer investimentos.
Como as despesas estimadas para 2019 superam a arrecadação, o governo enviou ao Congresso o projeto para autorizar o Executivo a emitir títulos para bancar programas e ações como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e abono salarial.
Ao ser questionado nesta quarta-feira sobre até quando é preciso aprovar o texto para não atrasar essas despesas, Mansueto Almeida respondeu:
“Meados de junho. Mais ou menos 14 ou 15 de junho. Se ele [crédito suplementar] não for aprovado até aí, a gente vai começar a ter problema com algumas despesas. Eventualmente, você pode remanejar alguma coisa, mas vai ficar difícil.”
De acordo com Mansueto, o Plano Safra 2019/2020, programa anual de subvenção à agricultura, previsto para ser lançado em junho, “possivelmente poderia ter um problema de atraso”.
Mansueto Almeida disse, ainda, acreditar que os parlamentares aprovarão a medida a tempo.
“Eu acho que vai ser aprovado. O Congresso, o presidente Rodrigo Maia, o presidente Davi Alcolumbre, eles têm um bom diálogo com a equipe econômica, com o Executivo. O Congresso Nacional tem sido parceiro em várias medidas importantes”, declarou.
Impasse sobre o montante
Há um impasse em torno do projeto que trata do assunto. Inicialmente, foi encaminhado ao Congresso um pedido para crédito extra de R$ 248,9 bilhões.
Depois, o Tesouro Nacional identificou uma necessidade menor, de R$ 146,7 bilhões. Por isso, resta uma dúvida jurídica no governo se é possível aprovar o projeto original e só usar o montante necessário ou se é preciso alterar a proposta.
G1
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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