Política
Comissão Especial faz segundo dia de debate do parecer da reforma da Previdência
A comissão especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência abriu nesta quarta-feira (19) o segundo dia de debate sobre o parecer do relator, Samuel Moreira (PSDB-SP).
O parecer foi apresentado na semana passada e modificou alguns dos trechos propostos pelo governo. Na terça-feira, no primeiro dia de debates, 65 deputados discursaram durante 12 horas de sessão.
Na ocasião, Samuel Moreira disse aos deputados que o parecer está sujeito a alterações. Segundo o parlamentar, pelas regras da Câmara, ele pode apresentar uma complementação de voto.
Essa complementação de voto pode contemplar eventuais mudanças no parecer. Moreira disse ainda aos deputados que está anotando as observações feitas por eles. Também pediu que os parlamentares enviassem suas questões sobre o tema.
Sessão esvaziada
Nesta quarta, o presidente da comissão, Marcelo Ramos (PL-AM), decidiu abrir exceções na lista de inscrição e alterar a ordem de algumas falas, segundo ele, porque muitos deputados estão com viagem marcada devido ao feriado. A sessão começou pouco antes das 10h.
Depois que alguns deputados afirmaram que há uma propaganda falsa de que a reforma da Previdência resolveria os problemas do país, Moreira afirmou que a reforma não vai resolver tudo, mas que é para dar condições para que o governo possa resolver as coisas.
“Se vai resolver ou não é outro problema. Eu não sou do governo. Nós não somos o governo. Esse é outro problema, ele vai ter que tomar outras atitudes, mas nós trabalhamos em um cenário e que possa haver desenvolvimento e emprego”, disse.
Durante os discursos, alguns deputados da oposição elogiaram alterações feitas pelo relator, o que diminuiu “algumas maldades” propostas pelo governo, como disse o deputado Pedro Uczai (PT-SC). O deputado elogiou, por exemplo, a decisão de reduzir o tempo de contribuição para a aposentadoria da mulher.
Já Fábio Henrique (PDT-SE) elogiou a decisão de retirar do projeto as mudanças no Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) defendeu a reforma da Previdência, mas criticou a decisão do relator de aumentar a Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) dos bancos dos atuais 15% para 20%.
“Com esse aumento a instituição financeira vai passar para o consumidor. A gente acha que o consumidor vai pagar”, disse.
A proposta, no entanto, foi elogiada pelo deputado João Marcelo (MDB-MA) que disse que o relator foi corajoso ao incluir o trecho.
G1 Política
Política
TJMT condena Cattani a indenizar associação LGBTQIA+ e publicar retratação

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, além da obrigação de publicar uma retratação em seu perfil no Instagram. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (15), após análise de recurso movido pela associação MT Queer.
O colegiado seguiu, de forma unânime, o voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, que divergiu inicialmente da relatora Serly Marcondes Alves. Em primeira instância, a entidade havia tido o pedido negado, cenário que se repetiu em decisão inicial no próprio tribunal. No entanto, após pedido de vista, Rubens apresentou voto favorável à associação, posteriormente acompanhado pela relatora, consolidando o entendimento unânime da Câmara.
No voto, o desembargador destacou que o parlamentar possui histórico de manifestações consideradas polêmicas e apontou que, neste caso, houve extrapolação dos limites da atuação política. Segundo ele, as declarações não configuram exercício legítimo da função parlamentar, mas sim conteúdo discriminatório. “É nítido que o tom adotado não se caracteriza como crítica administrativa ou política, mas revela conteúdo de segregação e preconceito”, afirmou.
A ação tem origem em um vídeo publicado por Cattani em novembro de 2023, no qual ele criticava um curta-metragem produzido pela MT Queer. O material retratava a relação afetiva entre dois jovens e, segundo o deputado, estaria “incentivando” comportamentos entre estudantes. A interpretação foi contestada pela entidade, que acionou a Justiça alegando discurso discriminatório.
Para o relator do voto vencedor, o caso não se enquadra na proteção da imunidade parlamentar. Ele classificou a conduta como manifestação de “intolerância odiosa”, ressaltando que não há nexo funcional que justifique o conteúdo das declarações no âmbito do exercício do mandato.
Além da indenização, que será acrescida de juros e correção monetária, o deputado deverá publicar uma retratação em sua conta no Instagram por, no mínimo, 15 dias. O descumprimento poderá gerar multa diária de R$ 1 mil.
A decisão, proferida em segunda instância, ainda pode ser alvo de recursos. Caso seja mantida até o trânsito em julgado, o caso poderá ter desdobramentos na esfera eleitoral, com eventual análise à luz da Lei da Ficha Limpa, dependendo do entendimento sobre eventual incitação ao ódio e suas implicações jurídicas.
Fonte Folhamax
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