Mato Grosso
Projeto busca proteção de nascentes para garantir segurança hídrica
Instituído em 2015 pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, o projeto Água para o Futuro já confirmou e caracterizou 405 nascentes em nove municípios do estado, incluindo Cuiabá. Somente na Capital, foram confirmadas 263 nascentes com um índice de conservação de apenas 15%. O objetivo é garantir segurança hídrica e o abastecimento de água potável.
Nesta terça-feira (22), Dia Mundial da Água, o promotor de Justiça Marcelo Caetano Vacchiano, coordenador do projeto, destaca que dentre as nascentes confirmadas, 62 estão em processo de recuperação mediante celebração de Termos de Ajustamento de Conduta e acordos judiciais. Existem ainda outras que se encontram em fase de negociação para firmamento de TACs.
Entre os exemplos de recuperação de nascentes, o promotor de Justiça destaca o “Parque da Nascente”, localizado no bairro Morada do Ouro, em Cuiabá. O espaço conta com áreas de recreação, lazer e contemplação da natureza.
Ele explica que, até o momento já foram delimitados mais de 4,5 milhões de metros quadrados de Áreas de Preservação Permanente (APP) de nascentes. As informações constam nas bases de dados do projeto e são consultadas diariamente pelos órgãos de fiscalização e licenciamento.
Conforme relatório apresentado este ano pelo projeto Água para o Futuro, 85% das nascentes confirmadas estão degradadas por desmatamento, queimadas, aterramento, processos erosivos, lançamento de esgoto e resíduos sólidos, ocupações irregulares, entre outros fatores de degradação.
Relatórios Técnicos – Além do trabalho de identificação das nascentes, a equipe do projeto Água para o Futuro também é responsável pela produção de manifestações técnicas, como relatórios, comunicações internas e planos de recuperação de áreas degradadas. O material produzido serviu de subsídio para a atuação de promotores de Justiça em mais de 200 procedimentos administrativos.
Reconhecimento – Com duas premiações junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o projeto Água para o Futuro está em fase de interiorização.
Além da Capital, o projeto é desenvolvido em Rondonópolis, Chapada dos Guimarães, Várzea Grande, Alto Taquari, Alto Araguaia, Sapezal e Lucas do Rio Verde. A iniciativa, inclusive, já despertou interesse de outros estados. No último dia 14, por exemplo, a iniciativa foi apresentada ao município de Rio Verde, em Goiás.
O Água para o Futuro é uma iniciativa do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, coordenado pelo CAEX Ambiental e sob supervisão da Procuradoria Especializada de Defesa do Meio Ambiente e da Ordem Urbanística. Foi idealizado com a Universidade Federal de Mato Grosso, com professores e pesquisadores que conferem suporte científico e metodológico. Atualmente conta com a parceira do Instituto Centro de Vida, cuja execução orçamentária e financeira é aprovada no Banco de Projetos e Entidades ( BAPRE) do MPMT.
Mato Grosso
Mudança no Estatuto da AMM propõe mudanças sobre calendário eleitoral e representatividade dos prefeitos

A Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Lourenço Máximo, o Maninho, para esta terça-feira (4), promete colocar em discussão um dos temas mais relevantes da gestão da entidade: a possível alteração do Estatuto Social, incluindo mudanças nas regras do processo eleitoral da associação.
Além de deliberar sobre o projeto de reforma da sede da AMM, os prefeitos associados analisarão propostas de alteração dos artigos 14, 15, 25 e 39 do Estatuto. Embora o edital de convocação detalhe quais dispositivos serão modificados, o conteúdo das alterações será apresentado durante a assembleia.
O principal ponto de debate é a possibilidade de antecipação das eleições da diretoria da entidade para o segundo semestre deste ano.
Os argumentos favoráveis à mudança
Defensores da alteração avaliam que o Estatuto deve ser um instrumento flexível, capaz de se adaptar às necessidades institucionais da AMM e às demandas dos municípios.
Na avaliação de apoiadores da proposta, antecipar o processo eleitoral pode trazer previsibilidade administrativa, permitindo que a futura diretoria tenha mais tempo para organizar sua equipe, elaborar o planejamento estratégico e preparar a transição antes do início do mandato.
Outro argumento é que o próprio Estatuto prevê que suas regras possam ser alteradas pela Assembleia Geral, considerada a instância máxima de deliberação da entidade. Nesse entendimento, qualquer mudança aprovada pela maioria dos prefeitos presentes refletirá uma decisão coletiva e democrática dos associados.
Há ainda quem sustente que discutir o calendário eleitoral não significa comprometer a legitimidade da futura gestão.
Para esse grupo, o mais importante é que todas as regras sejam debatidas, aprovadas em assembleia e aplicadas de forma transparente, independentemente da data escolhida para a eleição.
Também pesa o argumento da continuidade administrativa. Segundo defensores da proposta, uma eleição realizada com antecedência pode reduzir o período de indefinição política dentro da entidade, permitindo que a nova diretoria participe da preparação das principais pautas municipalistas para o ano seguinte.

As críticas à proposta
O ex-presidente da AMM e ex-prefeito de Primavera do Leste, Leonardo Bortolin (MDB), manifestou preocupação com uma eventual alteração no calendário eleitoral.
Na avaliação de Bortolin, um eventual retorno ao modelo anterior poderia permitir que gestores em fim de mandato participassem da definição da direção da entidade para um período em que já não estarão mais à frente de seus municípios.
Para os críticos, esse modelo reduziria a representatividade dos prefeitos que efetivamente exercerão seus mandatos durante a gestão da próxima diretoria da AMM.
Decisão caberá aos prefeitos
Independentemente das posições favoráveis ou contrárias, a decisão será tomada pelos próprios prefeitos associados durante a Assembleia Geral Extraordinária, órgão máximo de deliberação da entidade.
Caso as alterações estatutárias sejam aprovadas pelo quórum previsto no Estatuto Social, as novas regras passarão a orientar o funcionamento institucional da AMM, incluindo, eventualmente, o calendário das próximas eleições.
O debate evidencia duas visões distintas sobre a governança da associação. De um lado, há quem defenda maior flexibilidade para adequar o Estatuto às necessidades administrativas da entidade.
De outro, gestores sustentam que o modelo atual fortalece a legitimidade da representação municipalista ao assegurar que a diretoria seja escolhida pelos prefeitos que exercerão efetivamente seus mandatos.
A expectativa é que a assembleia esclareça o alcance das alterações propostas e permita que os prefeitos deliberem sobre o futuro da principal entidade representativa dos municípios de Mato Grosso.
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