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Mato Grosso

Encontro Anual é aberto com exibição do curta-metragem “Fogo e Fé”

O Pantanal – maior planície alagada do mundo – em chamas, milhares de animais mortos, fogo descontrolado, a fé, a reza e o desespero do pantaneiro retratados no curta-metragem “Fogo e Fé”, produzido pelo fotógrafo José Medeiros com apoio do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, abriram o Encontro Anual do Ministério Público Ambiental, nesta sexta-feira (04). Realizado no formato híbrido, o evento ocorre presencialmente no auditório da Procuradoria-Geral de Justiça, em Cuiabá, com transmissão ao vivo pela plataforma Microsoft Teams e pelo YouTube.

“Olhos marejados diante da TV. Os olhos dos bichos queimaram diante da TV”, cantou o artista e violeiro André Balbino, em uma apresentação performática realizada logo após a apresentação do filme. Na plateia, membros do MPMT de todo o Estado, servidores e convidados emocionados com a clemência pela salvação do Pantanal, que chamou a atenção do Brasil e do Mundo no ano de 2020 pelo incêndio de grandes proporções. O encontro é uma realização da Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística e Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT.

Na abertura do evento, o procurador de Justiça Luiz Alberto Esteves Scaloppe destacou a alegria por retomar os encontros presenciais, que reavivam o entusiasmo, dão mais energia, força e ânimo para continuar na luta profissional em defesa dos interesses coletivos e especializados. Contou que já está em negociação a retomada de alguns financiamentos estrangeiros ao MPMT, que há promessas interessantes de apoio operacional e profissional aos promotores de Justiça mato-grossenses e expectativa de alavancar projetos importantes a partir de 2023.

“Diante do drama e da tragédia que encontramos em Mato Grosso, quero colocar uma outra face. Trata-se de um cenário paradoxal, pois, nunca realizamos tantos autos de infração, ações de repressão, ações coordenadas preventivas com envolvimento de diversos órgãos, nunca os órgãos de fiscalização andaram tanto, o Ministério Público, o Batalhão Ambiental trabalharam tanto. Impressionante ver que esse trabalho não venceu, o quanto a realidade é gritante e o quanto o avanço da desobediência civil feita pelos interesses econômicos é poderosa, por sobre a legislação, as ações constitucionais e as nossas medidas judiciais”, enfatizou o titular da Procuradoria Especializada Ambiental.

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O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, realçou os avanços na área ambiental promovidos nos últimos quatros anos, enquanto esteve à frente do MPMT. Entre eles, a criação das Promotorias de Justiça de Bacias Hidrográficas, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) Ambiental e do monitoramento em tempo real de queimadas e desmatamentos por meio do projeto Satélites Alertas. “Tenho certeza que nós, do Ministério Público de Mato Grosso, com a incumbência constitucional que temos, vamos continuar articulados para darmos efetividade à preservação ambiental”, afirmou.

José Antônio Borges Pereira também ponderou sobre a importância do meio ambiente para a saúde, para a economia do Estado e para a qualidade de vida da população e demonstrou entusiasmo com o cenário nacional. “Vivemos um novo momento em relação aos compromissos com o meio ambiente em nosso país. A maior potência ambiental do mundo é o Brasil e já estamos em vias de recuperar parcerias e o investimento de recursos externos na preservação dos nossos biomas”, consignou.

Conforme o coordenador da Escola Institucional, promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta, nunca foi tão necessário debater a defesa do meio ambiente, bem como essencial elaborar estratégias de atuação ministerial em prol do Meio Ambiente. “Isso porque, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), a Amazônia Legal apresentou em 2022 o maior desmatamento dos últimos 15 anos. E também em 2022, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), nenhum Estado brasileiro sofreu tanto com focos de queimada quanto Mato Grosso”, apontou, enaltecendo o encontro como um momento de debate e capacitação para os participantes.

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Exposição fotográfica – Durante o encontro, foi aberta a exposição fotográfica “Céu e Inferno em Terras Alagadas”. O acervo é resultado dos dois primeiros anos do projeto Pantanal+10, que registra a evolução climática no Pantanal e na vida de seus habitantes. O grito de alerta sufocado pela fumaça é o destaque da primeira etapa do projeto, que tem por objetivo documentar o bioma durante uma década, de 2020 a 2030. A exposição ficará aberta ao público em geral, no hall de entrada da PGJ, até o dia 11 de novembro.

“Quero agradecer ao Ministério Público pela oportunidade de trazer para vocês um pouco do que foi essa devastação no Pantanal. E dizer que a segunda fase do projeto Pantanal+10 irá tratar da questão hídrica”, contou o fotógrafo e idealizador da iniciativa, José Medeiros. Para ele, o projeto vem conscientizar a sociedade sobre os reais impactos negativos que a ação humana traz para o planeta.

Programação – Após a abertura, foi realizado o primeiro painel, com o tema “Bacias Hidrográficas”. Na sequência, o debate foi sobre “Crimes e infrações administrativas ambientais”. No período da tarde, as mesas serão sobre “Meio Ambiente Urbano” e “Justiça Socioambiental”.

Fonte: MP MT

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Mato Grosso

Mudança no Estatuto da AMM propõe mudanças sobre calendário eleitoral e representatividade dos prefeitos

A Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Hemerson Lourenço Máximo, o Maninho, para esta terça-feira (4), promete colocar em discussão um dos temas mais relevantes da gestão da entidade: a possível alteração do Estatuto Social, incluindo mudanças nas regras do processo eleitoral da associação.

Além de deliberar sobre o projeto de reforma da sede da AMM, os prefeitos associados analisarão propostas de alteração dos artigos 14, 15, 25 e 39 do Estatuto. Embora o edital de convocação detalhe quais dispositivos serão modificados, o conteúdo das alterações será apresentado durante a assembleia.

O principal ponto de debate é a possibilidade de antecipação das eleições da diretoria da entidade para o segundo semestre deste ano.

Os argumentos favoráveis à mudança

Defensores da alteração avaliam que o Estatuto deve ser um instrumento flexível, capaz de se adaptar às necessidades institucionais da AMM e às demandas dos municípios.

Na avaliação de apoiadores da proposta, antecipar o processo eleitoral pode trazer previsibilidade administrativa, permitindo que a futura diretoria tenha mais tempo para organizar sua equipe, elaborar o planejamento estratégico e preparar a transição antes do início do mandato.

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Outro argumento é que o próprio Estatuto prevê que suas regras possam ser alteradas pela Assembleia Geral, considerada a instância máxima de deliberação da entidade. Nesse entendimento, qualquer mudança aprovada pela maioria dos prefeitos presentes refletirá uma decisão coletiva e democrática dos associados.

Há ainda quem sustente que discutir o calendário eleitoral não significa comprometer a legitimidade da futura gestão.

Para esse grupo, o mais importante é que todas as regras sejam debatidas, aprovadas em assembleia e aplicadas de forma transparente, independentemente da data escolhida para a eleição.

Também pesa o argumento da continuidade administrativa. Segundo defensores da proposta, uma eleição realizada com antecedência pode reduzir o período de indefinição política dentro da entidade, permitindo que a nova diretoria participe da preparação das principais pautas municipalistas para o ano seguinte.

As críticas à proposta

O ex-presidente da AMM e ex-prefeito de Primavera do Leste, Leonardo Bortolin (MDB), manifestou preocupação com uma eventual alteração no calendário eleitoral.

Na avaliação de Bortolin, um eventual retorno ao modelo anterior poderia permitir que gestores em fim de mandato participassem da definição da direção da entidade para um período em que já não estarão mais à frente de seus municípios.

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Para os críticos, esse modelo reduziria a representatividade dos prefeitos que efetivamente exercerão seus mandatos durante a gestão da próxima diretoria da AMM.

Decisão caberá aos prefeitos

Independentemente das posições favoráveis ou contrárias, a decisão será tomada pelos próprios prefeitos associados durante a Assembleia Geral Extraordinária, órgão máximo de deliberação da entidade.

Caso as alterações estatutárias sejam aprovadas pelo quórum previsto no Estatuto Social, as novas regras passarão a orientar o funcionamento institucional da AMM, incluindo, eventualmente, o calendário das próximas eleições.

O debate evidencia duas visões distintas sobre a governança da associação. De um lado, há quem defenda maior flexibilidade para adequar o Estatuto às necessidades administrativas da entidade.

De outro, gestores sustentam que o modelo atual fortalece a legitimidade da representação municipalista ao assegurar que a diretoria seja escolhida pelos prefeitos que exercerão efetivamente seus mandatos.

A expectativa é que a assembleia esclareça o alcance das alterações propostas e permita que os prefeitos deliberem sobre o futuro da principal entidade representativa dos municípios de Mato Grosso.

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