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Mato Grosso

Adoção e o poder de mudar vidas: João, Maria e Ana

Você já foi surpreendido ao descobrir que uma criança foi adotada, mas que pela semelhança física com a mãe ou o pai poderia carregar os genes da família, de tão parecida? A Adoção tem dessas também. Une pessoas com características totalmente diferentes e em alguns casos parecidas. A advogada Maria Rita Rocha Bernardon, 27 anos, nascida em Várzea Grande, é a filha do meio da família. João Paulo com 28 anos e a irmã mais nova, Ana Regina, com 26 anos, são os filhos adotivos da advogada e servidora pública aposentada, Lindacir Rocha Bernardon. “Algumas vezes fomos questionadas. Inclusive eu e a minha mãe, temos uma marca na nuca, exatamente igual. É incrível”, disse Maria Rita que está grávida e pretende adotar.
 
Desde 2019, Maria Rita mora nos Estado Unidos. Atualmente na Flórida (EUA) ela estuda um curso equivalente ao de assessor jurídico. “Vim para fazer um estágio voluntário em um escritório de imigração no Estado de Massachusetts. Iniciei o curso para compreender melhor a jurisdição americana. Pretendo seguir no Direito Internacional e a ajudar pessoas na Adoção. Como minha mãe fez e faz”, afirma Maria Rita. Sua mãe é uma das fundadoras da Associação Mato-Grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (Ampara).
 
Ela foi adotada com um ano e três meses. Veio de uma família com oito irmãos e foi abandonada aos 15 dias de vida. “Pra mim foi mais tranquilo a adaptação, mas mesmo assim nós três tínhamos traumas, sem saber o porquê, de onde viemos… tínhamos inúmeras diferenças, mas vivíamos algo tão lindo. Independente de nossas diferenças somos tão unidos e é um laço que construímos, que é muito forte. Vivi muito a experiência da minha irmã e isso me ajudou também. Iniciei um estágio muito cedo na própria Ampara. Aprendi muito sobre as crianças institucionalizadas e também tive contato com os pretendentes à Adoção. A dor da espera, a angústia, tudo isso foi me moldando e trazendo à tona minha realidade. Eu tinha sido privilegiada. E todas as crianças que estão em processos de Adoção também tem a perspectiva de uma vida melhor. O estágio na Ampara foi um divisor de águas pra mim. Toquei uma realidade que fazia parte de minha história e que ao mesmo tempo estava distante”, revelou.
 
Quando ela tinha oito anos a família biológica entrou em contato querendo se aproximar e foi um período de tensão. “Lembro-me disso claramente. Tínhamos o mesmo sangue, viemos do mesmo ventre, mas a minha família era a que tinha me adotado. Não tinha mais laços com a família biológica. Foram dois momentos da minha vida que foram muito marcantes que me fizeram tornar a pessoa que sou hoje. A Adoção foi o que me fez seguir este caminho. Desde minha infância que minha família explica que somos adotadas. Toda essa luta que envolvia a minha história de vida que me propiciou a família incrível que me fez querer lutar e crescer. Se hoje eu tenho um olhar mais delicado, mais acolhedor, tem haver com minha história de vida. Para quem ainda tem dúvidas ou não conhece bem o tema Adoção eu peço que não perca a fé. O amor é uma fonte inesgotável e única que pode gerar mudanças imensas na vida do ser humano”, considerou Maria Rita.
 
Ana Regina – Formada em Publicidade, atualmente ela trabalha em uma concessionária de carros. A mais nova da família, chegou mais velha, com quase seis anos. “Convivi com minha mãe biológica e ela me batia muito, até que um dia uma vizinha me levou para o abrigo. Ela queria me tirar daquele ciclo de violência. Pra mim foi melhor. Quando eu cheguei para minha mãe, já vinha de três devoluções. Na minha cabeça somente bebês eram adotados. Eu queria sempre testar a pessoa que estava comigo para ver o limite. Então já cheguei revirando a casa de ponta à cabeça. Mas meu sonho era ter uma mãe, um pai e irmãos. Nesse meio tempo acabamos perdendo meu pai. Acreditei que minha mãe me devolveria, afinal de contas ela estava com três crianças. Mas no dia 12 de novembro de 2002, saiu a sentença. Eu me recordo quando ela disse que agora eu era dela e que éramos uma família. Eu mudei da água para o vinho. Tive a certeza que daria certo. Vim com muitas dores e sofrimentos. Era agressiva, passei muitas dificuldades. Mas minha mãe sabia que o amor me mudaria. E ela venceu. Nós vencemos. Tudo o que sou, devo a ela. Pela paciência pelo amor e este amor, nós construímos. Ela dizia que tinha amor disponível e nós construímos essa relação”, disse Ana.
 
Ela se casou e está construindo a família. “Tenho vontade de ter filhos biológicos e quero adotar uma criança mais velha também. Pelo mesmo fato de eu ter tido esta oportunidade talvez. Sempre que eu puder ajudar nesta questão, vou ajudar. Eu sei que o amor é capaz de mudar tudo. Não nasci da barriga da minha mãe, mas nasci pra minha mãe. Nasci a cara dela. Eu acho. Ela tinha que me encontrar no mundo pra eu ser filha dela. O amor e a convivência fazem a gente ficar parecidos. Quem se olha muito, acaba se descobrindo muito parecido. Ao pensar em Adoção, sei que o tema é cercado de muitas dores e sofrimentos, mas se você tem amor disponível, acredite, ele muda. Constrói laços e sou prova viva disso. Tenha disponibilidade para amar uma criança ou adolescente e tenha pulso firme. Vocês serão felizes”, indicou Ana Regina.
 
Mãe – Uma família que começou há muito tempo antes. A advogada Lindacir Rocha Bernardon sempre quis ser mãe. “A minha primeira adoção foi em razão da infertilidade. Eu queria um filho, queria ser mãe e assim roguei a Deus. Naquela época a legislação era diferente, não havia cadastro, fila. Achamos uma criança e conseguimos fazer todos os trâmites necessários. Com a minha segunda filha, a motivação era o desejo de ter também uma menina e que fossem dois, pois eu pensava que filho único seria muito ruim para ele. Já a terceira filha, a motivação foi completamente diferente, pois era uma menina de seis anos, nunca havia ido à escola, sofreu violência física, já havia passado por outras famílias e então resolvemos acolhê-la, dar amor e contribuir para aliviar seu sofrimento”, revelou Lindacir.
 
Adoção é um tema que faz parte da vida dela há mais de 30 anos. “Adotar é ser pai ou mãe, o que se realiza pela fertilidade emocional, afetiva e espiritual. Aprendi com Halia Pauliv (mãe e avó por adoção) tal conceito e é isso que ensino em meus grupos de amizade, de trabalho, etc, este é o tripé de sustentação para a Adoção bem sucedida. A adoção traz imensas alegrias e também muitos desafios, razão pela qual devemos estar preparados emocionalmente, afetivamente e na certeza de um ser superior que permite esses encontros de almas que colaboram para vencer todas as dores e ressignificar a vida”.
 
 
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição de imagem: 
Foto 1: colorida. Maria Rita, João Paulo, Lindacir e Ana Regina. Os quatro estão em uma sacada de apartamento a noite. Ao fundo parecem luzes dos prédios vizinhos. Eles olham para a câmera e estão sorrindo.   
Foto 2: colorida. Em pé estão o marido e Maria Rita. À esquerda ele a abraça e ambos seguram a barriga dela, que está grávida. Estão sorrindo.  
Foto 3: colorida. Maria Rita à esquerda e Ana Regina à direita. Ainda crianças, ambas estão sentadas no colo do pai, já falecido.   
Foto 4: colorida. A família está em um salão de festas. Todos em pé, de mãos dadas. Da esquerda para direita, João Paulo de terno, Maria Rita de vestido azul, o marido de Ana Regina e ela de vestido de noiva. Na sequência, Lindacir de vestido azul escuro e o atual marido dela, Carlos.
 
 
Leia as matérias da série Adoção e o poder de mudar vidas:
 
 
 
 
Ranniery Queiroz  
Assessor de imprensa CGJ
 
 
 
 
 

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Cidades

Mato Grosso deixa de destruir maquinários apreendidos e passa a destiná-los aos municípios

Mato Grosso deu um passo importante na política ambiental ao adotar uma nova destinação para maquinários apreendidos em fiscalizações. A partir de agora, os equipamentos não serão mais destruídos, mas repassados às prefeituras para utilização em obras e na manutenção de estradas, principalmente nas regiões que atendem a agricultura familiar.

A mudança foi formalizada por meio de um memorando de intenções firmado pela Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), em parceria com o Governo do Estado, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) e o Ministério Público Estadual.

A iniciativa representa uma mudança de paradigma na gestão dos bens apreendidos, transformando equipamentos que antes eram inutilizados em ferramentas de apoio ao desenvolvimento local. Na prática, os maquinários passam a contribuir diretamente com a infraestrutura dos municípios, fortalecendo o escoamento da produção e o atendimento às comunidades rurais.

Segundo o presidente da AMM, Hemerson Máximo, conhecido como Maninho, a medida é resultado da atuação conjunta da entidade com os municípios e demonstra que é possível alinhar preservação ambiental com desenvolvimento econômico.

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“Estamos transformando o que antes era perdido em benefício direto para a população. Proteger o meio ambiente e defender Mato Grosso caminham juntos”, destacou.

Com a iniciativa, o estado busca dar mais eficiência à política ambiental, ao mesmo tempo em que reforça a estrutura dos municípios e amplia o apoio à agricultura familiar.

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