Justiça
Servidores fazem “vaquinha” para comprar materiais básicos nos postos de saúde em cidade de MT
A saúde no município está em situação precária há pelo menos 18 meses, mas a condição se intensificou há 120 dias, quando os trabalhadores tiveram que criar as vaquinhas.
Os servidores da rede municipal têm passado sufoco com a precariedade do sistema de saúde em Diamantino (181 km de Cuiabá). Há meses, os trabalhadores vêm lidando com a falta de equipamentos adequados e insumos básicos para atender a população nas unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF) e vêm fazendo “vaquinhas” para comprar itens até mesmo de higiene.
Além da escassez de itens como papel higiênico, sabão séptico e material de limpeza, os servidores denunciam ainda a falta de funcionários no hospital da cidade e problemas com veículos da secretaria de Saúde, que transportam pacientes que necessitam de Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
A saúde no município está em situação precária há pelo menos 18 meses, segundo um servidor que não quis se identificar. A condição se intensificou há 120 dias, quando os trabalhadores do ESF Pedregal, em Diamantino, tiveram que criar vaquinhas para comprar, além dos itens de limpeza, café e açúcar.
Servidores relataram ao RepórterMT que os próprios pacientes chegaram a colaborar com a vaquinha do ESF Pedregal, levando papel higiênico e sabonete. Conforme o relato, é comum que a equipe de limpeza precise comprar itens de higienização, pois não é enviado pelo almoxarifado ou enviado em quantidade insuficiente.
Por meio de nota, a Prefeitura de Diamantino informou que “cada ESF fica responsável por encaminhar um relatório solicitando os materiais de limpeza e higiene, então o Almoxarifado atende conforme a demanda de cada unidade de saúde”.
A queixa dos servidores se estende ainda a computadores com defeito, sem previsão de conserto, pilhas de lixo no fundo da unidade e a concentração de animais peçonhentos devido à falta de limpeza.
Veículos da Secretaria Municipal de Saúde foram alvo de apreensão da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no dia 18 de outubro.
A van que transportava pacientes que realizam hemodiálise em Cuiabá foi apreendida pela PRF, na BR-163, posto Gil, enquanto voltava para Diamantino. De acordo com prefeitura, o caso ocorreu devido à placa do veículo, que estava pouco legível. Os pacientes tiveram que ser transferidos para outra van.
De acordo com os servidores, que criaram um grupo de WhatsApp para reunir as denúncias, não é a primeira vez que um veículo da secretaria é apreendido. A situação teria ocorrido pela primeira vez em 28 de agosto, devido a um suposto atraso na documentação.
A respeito da recente apreensão, a Secretaria Municipal de Saúde informou que já havia agendado a troca da placa, no entanto não foi possível devido “ao sistema utilizado pelo órgão estar temporariamente fora do ar”.
A Prefeitura informou ao RepórterMT que iniciou uma vistoria em todas as unidades de saúde do município para verificar a situação dos materiais e insumos nas unidades. Na ESF Pedregal, no entanto, os materiais de limpeza e higiene já foram repostos, informou.
“Reforçamos o compromisso em ofertar espaços adequados e seguros para desenvolvimento pleno dos atendimentos, bem como serviços de qualidade à população e se coloca à disposição para esclarecimentos”, reiterou a prefeitura.
CHRISTINNY DOS SANTOS
DO REPÓRTER MT
Cibercrime
TJMT aciona Polícia Federal e Polícia Civil após ataque cibernético que tirou sistemas do ar
Incidente de segurança levou à suspensão de prazos processuais, cancelamento de sessões e redefinição de senhas; Tribunal afirma que, até o momento, não há indícios de acesso indevido a dados sensíveis
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao incidente de segurança que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, indisponíveis desde segunda-feira (21).
A Polícia Federal foi comunicada porque um dos sistemas afetados possui integração com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil deverá atuar diretamente na apuração do ataque e de eventuais tentativas de acesso indevido a informações.
A medida adotada pela Presidência do Tribunal busca preservar a segurança dos dados de servidores, magistrados e demais usuários dos sistemas judiciais.
Credenciais de usuários foram acessadas
Segundo informações divulgadas pelo próprio Tribunal, o incidente foi identificado na segunda-feira. Durante as primeiras análises, a equipe técnica verificou que houve acesso a credenciais de usuários da rede.
O TJMT ressaltou, entretanto, que logins e senhas permanecem protegidos por criptografia.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Tribunal informou que, até o momento, não foram encontradas evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores ou magistrados, tampouco a decisões judiciais ou aos sistemas de backup.
Como medida preventiva, toda a infraestrutura tecnológica está passando por uma ampla varredura de segurança. As senhas dos usuários também estão sendo redefinidas.
Suspeita envolve malote judiciário digital
Uma das linhas analisadas é de que o incidente possa ter ocorrido por meio de um malote judiciário digital encaminhado por um órgão oficial ao Tribunal.
A hipótese ainda está sob investigação e deverá ser analisada pelas equipes técnicas e policiais responsáveis pela apuração.
O Processo Judicial Eletrônico (PJe) e os demais sistemas do TJMT foram desligados preventivamente para evitar eventuais riscos adicionais.
Apesar da indisponibilidade, os sistemas já passam por testes para que o restabelecimento seja realizado de forma segura.
O Tribunal informou que as análises continuam sendo conduzidas por equipes especializadas, com apoio de parceiros técnicos.
“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, informou o TJMT.
Prazos processuais foram suspensos
Em razão da indisponibilidade dos sistemas, o Tribunal de Justiça prorrogou até esta sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais.
A medida alcança processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus.
Durante o período, permanecem indisponíveis serviços como:
- peticionamento eletrônico;
- consulta processual;
- acesso a sistemas externos;
- atendimento regular ao público;
- sessões que dependam dos sistemas afetados.
Parte das sessões previstas para o período foi cancelada ou adiada.
A suspensão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.
Serviços urgentes continuam funcionando
Apesar da paralisação dos sistemas, o Judiciário informou que permanecerão mantidos os serviços essenciais, atividades consideradas urgentes e o plantão judiciário.
A suspensão também não se aplica às unidades com competência em execução penal.
Esses processos continuarão tramitando normalmente pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), justamente para evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade.
Segundo a portaria, a manutenção dessas atividades busca garantir a continuidade de decisões urgentes mesmo durante o período de indisponibilidade da estrutura tecnológica principal.
Investigação busca identificar origem e extensão do ataque
A partir do acionamento da Polícia Federal e da Polícia Civil, a investigação deverá buscar identificar a origem do incidente, eventual participação de terceiros e se houve tentativa de obtenção ou utilização indevida de informações.
Também será analisado o caminho utilizado para atingir os sistemas do Judiciário e a extensão real do comprometimento da rede.
Enquanto as investigações avançam, o Tribunal mantém os sistemas externos desligados como medida de precaução.
A expectativa é que a retomada ocorra somente depois que as equipes técnicas considerarem que o ambiente oferece condições adequadas de segurança.
O TJMT reforçou que, até o momento, não existem indícios de comprometimento dos backups nem de utilização indevida dos dados relacionados ao incidente, mas as análises continuam em andamento.
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