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Justiça

‘Guia espiritual’ preso por abusar mulheres em terreiro é advogado e trabalha na Câmara em MT

   O guia espiritual preso nesta terça-feira (5) acusado de abusar de pelo menos 7 mulheres em um terreiro localizado em Cuiabá foi identificado como Luiz Antônio Rodrigo da Silva, de 49 anos. De acordo com informações apuradas pelo Olhar Direto, Luiz é advogado e trabalha no cargo de controlador interno na Câmara Municipal de Santo Antônio de Leverger (38 km de Cuiabá).

O Olhar Direto entrou em contato com a casa apontada como sendo o local onde supostamente teriam acontecido os abusos. Uma atendente afirmou que o local pertence a Luiz. Quando questionada se ela tinha conhecimento das acusações e da prisão dele, a mulher respondeu que “foi pega de surpresa”. A defesa do advogado na foi localizada.

Ele teve o mandado de prisão preventiva cumprido pela polícia em ação da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) de Cuiabá. As investigações iniciaram após as vítimas procurarem a Delegacia da Mulher de Cuiabá relatando os abusos sofridos. Segundo informações, o suspeito utilizava o Tik-Tok para atrair as vítimas para sua “tenda religiosa”, prometendo amparo espiritual.

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No boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, as vítimas detalham os abusos. Segundo um dos relatos, o homem costumava utilizar de sua autoridade espiritual para cometer os abusos, como passar a mão sobre o corpo das vítimas, além de solicitar realização de chamadas de vídeo e que elas enviassem fotos nuas.

Outra vítima afirmou que, sempre que estava em atendimento, uma entidade incorporada por Luiz, identificada como Zé Pilantra, sempre passava as mãos pelo seu corpo e elogiava seus glúteos. Essa mesma mulher relatou ainda que numa conversa via WhatsApp, a entidade incorporada pelo advogado solicitou uma foto dela de calcinha, pois ele não sabia o que seria uma calcinha modelo fio dental.

Uma das vítimas abusadas por Luiz é uma garota menor de idade. Segundo o boletim de ocorrência, o abuso foi consumado em um motel de Cuiabá. As vítimas declararam, também, que Luiz possui duas mulheres de sua confiança, e que elas são suas amantes e sabem dos acontecimentos, assim como de todas as práticas que Luiz realiza com as mulheres.

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O registro da ocorrência menciona que essas duas mulheres utilizaram essas informações para chantagear as vítimas. Segundo o B.O, uma dessas duas mulheres chegou a enforcar uma das vítimas por ciúmes do advogado.

À Polícia Civil, as autoras do boletim de ocorrência afirmaram que o número de vítimas pode chegar a 20. De acordo com elas, Luiz é conhecido por abrir muitos terreiros em curtos períodos de tempo e fechá-los à medida que as práticas de abusos são descobertas. As mulheres enfatizaram que não se sentem seguras devido ao fato de Luiz ser advogado e fazer ameaças contra elas. Por fim, disseram que desejam representar criminalmente contra o homem.

A delegada titular da DEDM, Judá Marcondes, acredita que com a prisão do guia espiritual, novas vítimas devem aparecer. “Possivelmente, há outras vítimas que sofreram abusos durante supostos atendimentos espirituais e que serão encorajadas a fazer novas denúncias contra o investigado”, disse a delegada.

Rodrigo Costa/Olhar Direto

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Cibercrime

TJMT aciona Polícia Federal e Polícia Civil após ataque cibernético que tirou sistemas do ar

 

Incidente de segurança levou à suspensão de prazos processuais, cancelamento de sessões e redefinição de senhas; Tribunal afirma que, até o momento, não há indícios de acesso indevido a dados sensíveis

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao incidente de segurança que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, indisponíveis desde segunda-feira (21).

A Polícia Federal foi comunicada porque um dos sistemas afetados possui integração com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil deverá atuar diretamente na apuração do ataque e de eventuais tentativas de acesso indevido a informações.

A medida adotada pela Presidência do Tribunal busca preservar a segurança dos dados de servidores, magistrados e demais usuários dos sistemas judiciais.

Credenciais de usuários foram acessadas

Segundo informações divulgadas pelo próprio Tribunal, o incidente foi identificado na segunda-feira. Durante as primeiras análises, a equipe técnica verificou que houve acesso a credenciais de usuários da rede.

O TJMT ressaltou, entretanto, que logins e senhas permanecem protegidos por criptografia.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Tribunal informou que, até o momento, não foram encontradas evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores ou magistrados, tampouco a decisões judiciais ou aos sistemas de backup.

Como medida preventiva, toda a infraestrutura tecnológica está passando por uma ampla varredura de segurança. As senhas dos usuários também estão sendo redefinidas.

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Suspeita envolve malote judiciário digital

Uma das linhas analisadas é de que o incidente possa ter ocorrido por meio de um malote judiciário digital encaminhado por um órgão oficial ao Tribunal.

A hipótese ainda está sob investigação e deverá ser analisada pelas equipes técnicas e policiais responsáveis pela apuração.

O Processo Judicial Eletrônico (PJe) e os demais sistemas do TJMT foram desligados preventivamente para evitar eventuais riscos adicionais.

Apesar da indisponibilidade, os sistemas já passam por testes para que o restabelecimento seja realizado de forma segura.

O Tribunal informou que as análises continuam sendo conduzidas por equipes especializadas, com apoio de parceiros técnicos.

“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, informou o TJMT.

Prazos processuais foram suspensos

Em razão da indisponibilidade dos sistemas, o Tribunal de Justiça prorrogou até esta sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais.

A medida alcança processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus.

Durante o período, permanecem indisponíveis serviços como:

  • peticionamento eletrônico;
  • consulta processual;
  • acesso a sistemas externos;
  • atendimento regular ao público;
  • sessões que dependam dos sistemas afetados.

Parte das sessões previstas para o período foi cancelada ou adiada.

A suspensão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.

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Serviços urgentes continuam funcionando

Apesar da paralisação dos sistemas, o Judiciário informou que permanecerão mantidos os serviços essenciais, atividades consideradas urgentes e o plantão judiciário.

A suspensão também não se aplica às unidades com competência em execução penal.

Esses processos continuarão tramitando normalmente pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), justamente para evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade.

Segundo a portaria, a manutenção dessas atividades busca garantir a continuidade de decisões urgentes mesmo durante o período de indisponibilidade da estrutura tecnológica principal.

Investigação busca identificar origem e extensão do ataque

A partir do acionamento da Polícia Federal e da Polícia Civil, a investigação deverá buscar identificar a origem do incidente, eventual participação de terceiros e se houve tentativa de obtenção ou utilização indevida de informações.

Também será analisado o caminho utilizado para atingir os sistemas do Judiciário e a extensão real do comprometimento da rede.

Enquanto as investigações avançam, o Tribunal mantém os sistemas externos desligados como medida de precaução.

A expectativa é que a retomada ocorra somente depois que as equipes técnicas considerarem que o ambiente oferece condições adequadas de segurança.

O TJMT reforçou que, até o momento, não existem indícios de comprometimento dos backups nem de utilização indevida dos dados relacionados ao incidente, mas as análises continuam em andamento.

 

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