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Justiça

“Mulher do Buchudo”: Justiça concede prisão domiciliar a chefe de facção para cuidar das filhas

A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso concedeu habeas corpus e substituiu a prisão preventiva de Ingride Fontinelles Morais por prisão domiciliar. Conhecida como “Mulher do Buchudo”, ela responde à ação penal por organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da operação Follow The Money.

A decisão foi proferida em 3 de fevereiro de 2026 e considerou a situação de completo desamparo das duas filhas da acusada, de 5 e 2 anos. Segundo o acórdão, Ingride é a única e exclusiva responsável legal pelas crianças. O pai está preso, a avó materna também se encontra privada de liberdade, uma tia está foragida e a avó paterna, idosa, não possui condições de assumir os cuidados das netas.

Relator do habeas corpus, o desembargador Rui Ramos Ribeiro destacou que a manutenção da prisão preventiva imporia às crianças um ônus desproporcional, em afronta ao princípio da intranscendência da pena, que veda a extensão da punição a terceiros. Para o colegiado, a medida atingiria diretamente o direito das crianças à convivência familiar e ao desenvolvimento adequado.

O julgamento foi unânime e considerou que, por se tratar de crimes sem violência ou grave ameaça, e inexistirem circunstâncias excepcionais, deve prevalecer a regra prevista no artigo 318, inciso V, do Código de Processo Penal, que autoriza a substituição da prisão preventiva por domiciliar para mulheres com filhos menores de 12 anos. A decisão também citou o dever constitucional de proteção integral à criança e ao adolescente, previsto no artigo 227 da Constituição Federal, além da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmada no habeas corpus coletivo 143.641.

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Conforme o acórdão, Ingride estava presa preventivamente desde 3 de agosto de 2025, após ser capturada no Rio de Janeiro. A Câmara ressaltou que medidas cautelares diversas da prisão, como monitoramento eletrônico, são suficientes para assegurar a aplicação da lei penal e a regular instrução criminal, sem transferir às crianças os efeitos da custódia.

Com a concessão da ordem, a acusada deverá cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições, como a proibição de sair de casa sem autorização judicial e de manter contato com testemunhas do processo. O cumprimento das medidas será fiscalizado pelo juízo responsável pela ação penal na comarca de Sinop, que poderá reavaliar o benefício em caso de descumprimento ou alteração da situação familiar.

Ingride Fontinelles e Priscila Moreira Janis, conhecida como “Mana Isa”, apontadas como lideranças de uma facção criminosa que atua em Sorriso, foram presas em um shopping em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Elas estavam foragidas há quase dois anos e foram capturadas em uma operação conjunta da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil de Mato Grosso, com apoio da 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana (RJ).

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Segundo a Polícia Civil, Priscila se tornou a principal liderança da facção em Sorriso em 2022 e sua personalidade violenta teria causado uma ruptura no grupo, levando à criação de uma facção rival e a uma série de mortes na cidade. Mesmo foragidas no Rio de Janeiro, as duas continuavam a ordenar crimes em Mato Grosso. Ingride foi presa por organização criminosa e tráfico de drogas, enquanto Priscila foi presa por organização criminosa e homicídio.

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Cibercrime

TJMT aciona Polícia Federal e Polícia Civil após ataque cibernético que tirou sistemas do ar

 

Incidente de segurança levou à suspensão de prazos processuais, cancelamento de sessões e redefinição de senhas; Tribunal afirma que, até o momento, não há indícios de acesso indevido a dados sensíveis

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, acionou a Polícia Federal e a Polícia Civil para investigar possíveis crimes cibernéticos relacionados ao incidente de segurança que atingiu os sistemas do Judiciário mato-grossense, indisponíveis desde segunda-feira (21).

A Polícia Federal foi comunicada porque um dos sistemas afetados possui integração com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Já a Polícia Civil deverá atuar diretamente na apuração do ataque e de eventuais tentativas de acesso indevido a informações.

A medida adotada pela Presidência do Tribunal busca preservar a segurança dos dados de servidores, magistrados e demais usuários dos sistemas judiciais.

Credenciais de usuários foram acessadas

Segundo informações divulgadas pelo próprio Tribunal, o incidente foi identificado na segunda-feira. Durante as primeiras análises, a equipe técnica verificou que houve acesso a credenciais de usuários da rede.

O TJMT ressaltou, entretanto, que logins e senhas permanecem protegidos por criptografia.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (23), o Tribunal informou que, até o momento, não foram encontradas evidências de acesso a outros dados pessoais de servidores ou magistrados, tampouco a decisões judiciais ou aos sistemas de backup.

Como medida preventiva, toda a infraestrutura tecnológica está passando por uma ampla varredura de segurança. As senhas dos usuários também estão sendo redefinidas.

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Suspeita envolve malote judiciário digital

Uma das linhas analisadas é de que o incidente possa ter ocorrido por meio de um malote judiciário digital encaminhado por um órgão oficial ao Tribunal.

A hipótese ainda está sob investigação e deverá ser analisada pelas equipes técnicas e policiais responsáveis pela apuração.

O Processo Judicial Eletrônico (PJe) e os demais sistemas do TJMT foram desligados preventivamente para evitar eventuais riscos adicionais.

Apesar da indisponibilidade, os sistemas já passam por testes para que o restabelecimento seja realizado de forma segura.

O Tribunal informou que as análises continuam sendo conduzidas por equipes especializadas, com apoio de parceiros técnicos.

“Até o momento, não foram identificados indícios de uso indevido de dados decorrentes do incidente investigado, nem indícios de comprometimento dos mecanismos de backup do Tribunal”, informou o TJMT.

Prazos processuais foram suspensos

Em razão da indisponibilidade dos sistemas, o Tribunal de Justiça prorrogou até esta sexta-feira (25) a suspensão dos prazos processuais.

A medida alcança processos físicos e eletrônicos de primeiro e segundo graus.

Durante o período, permanecem indisponíveis serviços como:

  • peticionamento eletrônico;
  • consulta processual;
  • acesso a sistemas externos;
  • atendimento regular ao público;
  • sessões que dependam dos sistemas afetados.

Parte das sessões previstas para o período foi cancelada ou adiada.

A suspensão foi formalizada por meio de portaria assinada pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.

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Serviços urgentes continuam funcionando

Apesar da paralisação dos sistemas, o Judiciário informou que permanecerão mantidos os serviços essenciais, atividades consideradas urgentes e o plantão judiciário.

A suspensão também não se aplica às unidades com competência em execução penal.

Esses processos continuarão tramitando normalmente pelo Sistema Eletrônico de Execução Unificado (SEEU), justamente para evitar prejuízos às pessoas privadas de liberdade.

Segundo a portaria, a manutenção dessas atividades busca garantir a continuidade de decisões urgentes mesmo durante o período de indisponibilidade da estrutura tecnológica principal.

Investigação busca identificar origem e extensão do ataque

A partir do acionamento da Polícia Federal e da Polícia Civil, a investigação deverá buscar identificar a origem do incidente, eventual participação de terceiros e se houve tentativa de obtenção ou utilização indevida de informações.

Também será analisado o caminho utilizado para atingir os sistemas do Judiciário e a extensão real do comprometimento da rede.

Enquanto as investigações avançam, o Tribunal mantém os sistemas externos desligados como medida de precaução.

A expectativa é que a retomada ocorra somente depois que as equipes técnicas considerarem que o ambiente oferece condições adequadas de segurança.

O TJMT reforçou que, até o momento, não existem indícios de comprometimento dos backups nem de utilização indevida dos dados relacionados ao incidente, mas as análises continuam em andamento.

 

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