Justiça
MT: Preso é absolvido e espera 1 ano e meio para sair da cadeia após Oficial de Justiça errar endereço de presídio

Falha do sistema prisional e da Justiça deixam homem “esquecido” em cadeia por quase cinco anos, mesmo após ter sido absolvido. Graças ao erro, o jardineiro João Paulo de Amorim Jesus, 28, não tem mais a casa onde convivia com a mulher e as filhas que hoje têm 8 e 9 anos. A esposa cansou de esperar e se casou novamente e hoje João Paulo mora com a avó de 72 anos, a única que não o abandonou durante o período que ficou preso indevidamente.
Ele deixou a prisão no último dia 5 de maio, após intervenção da Defensoria Pública. Ele lembra que no dia anterior procurou o defensor público André Rossignolo, que fazia uma das visitas de rotina ao Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos, em Várzea Grande. Ao questionar o motivo pelo qual não conseguia abater de sua pena os dois anos de trabalho, descobriu que não deveria mais estar lá.
Isso porque, desde o dia 17 de outubro de 2022, ele e outros dois acusados pelo crime de homicídio qualificado foram impronunciados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por falta de provas. O alvará de soltura foi encaminhado à Penitenciária Central do Estado (PCE) no dia 10 de novembro de 2022. João já havia questionado outros defensores porque um dos outros acusados tinha deixado a cadeia e ele continuava lá.
Em novembro de 2023, foi levado a júri por outra tentativa de homicídio e inocentado. Na ocasião, a juíza havia dito que se não fosse a outra prisão, ele poderia ter deixado o fórum naquele momento. Segundo o defensor André Rossignolo, o alvará de soltura, assinado no dia 8 de novembro, não foi cumprido, pois João não estava mais na PCE. Ele foi transferido para o Complexo Penitenciário Ahmenon no dia 29 de setembro.
A falha foi a não informação da transferência pelo Sistema Penitenciário à 12ª Vara Criminal da Capital que, por sua vez, deixou de acompanhar a ação penal que era mantida em sigilo de Justiça. Agora, desfrutando dos primeiros dias em liberdade, João Paulo se reaproxima das filhas e tenta reconstruir a vida, procurando trabalho, com o apoio da avó.
Decidiu que vai acionar o estado, buscando uma indenização. Acredita que a situação enfrentada por ele deve se repetir com outros presos “invisíveis” no universo de mais de 11 mil custodiados do Estado.
Fonte: JKNoticias
Justiça
Julgamento sobre “cura gay” sai do virtual e vai ao plenário do STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, decidiu transferir para o plenário físico o julgamento que discute a legalidade de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe práticas conhecidas como “cura gay” e restringe o uso de fundamentos religiosos na atuação profissional de psicólogos.
A análise, que estava ocorrendo no ambiente virtual, será retomada presencialmente após o pedido de destaque feito por Fachin. O caso envolve duas ações diretas de inconstitucionalidade que tratam de pontos opostos sobre a norma editada em 2023.
De um lado, o partido Novo e o Instituto Brasileiro de Direito e Religião questionam a regra, alegando que ela fere a liberdade de crença e de expressão dos profissionais. Do outro, o PDT defende a validade da resolução, argumentando que a medida não impede manifestações religiosas, mas estabelece limites claros para evitar que convicções pessoais interfiram no atendimento psicológico.
A norma do CFP veda a chamada terapia de conversão sexual e reforça que o exercício da psicologia deve seguir critérios científicos reconhecidos, sem substituição por crenças religiosas. Para os defensores da resolução, a flexibilização poderia abrir espaço para práticas já amplamente criticadas por entidades médicas e científicas.
Antes da suspensão do julgamento, o relator Alexandre de Moraes votou pela validade da norma. Ele entendeu que a resolução não viola a liberdade religiosa, mas garante a proteção dos pacientes e reafirma o caráter laico do Estado, ao impedir tratamentos sem base científica.
Com a ida ao plenário físico, o julgamento ganha novo peso dentro da Corte e deve reunir todos os ministros em uma discussão que envolve direitos fundamentais, liberdade religiosa e limites da atuação profissional na área da saúde. Ainda não há data definida para a retomada do caso.
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