Cidades
Desmatamento no Cerrado em 2019 é 2,26% menor que em 2018, mas cresce 15% em unidades de conservação
O desmatamento do Cerrado no período de agosto de 2018 a julho de 2019 ficou 2,26% menor, na comparação com o período anterior, mas aumentou 15% dentro de unidades de conservação. O bioma corresponde a 24% do território nacional e abrange os estados da Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Paraná, Rondônia, São Paulo, Tocantins, e também o Distrito Federal.
Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento (Prodes) do Cerrado, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Eles são considerados a taxa oficial de desmatamento do bioma, divulgada uma vez por ano. Na Amazônia, o desmatamento no mesmo período teve aumento de 29,5%.
De acordo com o Prodes, foram devastados 6.483,4 km² no Cerrado. Na Amazônia, foram 9.762 km².
Os dados do Inpe mostram também que foram registrados 517,31 km² de desmatamento em unidades de conservação (UCs) no Cerrado. No ano passado, a taxa de desmatamento nas UCs foi de 449,7 Km² – ou seja, um aumento de 15%. Desde 2016, o Brasil não apresentava índices tão altos de desmatamento em UCs nesse bioma, que teve redução após o pico em 2015, e voltou a crescer em 2017 e 2018.
Apesar da leve queda, o Cerrado perde uma cidade de Londres a cada três meses. De acordo com a WWF, o bioma “estabilizou-se em um patamar alto e caminha para um processo de extinção em massa”.
“A série histórica indica estabilização na taxa de destruição do Cerrado nos últimos quatro anos em torno de uma média de 680 mil hectares por ano. Mais da metade da área original do bioma já foi convertido para atividades agropecuárias ou uso urbano, e pesquisas apontam que apenas 20% do remanescente encontra-se em condições saudáveis de conservação. Isso torna o Cerrado uma das áreas naturais mais ameaçadas do planeta”, afirma a WWF.
Diferenças entre o desmatamento na Amazônia e no Cerrado
De acordo com a WWF, o desmatamento nos dois maiores biomas do país ocorrem de modo distinto. Enquanto na Amazônia há terras públicas sem destinação ou proteção do Estado, suscetíveis à invasão de grileiros, no Cerrado a maior parte do desmatamento ocorre em propriedades rurais.
“[São] produtores rurais e grupos empresariais – com destaque às chamadas companhias de terra”, afirma a entidade.
“A estabilização das taxas[de desmatamento] está em parte associada com o fato de que tais companhias começaram a atender ao apelo de seus investidores e compradores quanto às ilegalidades e ao desmatamento, já que o desmatamento zero é uma agenda em rápida consolidação tanto no mercado internacional, como em legislações nacionais e de blocos econômicos”, destaca.
Cerrado
O Cerrado abriga “200 espécies de mamíferos, 800 espécies de ave, 180 de répteis, 150 de anfíbios e 1200 espécies de peixes, que nadam pelas três maiores bacias hidrográficas do continente”, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio.
Este é o segundo maior bioma da América do Sul, mas tem a menor porcentagem de áreas sobre proteção integral. “Apenas 8,21% da área total do território é legalmente protegida com unidades de conservação; uma das razões que fazem do Cerrado o bioma brasileiro que mais sofreu alterações com a ação humana”, afirma o ICMBio.
G1
Cidades
“Beatificação do padre Nazareno torna região Oeste de MT referência religiosa no país”, afirma governador

O governador Otaviano Pivetta afirmou que a beatificação do padre Nazareno Lanciotti projeta Jauru e a região Oeste de Mato Grosso para o país, transformando o município em uma referência para o turismo religioso.
Otaviano participou, neste sábado (13.6), da cerimônia de beatificação realizada em Jauru. O evento reuniu milhares de fiéis, peregrinos e caravanas de diversas regiões do Brasil e da Itália.
“Mato Grosso ganha com esse reconhecimento. A região ganha e Jauru passa a ter uma referência importante para o país. É uma alegria ver esse acontecimento histórico acontecer em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo o governador, além do significado para a comunidade católica, a beatificação também contribui para ampliar a visibilidade da região Oeste.
“A região tem vocação para isso. É uma região muito bonita, cheia de belezas naturais, próxima ao Pantanal. Tem vocação para o turismo e, por que não, para o turismo religioso. Isso vai depender muito dos interesses locais e da dedicação da própria região, mas o Estado tem interesse em apoiar as iniciativas dos municípios e de todas as igrejas, de modo geral”, destacou.
Para Otaviano Pivetta, a beatificação reconhece a trajetória de um religioso que dedicou a vida ao atendimento da população e deixou um legado que permanece vivo na região.
“É o reconhecimento de um mártir da Igreja Católica, de alguém que doou a própria vida para fazer o bem. Para nós, cristãos, é um momento muito importante. A Igreja tem critérios rigorosos para conceder esse reconhecimento e, para mim, é uma alegria e uma feliz coincidência que esse acontecimento histórico esteja acontecendo durante o meu mandato”, ressaltou o governador.
Durante mais de três décadas de atuação em Jauru, padre Nazareno se dedicou ao trabalho pastoral e a ações voltadas ao atendimento da população, tornando-se uma das principais referências religiosas da região.
Padre Nazareno Lanciotti
Nascido na Itália, padre Nazareno Lanciotti chegou ao Brasil na década de 1970 e se estabeleceu em Jauru, onde atuou por mais de 30 anos. Ao longo desse período, desenvolveu ações religiosas, sociais e comunitárias voltadas ao atendimento da população.
Em 2001, foi vítima de um atentado e morreu dias depois. O Vaticano reconheceu oficialmente seu martírio, abrindo caminho para a beatificação realizada neste sábado, em Jauru. A decisão o torna beato da Igreja Católica, etapa que antecede a canonização.
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