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Sorriso, em Mato Grosso, tenta atrair investimento em processadora de soja

Prefeito Ari Lafin se reuniu com executivos da Bunge e investidores interessados em financiar projetos de armazenagem

O prefeito de Sorriso (MT), Ari Lafin, está em São Paulo para negociar a instalação de uma processadora de soja em seu município. Maior produtora de soja do mundo, a cidade teria capacidade para receber pelo menos quatro novas indústrias, segundo ele.

Na mira do prefeito estão as grandes indústrias do setor – entre elas a americana Bunge, com quem Lafin tem um encontro marcado amanhã. Atualmente, a multinacional possui uma unidade de recepção de grãos em Sorriso e três fábricas em outros municípios de Mato Grosso, sendo duas em Rondonópolis e uma em Nova Mutum.

Apesar de deter o título de “capital do agronegócio” e de ser o maior município produtor de soja do mundo, com colheita de mais de 2 milhões de toneladas, Sorriso conta com apenas uma esmagadora, a única fábrica da Caramuru Alimentos fora de Goiás.

“Temos uma região de muita produção. A soja de Sorriso, além de ser esmagada pela Caramuru e agora pela 3tentos (TTEN3), no entroncamento de Vera [a 70 quilômetros], vai para Nova Mutum [a 160 quilòmetros]. E a capacidade dessas esmagadoras já está nos limites”, afirmou Lafin.

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Ari Lafin, prefeiro de Sorriso (foto: Divulgação)

Há cerca de um ano, o prefeito de Sorriso iniciou conversas com a também americana Cargill sobre a instalação de uma fábrica no município. Com uma única unidade instalada no sudeste de Mato Grosso, em Primavera do Leste, a múlti se mostrou receptiva à ideia, que está em fase de análise.

Mas o interesse da cidade não é apenas em atrair indústrias. Segundo o prefeito, outra área que atrai interesse dos produtores locais em investir é a de armazenagem. Segundo Lafin, produtores a partir de 400 hectares querem construir estruturas próprias, desde que encontrem linhas de crédito estruturadas e com juros competitivos.

O prefeito esteve reunido nesta segunda-feira em São Paulo com empresários e investidores para apresentar as oportunidades oferecidas por Sorriso. O encontro foi organizado pelo NW Group. Entre os presentes estava um representante da Câmara de Comércio Brasil-Índia.

Segundo Lafin, os indianos estão de olho no potencial de produção de alimentos do Brasil, e considera que a Índia pode ser a nova China para o agronegócio brasileiro. Contudo, a base alimentar dos dois países é diferente, e Mato Grosso precisaria adequar sua produção para atender à nova demanda.

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“A Índia está interessada no Brasil. Já passou a China em termos de população. Está interessada na produção de grão de bico, gergelim e nos chamados pulses [feijões, lentilhas e ervilhas], e nossa região é muito propícia para produzir esse tipo de alimento, principalmente durante o período de seca, com o auxílio dos pivôs [irrigação]”, disse Lafin.

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Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.

A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.

O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.

Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.

Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.

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Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.

No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.

“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.

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Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.

“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.

Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima

Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.

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