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Secretaria do Agro divide opiniões em MT: Pivetta rejeita nova pasta e Janaina defende estrutura exclusiva para o setor

Proposta reacende debate sobre representatividade do agronegócio dentro do Governo de Mato Grosso; enquanto Janaina Riva defende uma secretaria específica, governador Otaviano Pivetta afirma que ampliar a máquina pública não é solução

O peso do agronegócio na economia de Mato Grosso colocou em evidência um novo debate político e administrativo: o Estado precisa de uma secretaria exclusiva para representar o setor produtivo?

A proposta ganhou força durante a campanha eleitoral de 2026 e colocou em lados diferentes o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e a candidata ao Senado Janaina Riva (MDB).

Janaina defende a criação de uma Secretaria Estadual do Agro, enquanto Pivetta rejeita a abertura de uma nova pasta e sustenta que as estruturas existentes são suficientes para atender às demandas dos produtores.

A discussão ganha relevância especialmente porque Mato Grosso tem na produção agropecuária uma das principais bases de sua economia e exerce papel de destaque nacional na produção de grãos, fibras, carnes e na exportação de commodities.

Janaina quer estrutura exclusiva para o agronegócio

Durante agenda em Sinop, Janaina Riva classificou o agronegócio mato-grossense como a “galinha dos ovos de ouro” do Estado e afirmou que o setor precisa ter maior representação dentro da estrutura administrativa do Governo.

Segundo a candidata ao Senado, a atual Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) exerce uma função importante, mas não teria como finalidade representar integralmente as demandas do agronegócio empresarial e das grandes cadeias produtivas.

Janaina citou entidades como Famato, Aprosoja e Fórum Agro como organizações que atualmente exercem papel importante na representação dos produtores e argumentou que o próprio Governo deveria ter uma estrutura com capacidade de participar de debates estaduais, nacionais e internacionais relacionados à atividade rural.

A proposta, segundo ela, também permitiria concentrar políticas relacionadas à inovação, tecnificação, desenvolvimento das cadeias produtivas e defesa dos interesses do setor.

Temas como moratória da soja, marco temporal, comércio internacional, legislação ambiental, logística, financiamento, segurança jurídica e competitividade da produção estão entre as questões que constantemente afetam produtores de Mato Grosso e dependem de articulação política fora das fronteiras estaduais.

Pivetta diz que criar secretaria não resolve

Otaviano Pivetta adota posicionamento contrário.

Durante sabatina promovida pela Aliança do Setor Produtivo, formada por Famato, Fiemt e Fecomércio-MT, o governador afirmou que não pretende criar uma nova Secretaria de Agricultura ou do Agronegócio.

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Pivetta argumenta que o objetivo deve ser reduzir e tornar mais eficiente a estrutura do Estado, e não ampliar o número de secretarias.

Ao ser questionado sobre a proposta, respondeu aos representantes do setor produtivo que o agronegócio já pode ocupar espaço dentro da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).

“Mais secretarias? Vocês acham que isso vai resolver? Nós temos a Secretaria de Desenvolvimento, vocês podem pular para dentro”, afirmou durante o encontro.

Pivetta chegou a sinalizar que sua administração poderá trabalhar na direção contrária, avaliando inclusive a redução do número de secretarias existentes.

O argumento do governador se baseia principalmente na eficiência administrativa: em vez de criar novos cargos, estruturas, gabinetes e despesas, o governo poderia fortalecer departamentos que já existem.

E, de fato, o Estado já possui uma Secretaria Adjunta de Agronegócios e Investimentos dentro da Sedec.

Documentos oficiais do Governo de Mato Grosso mostram que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico é responsável por políticas relacionadas ao desenvolvimento industrial, comercial, turístico, mineral, agropecuário, florestal e energético. Sua estrutura inclui especificamente uma Secretaria Adjunta de Agronegócios e Investimentos.

O ponto central: secretaria própria ou estrutura fortalecida?

O debate, portanto, não está relacionado à importância do agronegócio, reconhecida pelos dois lados, mas à forma como o poder público deve organizar sua representação.

Quem defende uma secretaria exclusiva argumenta que o tamanho e a complexidade do agronegócio mato-grossense justificariam uma estrutura própria, comandada por um secretário com acesso direto ao governador e orçamento destinado especificamente às políticas do setor.

Uma pasta exclusiva poderia concentrar discussões sobre produção, mercados internacionais, infraestrutura, armazenamento, defesa comercial, tributação, financiamento rural, sustentabilidade, industrialização da produção e atração de investimentos.

Também poderia funcionar como interlocutora permanente entre Governo do Estado, produtores, cooperativas, associações, agroindústrias, Governo Federal e compradores internacionais.

Do outro lado, a criação de uma nova secretaria inevitavelmente provoca outra discussão: é necessário ampliar a máquina pública para oferecer essa representação?

A posição de Pivetta é que não.

Na avaliação do governador, essas políticas podem ser executadas dentro da Sedec, evitando duplicação administrativa e novos custos aos cofres públicos.

Agricultura Familiar já possui secretaria própria

Outro ponto importante é não confundir as atribuições.

Mato Grosso já possui a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar, a Seaf, mas sua atuação é direcionada principalmente aos pequenos produtores e ao desenvolvimento rural de menor escala.

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A estrutura oficial da pasta estabelece como missão promover o desenvolvimento da agricultura familiar, geração de renda, inclusão social e sustentabilidade ambiental. O órgão trabalha ainda com assistência técnica, comercialização, agroindústrias familiares, cooperativismo e fortalecimento de pequenos produtores.

Por isso, defensores de uma Secretaria do Agro sustentam que uma estrutura destinada ao agronegócio empresarial não necessariamente substituiria a Seaf.

Seriam públicos e demandas diferentes.

Representatividade pode ser tão importante quanto orçamento

A discussão sobre uma Secretaria do Agro envolve ainda um componente político.

Mato Grosso precisa constantemente defender seus interesses em Brasília e também diante de mercados internacionais.

Decisões tomadas pelo Congresso Nacional, Governo Federal, Supremo Tribunal Federal, União Europeia, China e grandes empresas compradoras podem provocar consequências diretas sobre produtores mato-grossenses.

Questões ambientais e comerciais, por exemplo, podem alterar regras de produção, acesso a mercados e rentabilidade das propriedades rurais.

Uma estrutura governamental especializada poderia aumentar a capacidade de Mato Grosso participar dessas discussões.

Por outro lado, a existência de uma secretaria, isoladamente, não garante melhores resultados.

Para justificar sua criação, a nova estrutura precisaria apresentar competências claramente diferentes das já desempenhadas pela Sedec, evitar sobreposição de atribuições e demonstrar capacidade de entregar políticas públicas concretas.

Debate deve avançar além da eleição

A divergência entre Pivetta e Janaina Riva coloca na pauta uma discussão maior que a própria disputa eleitoral.

Mato Grosso deverá decidir se o crescimento e a complexidade de seu principal setor econômico justificam uma secretaria própria ou se o caminho mais eficiente é fortalecer a Secretaria Adjunta de Agronegócios já existente dentro da Sedec.

Janaina entende que chegou o momento de elevar o agronegócio ao nível de uma secretaria estadual.

Pivetta considera que aumentar a estrutura administrativa significa aumentar o Estado e os custos pagos justamente por quem produz e recolhe impostos.

Entre os dois posicionamentos existe uma questão que deverá ser respondida pelo setor produtivo e pela sociedade: Mato Grosso precisa de mais uma secretaria ou precisa dar mais poder, estrutura e autonomia aos órgãos que já representam o agronegócio?

Independentemente da resposta, a dimensão econômica da agropecuária mato-grossense torna evidente que as decisões relacionadas ao setor continuarão ocupando posição central na agenda do próximo governo.

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Agro Notícias

Médio-Norte de Mato Grosso ganha projeção nacional com produtividade acima de 65 sacas de soja por hectare

Fazenda Horizontina, em Ipiranga do Norte, será palco da Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 e reforça protagonismo de uma das regiões agrícolas mais importantes do país

O Médio-Norte de Mato Grosso volta a ocupar posição de destaque no agronegócio brasileiro. No próximo dia 17 de setembro, Ipiranga do Norte sediará a Abertura Nacional do Plantio da Soja – Safra 2026/27, reunindo produtores, empresários, pesquisadores, autoridades e representantes de diferentes segmentos da cadeia do agronegócio.

O evento será realizado na Fazenda Horizontina, propriedade da família Pozzobon que registra produtividade média superior a 65 sacas de soja por hectare e se tornou referência na utilização de tecnologia, agricultura de precisão e práticas voltadas à sustentabilidade da produção.

Mais do que colocar Ipiranga do Norte no centro das atenções, a escolha reforça a importância de todo o eixo agrícola do Médio-Norte mato-grossense, formado por municípios que estão entre os maiores produtores de grãos e polos agroindustriais do Brasil.

Uma região que ajuda a sustentar a produção brasileira

Ipiranga do Norte está inserida em uma região estratégica que reúne municípios como Sorriso, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Tapurah e Itanhangá, entre outras cidades fortemente ligadas à produção de soja, milho e algodão.

O tamanho dessa força pode ser observado em Sorriso, considerado pelo IBGE o maior produtor nacional de soja e milho. Dados referentes à produção agrícola de 2024 apontaram aproximadamente 6,1 milhões de toneladas de grãos produzidas somente no município.

Além da produção, a estrutura instalada na região também chama a atenção. Segundo levantamento do IBGE referente ao segundo semestre de 2025, Sorriso possuía cerca de 5,9 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem, a maior entre os municípios brasileiros. Nova Mutum e Lucas do Rio Verde também estão entre os grandes polos de armazenamento do estado.

Esses números mostram que o Médio-Norte não representa apenas grandes extensões de lavouras. Ao longo das últimas décadas, a região passou a concentrar também armazenagem, agroindústrias, produção de biocombustíveis, proteína animal, logística e processamento de grãos.

Fazenda ultrapassa 65 sacas por hectare

Dentro desse cenário, a Fazenda Horizontina representa um dos exemplos da evolução tecnológica ocorrida no campo.

A propriedade foi adquirida em 2009, inicialmente com foco na ampliação da produção de algodão de segunda safra. Ao longo dos anos, passou por um processo de modernização e diversificação.

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Atualmente, a média de produtividade da soja supera 65 sacas por hectare. Entre as tecnologias utilizadas estão agricultura de precisão, telemetria de máquinas, aplicação localizada de defensivos e monitoramento das lavouras por imagens NDVI.

As ferramentas permitem acompanhar diferenças no desenvolvimento das plantas dentro dos próprios talhões e direcionar o manejo para áreas específicas, reduzindo desperdícios e buscando maior eficiência na utilização de fertilizantes, defensivos, combustíveis e máquinas.

Agricultura regenerativa e economia circular

Outro destaque da Fazenda Horizontina está na tentativa de integrar produtividade e conservação dos recursos naturais.

A propriedade utiliza conceitos de agricultura regenerativa, com práticas voltadas à conservação e à melhoria das condições do solo.

O projeto também avança para um modelo de economia circular, no qual soja, milho e algodão podem ser integrados à produção animal e à agroindustrialização.

A proposta é fazer com que parte dos produtos e subprodutos permaneça dentro da própria cadeia produtiva. Resíduos da produção animal, por exemplo, podem retornar ao sistema na forma de fertilizantes ou ser utilizados na geração de energia.

É um modelo que reflete uma transformação cada vez mais presente no Médio-Norte: deixar de ser exclusivamente uma região produtora de matéria-prima para avançar na industrialização e na agregação de valor.

Lucas, Sorriso e Nova Mutum avançam na industrialização

Essa transformação pode ser observada em várias cidades da região.

Lucas do Rio Verde vem consolidando sua posição como polo agroindustrial e logístico e atraindo novos investimentos relacionados à transformação da produção agrícola. O município também mantém forte integração entre produção de grãos, proteína animal, indústria e biocombustíveis.

Somente na safra 2025/26, Lucas do Rio Verde cultivou aproximadamente 147 mil hectares de milho, com produção estimada em mais de 1 milhão de toneladas, segundo dados do Imea divulgados pelo município.

Sorriso segue trajetória semelhante. O município possui cerca de 600 mil hectares destinados à soja e ao algodão na primeira safra, com grande parte da área retornando à produção na segunda safra, especialmente com milho.

Nova Mutum, por sua vez, também consolidou uma forte base de produção de grãos e vem ampliando a presença de indústrias ligadas principalmente ao processamento de milho, produção de etanol e outros segmentos associados ao agronegócio.

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Mato Grosso segue líder na soja

O protagonismo regional ocorre dentro do maior estado produtor de soja do país.

Para 2026, o IBGE estimou inicialmente que Mato Grosso poderia produzir aproximadamente 48,5 milhões de toneladas de soja, mantendo larga liderança nacional.

No Brasil, a estimativa divulgada pelo instituto em junho avançou para aproximadamente 174,6 milhões de toneladas de soja, estabelecendo novo recorde na série histórica.

Boa parte dessa produção atravessa ou é originada justamente no eixo central da BR-163 em Mato Grosso, onde estão concentrados alguns dos municípios agrícolas mais relevantes do país.

BR-163 fortalece corredor produtivo

A expansão do agronegócio também aumenta a importância da infraestrutura regional.

A BR-163 é o principal corredor rodoviário que conecta Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso e municípios próximos às principais rotas de escoamento de Mato Grosso.

Nos últimos anos, a duplicação da rodovia avançou pela região. Entre os trechos já entregues estão aproximadamente 48 quilômetros entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde e outros 16 quilômetros entre Lucas e Sorriso, melhorando a conexão entre alguns dos principais polos produtores do estado.

Além das rodovias, a perspectiva de expansão ferroviária e novos investimentos privados tende a ampliar ainda mais a capacidade logística e industrial do corredor.

Ipiranga do Norte vira vitrine do agro brasileiro

É dentro desse cenário que Ipiranga do Norte receberá, em 17 de setembro, a abertura oficial do plantio da soja 2026/27.

A programação na Fazenda Horizontina marcará o início da 15ª temporada do Projeto Soja Brasil e terá como tema central “A verticalização da soja na produção de alimentos e energia”.

A discussão é especialmente relevante para o Médio-Norte de Mato Grosso. Depois de décadas ampliando produção e produtividade, o desafio atual passa por transformar uma parcela maior dos grãos dentro da própria região, criando indústrias, empregos, biocombustíveis, proteínas e novos negócios.

A realização de um evento nacional em Ipiranga do Norte, portanto, vai além de uma solenidade de início de safra. Ela evidencia uma realidade já construída no campo: o Médio-Norte de Mato Grosso se consolidou como uma das regiões agrícolas mais produtivas e tecnologicamente avançadas do Brasil e começa uma nova etapa marcada pela industrialização e agregação de valor àquilo que produz.

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