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Produção de açúcar cai apesar de moagem histórica no CS

A produção de açúcar do centro-sul do Brasil na segunda quinzena de julho somou 2,478 milhões de toneladas, queda de 5,5% ante o mesmo período do ano passado, apesar de uma moagem histórica de cana, com as usinas destinando mais cana para a fabricação de etanol, que tem remunerado mais.

A moagem aumentou 4,25% na segunda quinzena, para 49,7 milhões de toneladas, com o tempo seco favorecendo os trabalhos no pico da colheita da principal região produtora de cana do mundo, de acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) nesta sexta-feira.

A Unica afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que no passado o setor já registrou moagem de 50 milhões de toneladas em uma quinzena, mas com 12 usinas a mais em operação —muitas unidades têm sido fechadas por problemas financeiros— o que ressalta o volume processado.

Em meio às notícias sobre a produção no maior exportador global, os preços do açúcar bruto na bolsa ICE chegaram a subir quase 4%.

Já a produção de etanol do centro-sul no período somou 2,65 bilhões de litros na última quinzena de julho, alta de 0,97% ante o mesmo período do ano passado.

As usinas do centro-sul destinaram 37,04% de cana para a produção de açúcar na segunda quinzena de julho, ante 38,35% no mesmo período do ano passado. Já o mix para o etanol subiu para 62,96%.

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Nesta semana, a consultoria FCStone projetou que o mix para o açúcar terá mínima histórica na safra 2019/20, em 34,7%. No acumulado da temporada até o final de julho, a quantidade de cana para açúcar está em 35,31%, informou Unica.

O diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, ponderou que, apesar do avanço na quinzena, “a moagem permanece atrasada no acumulado da safra.”

Até 1º de agosto, a quantidade de cana processada segue 2,75% abaixo daquela observada no ciclo 2018/2019, em 307,81 milhões de toneladas.

“Essa retração reflete a moagem no Estado de São Paulo, principal polo produtor de cana-de-açúcar do país, onde segue defasada em mais de 10 milhões de toneladas”, disse Rodrigues em nota. Até o momento, o volume processado no Estado somou 179,51 milhões de toneladas.

Pesquisa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) citada pela Unica indicou uma produtividade agrícola de 83,78 toneladas por hectare entre abril a julho de 2019, ante 81,30 toneladas por hectare até a mesma data do ciclo 2018/2019.

Apesar da melhora na produtividade, a matéria-prima tem vindo com qualidade inferior.

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) disponível para conversão em açúcar e em etanol apresenta queda de 4,3% ante a safra passada, para 128,74 kg por tonelada até o final de julho.

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Na 2ª quinzena de julho, o indicador totalizou 141,30 kg por tonelada, contra 150,53 kg no mesmo período do ano anterior.

“Essa redução de quase 10 kg na qualidade da matéria-prima deve-se, em parte, à geada que atingiu cerca de 400 mil hectares de canaviais no centro-sul”, destacou Padua.

O fenômeno obrigou muitas unidades a colherem a lavoura afetada mesmo antes da planta atingir seu estágio ideal de maturação, explicou.

VENDAS EM ALTA

No acumulado desde safra 2019/2020, a produção de açúcar recuou quase 10%, para 13,33 milhões de toneladas.
Quanto ao etanol, o volume fabricado totalizou no acumulado da safra 15,48 bilhões de litros (4,79 bilhões de litros de etanol anidro e 10,69 bilhões de litros de etanol hidratado), queda de 4%.

Se a produção está em queda, as vendas continuam fortes. No mercado doméstico, a comercialização de etanol hidratado atingiu 1,94 bilhão de litros em julho, alta de 12,9% sobre o mesmo mês de 2018.

As vendas do combustível, concorrente da gasolina no Brasil, somaram 7,66 bilhões de litros no acumulado da safra até julho, aumento de cerca de 25% ante a temporada passada.

Agrolink

 

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Agro Notícias

Safra de soja em MT chega a 51,56 milhões tonelada

O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgou os resultados da etapa soja do projeto Imea em Campo, que revisou para cima as estimativas da safra 2025/26 em Mato Grosso e passou a projetar produção recorde de 51,56 milhões de toneladas.

A nova projeção também elevou a produtividade média estadual para 66,03 sacas por hectare, patamar muito próximo do recorde da temporada anterior.

O levantamento foi realizado ao longo de 71 dias, com 34.880 quilômetros percorridos, 998 avaliações de campo e passagem por 103 municípios, cobrindo 97,92% da área total cultivada com soja no estado. O objetivo do projeto, realizado em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) e o Instituto Mato-grossense do Agronegócio (Iagro MT), é ampliar a precisão das informações geradas a partir de observações in loco, reforçando a representatividade dos dados e a leitura regional das lavouras.

Com base nos resultados obtidos em campo, o Imea revisou a produtividade da soja em 9,23% ante a estimativa anterior, que era de 60,45 sacas por hectare. A área plantada também foi ajustada para 13,013 milhões de hectares, alta de 1,71% sobre a safra passada. Com isso, a produção estadual ficou estimada em 51,56 milhões de toneladas, volume 1,31% superior ao registrado no ciclo 2024/25.

Durante a apresentação, a equipe técnica destacou que a safra 2025/26 foi marcada por um cenário climático desafiador, com irregularidade das chuvas no início do plantio e, posteriormente, excesso de precipitações em algumas regiões durante a colheita. Ainda assim, as lavouras mantiveram desempenho satisfatório, apesar das incertezas observadas ao longo da temporada.

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Entre os fatores de atenção levantados pelo projeto, os grãos avariados tiveram peso relevante. Na comparação com a safra passada, houve aumento de 3,40% nas avaliações com esse tipo de ocorrência, o que, segundo a análise apresentada, limitou um avanço ainda maior da produtividade estadual.

No recorte regional, a região Norte apresentou o maior percentual de lavouras classificadas como excelentes, enquanto o Sudeste concentrou a maior parcela de áreas avaliadas como ruins. Já a região Oeste foi a principal responsável pelo incremento na produção, enquanto a Centro-Sul registrou a maior variação positiva de produtividade em relação à estimativa anterior.

O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, ressaltou que o objetivo do projeto é consolidar um levantamento técnico, completo e representativo das condições das lavouras, oferecendo mais segurança para o mercado e para os agentes do setor.

“O diferencial do projeto está na apuração presencial, sem intermediários, diretamente no campo. É ir a campo e medir essas informações sem intermédio, sem interferência de ninguém. Isso dá mais garantia e maior acurácia a essas informações para que realmente a gente consiga quantificar e medir o tamanho da nossa produção mato-grossense”, afirmou o superintendente.

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Já o presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, destacou que informações mais próximas da realidade ajudam a balizar negociações, reduzem espaço para especulações e valorizam o trabalho do produtor rural.

“Essa apresentação mostra o trabalho dessa parceria. O Imea tem sido muito assertivo nos últimos anos nos números que tem trazido a nós, produtores, e ao mercado, trazendo mais seriedade e coerência nesse fornecimento de dados, que também interfere diretamente no dia a dia do produtor, principalmente na projeção de preços e no planejamento para as próximas safras”, explicou o presidente da Aprosoja MT.

Segunda safra de milho segue dependente do comportamento do clima

Além dos números da soja, o evento também apresentou um panorama inicial da segunda safra de milho. O Imea informou que 1,17 milhão de hectares foram semeados fora da janela ideal de plantio no estado. Apesar disso, a estimativa atual do cereal segue em 51,72 milhões de toneladas, com área de 7,39 milhões de hectares e produtividade projetada em 116,61 sacas por hectare. Segundo o instituto, o comportamento das chuvas nas próximas semanas será decisivo para a consolidação desse potencial.

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